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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Doenças e Maleitas

Hoje vou falar de doenças e maleitas, sobretudo das que ainda estão na memória de muita gente da aldeia. Como sabem, dantes as nossas aldeias eram dez vezes mais populosas (força de expressão), afinal nasciam muito mais crianças que hoje, mas também havia muita mortalidade infantil, morriam muitos dos bebés por causa de febres muito perigosas, daí que as mães quando alguma febre apertava lá iam ao "médico" da terra: Sr. José Bernardo, que em matéria de doenças era quem lhes valia. Era o "médico popular" da aldeia, salvou muita gente e poupou a muitos dinheiro com consultas e com medicamentos.
Nós já o referimos aqui.

crianças com sarampo

Que doenças assolavam a aldeia?
A tuberculose, que felizmente não matou ninguém, mas nos anos 40 apareceram casos de tifo, alguns deles fatais, a febre tifóide; a difteria, conhecida por garrotilho, vitimou também muitas crianças - não confundir, com uma doença nas ventas dos animais a que se dava o mesmo nome - tem se calhar este nome por ser doença de garotos. Mas das maleitas dos miúdos, do que me lembro melhor é do sarampo e da varicela; tesorelho ou trazorelho e febre de malta, porque dores de garganta, constipações e estados febris que davam uns tremores, isso era todos os Invernos. Amigdalites (anginas) também. Mas houve outras doenças a ameaçar a saúde da miudagem como, por exemplo, a coqueluche, tosse convulsa, a meningite e otites. A asma também um ou dois tinham e lembro-me de ouvir falar, na adolescência, da vacina da rubéola, como sendo uma doença que ameaçava as grávidas, sendo que o embrião pode sofrer malformações.
Havia muitas doenças que nos chateavam os dias. 
Na minha aldeia muitos adultos tinham úlceras, de estômago, principalmente. Hoje duvido que algumas não fossem cancros, mas cancros e cirroses também havia, como aliás em toda a parte. Não esquecendo a pneumonia e a hepatite, como sendo doenças perigosas. Gripes, catarros, carbúnculo, comichões (algumas por causa dos piolhos) e diarreias de vária ordem povoavam o dia a dia da aldeia nos anos 50 e 60. 
Em 1957 a gripe asiática atacou muita gente, em Forninhos chamavam-lhe "andaço".
Já agora, registo, a respeito, a informação datada de 2 de Abril de 1850, do jornal Ilustração Brasileira, constante do "livro" de Forninhos, a pág. 72: "...o jornal Ilustração Brasileira, na sua edição de sábado, na secção História da Actualidade, referia que «Na freguesia de Forninhos grassa actualmente uma febre de caracter maligno», não dando mais explicações sobre esta epidemia.". 
Pena que aqueles que se dedicaram  à investigação tenham escrito um livro  para historiadores, porque aos netos desta terra igualmente não foi dada qualquer explicação, nem o assunto "nosografia" foi abordado. Quando uma febre assim tem carácter maligno tem certamente um nome, uma causa...
Até consultei os censos da época e, curiosamente, entre 1849 e 1862 a população não sofreu uma evolução negativa.

32 comentários:

  1. Digo apenas que o tema excede o que poderia esperar, mesmo sendo escrito por quem foi.
    Traz consigo um misto de agruras sentidas no tempo em que doencas e maleitas atacavam sem nome cientifico, mas designadas em medos e ansiedades no linguajar popular.
    "ficou assim porque...morreu assim...uma desgraca, foi a vontade de Deus..."
    E que remedio senao aceitar, era o destino que trazia a maldicao, na sua cobardia, sabendo que nem havia nem saber ou meios para tal combater.
    Tocava a todas as casas e familia alguma escapava, da doenca do mais abastado ate bater na porta do mais necessitado sob a forma de maleita.
    Sim, ja nesse tempo a mesma doenca tinha dois nomes, uma rica, outra pobre.
    Apenas ambas se @abracavam" no cemiterio.
    A mim tambem me tocou, como neste excerto que transcrevo do meu diario em Setembro passado no "Nascendo".
    Era a temivel coqueluche, tosse seca que atacava os bebes, convulsa ao ponto de ficarem roxos pela asfixia. Incomodativa para os familiares e dolorosa nos seus coracoes, aponto de quase os levar para a loucura pela incapacidade de algo poderem fazer. Quando esta "coisa" me atacou, o meu pai em desesperou chegou a ir dormir para uma palheira anexa. Ja nao aguentava.

    "...Fui arrebitando caminho ate ser dado como morto. Era a maldita febre.
    A minha familia era muito dada aos padres, talvez por algumas posses que tinham e contribuiam em prol da terra, deles e da igreja.
    Foi marcado o meu funeral de anjinho, caixao branco, etc... para o dia seguinte.
    Mal pareceria ir a sepultar este fulano, filho e neto de quem era, sem ser baptizado.
    Pela calada da noite, falando com o Sr. padre, embrulhado, me levaram na igreja para o baptismo.
    No dia seguinte seria o funeral, mas com irmandade e tudo.
    Faltava o nome ainda nao escolhido.
    Pergunta aqui, pergunta ali e nada!
    O Sr. padre Valdemiro, sugeriu, coitadinho, como logo vai para debaixo da terra, porque nao dar o nome dos dois avos, Francisco e Antonio.Homenagem.
    Assim fui baptizado, Francisco Antonio Fonseca de Almeida.
    E este malandro, ja na altura teve o descaramento de enganar tudo e todos e hoje com amor por aqui andar...
    Grande post, Paula, bem hajas.
    Muitas estorias aqui irao cair, cada qual sobre sua maleita, pois doenca era coisa de ricos.
    Beijos.

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  2. Aqui se dizia doença ruim. Todo povoado tem um ser abençoado que ajuda nessas horas e o recurso fica distante. Aqui tínhamos o Dr. Silas, eu morria de medo dele, só sabia dar injeções. Será que ele não conhecia outro método de cura, era o terror da criançada. Lendo o comentário do Xico, me identifiquei com ele. Também tive uma doença e segundo meu pai, fui curada pelo Padre Reus, Por muitos anos eu e meu pai íamos em março visitar e assistir uma missa aonde foi enterrado o padre santo.
    Quando leio seus relatos parece que ouço meu pai falando, pois são muito semelhantes as histórias. Sugiro que escrevam um livro. As vezes penso também escrever um livro sobre as histórias que meu pai contava.
    Xico tenho consumido diariamente linhaça, minha irmã curandeira me disse que é ótimo para baixa colesterol ruim. De manhã consumir junto com iogurte é muito bom. Alfredo disse que junto com o vinho cura qualquer mal. Esse rapaz só pensa em vinho.
    Paula parabéns pelo interessantíssimo post.
    Bjos queridos amigos tenham um ótimo dia.

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    1. Olá Anajá e obrigada.
      Eu também sou uma que tinha pavor de agulhas, aliás, ainda hoje tenho. A pior recordação que tenho das injecções tem a ver com a febre de malta...isto porque em criança, depois de "tomar banho" estendi a toalha na relva infectada com a brucella melitensis ("tomar banho para os mais jovens é nadar). Apanhei a febre. Depois o médico receitou umas injecções e assim que minha mãe, que sabia/sabe dar injecções, lá em casa, preparava a seringa já eu estava a chorar...!
      A 2.ª pior recordação, mesmo sem ser doença, tem a ver com a dor de um dente que um filho do referido Sr. José Bernardo (Sr. Antoninho Bernardo) me arrancou com um alicate. Doeu, mas correu bem. Sem estes "doutores populares" a vida numa aldeia como Forninhos teria sido muito pior para todos nós.
      Dou comigo a reflectir sobre a recência desta vida de pobreza, doenças e maleitas e se houver recursos, sim, editamos o blog dos forninhenses em livro. Porque não?

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    2. Menina essa segunda doeu em mim. Tu sabe que tenho pânico de dentista, ainda bem que tenho os dentes bons. Lá em Solidão tinha o Doutor Incio, sempre comentavam que ele arrancou o dente de um homem e desencarrilhou o queijo, eu morria de medo. Quando escreveres não esquece do meu exemplar.
      Bjos

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    3. Claro. Se um dia, a expensas minhas, editar os textos do blog dos forninhenses em livro não será com o objectivo de ser vendido, será para oferecê-lo a familiares e amigos.
      Beijinhos.

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  3. Falar de coisas pessoais, não se pense ser mais fácil, por resguardo do ouvir "ai que vergonha falarem da vida deles...), dou de barato, mas por se ser, queiramos ou não, menos isentos por mais emotivos e com menos discernimento. Fala o coração na boca. Como a minha parcela de vida que narrei e da qual me safei, mas quantas e quantos, mal viram a luz do dia?
    Ao nascer, o maldito "garrotilho"!. Contaram-me, das coisas mais aterradoras e na altura do final de gravidez e recuando seis sete décadas atrás, a rèstea de esperança era que o nado-vivo não apanhasse esta maleita.
    O povo já se ia habituando ao toque do sino: "morreu mais um anjinho...", resignados, sabendo que nessa altura estariam no céu. Já era um consolo.
    Tocou a quase todas as casas ,era assim.
    Felizmente muitos houve que escaparam, por pura sorte pois os cuidados eram iguais para pobres e remediados.
    Meia dúzia de anos à frente, tinham "outra senhora" esperando, a Tuberculose.
    Esta mais safada que as outras, arremetia aos mais expostas, levando as más línguas da aldeia ao ponto de dizerem que quem ela acometia, era porque passava fome. Puro engano, julgados porque não podiam disfarçar o grau já avançado..
    Quem podia e após identificada, tinham o sanatório Dr. Sousa Martins na cidade da Guarda, já na época uma das maiores referências europeias para este tipo de tratamento ou o sanatório no Caramulo. Ambos relativamente perto para quem fosse de carro...
    Não apurei que alguém tivesse morrido tuberculoso, até pelo benefício dos ares de Forninhos, serem amigos solidários, mas claro, uns sofreram mais que outros, como o caso do tio Brasileiro, de seu nome António, dos primeiros a ser visitado por esta "peste".
    Graças a Deus que não morreu novo...

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  4. Que texto interessante, muito bem escrito e esclarecedor.Imagino os forninhenses quando o leem, devem se lembrar bem! bjs, tudo de bom,chica

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    1. Pois devem, mas vamos ver chica quantos têm a coragem de vir aqui contar um episódio. Às vezes penso que o blog lhes causa alergia, comichões várias na pele. Mas não só: aftas também. Beijos**

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  5. Xico,
    Vergonha é roubar...
    Eu quando criança tive o sarampo e o tesorelho ou trazorelho, mas só soube da coqueluche quando escreveste sobre a história do teu nascimento e baptismo. Imagino que era uma doença de que as mães tinham muito medo...e cortava o coração de qualquer pai.
    Apesar das condições de vida duríssimas que se viviam na época, tu já nasceste e cresceste num tempo tido como "tempo de ouro". A tua família tinha possibilidades de ir ao médico e, por tal foste devidamente medicado.
    Se muitos bébés morriam à nascença, uma boa percentagem morreu ou ficaram com deficiências, devido às inúmeras doenças que assolavam a aldeia por essa altura, coqueluche, garrotilho, meningite, otites. A gripe asiática e pneumonia, sem escolher idades, também vitimou crianças.
    A tuberculose, contam que atacou crianças e adultos, mas Graças a Deus e aos bons ares da nossa zona, nenhum caso foi fatal.
    E que mais doenças havia?
    Em Forninhos, não há ainda muitos anos, ouvia-se falar da gerpela, salvo erro, era uma doença cutânea que aparecia na cara. Deixava a pele da cara vermelha e inchada, mas li na net que aparecia nas pernas, do joelho até aos pés.

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    1. Que mais doencas havia...
      Fica para mais tarde.
      Frieiras e lombrigas, sim aquelas nojentas das dores de barriga.
      Nem sei se fale delas nem do remedio, senao ficamos aqui a falar sozinhos.
      A ver vamos...

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  6. Bom dia
    Voltei e preparei um presentinho pra você, venha conferir.
    Tenha um ótimo fim de semana!
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  7. Sobre a Gripe Asiatica, pesquisei e em resumo deixo o seu trajecto que teve a sua origem na China, como actualmente muitas das pandemias que assolam o mundo.
    Esta viajou por diferentes partes do mundo, ate vir "conhecer" Portugal.

    A epidemia de 1957 entrou em Portugal por via marítima, através dos passageiros do navio Moçambique, vindo de portos africanos, onde grassava a gripe. Embora os tripulantes tivessem desembarcado no dia 7 de Agosto em Lisboa, foi em fins de Setembro que a doença adquiriu carácter epidémico, atingindo o seu máximo em Outubro.
    Depois, digo eu, andou como queria, fazendo nefastamente o que lhe apetecia.
    Outras molestias houve, quase sempre tendo com principal culpado, o tempo e a natureza.

    "Eu sinto mal quando chega a época da lua, quando está para chegar a menstruação sinto muita dor na perna, no cóccix,, dor de cabeça, insônia. A lua mexe muito com os meus nervos."

    "Tenho muita dor na coluna, que me vem com a lua."

    "As pessoas dizem que essa coceira que deu na gente vem do vento. É um Andaço que anda com o vento."

    "A minha perna incha e dói por causa do calor. Mas essa doença apanhei porque trabalhava num lugar muito frio e húmido."

    Bom, voltando o nosso foco para Forninhos, esta aldeia tinha o se metodo de combate contra esta e outras coisas.
    O Sr. Ze Bernardo, atendia quem tivesse estes "achaques", no seu modo simples, eficaz e convenhamos com dor natural. "Cortava" a asiatica, andaco, cravos terranhos, sei la...
    Cortava, melhor, queimava o nervo atras de orelha, com ferro em brasa, a sangue frio.
    E o "mestre", salvava o paciente!

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    1. Olá Xico.
      Soube dessa gripe asiática quando li pela 1.ª vez o livro do Sr. Pe. Luís Lemos, porém ao ler-te não posso deixar, mesmo sob pena de ficarmos aqui a falar sozinhos, de dizer que ainda bem que há autores que não precisam beber dos escritos já existentes sobre a nossa região para escrever sobre o que era a ruralidade, o viver e o sentir das pessoas da sua terra. Já os que se dedicaram à investigação sobre a terra dos nossos antepassados não fizeram outra coisa, além de tirar fotografias!
      Repara que a supra referida informação do jornal Ilustração Brasileira, aparece no capítulo dedicado às invasões e liberalismo e só porque na pesquisa efectuada encontram duas informações que pelo seu relevo merecem destaque! A primeira é esta, datada de 2 de Abril de 1850; a segunda, é sobre um requerimento da Junta de Parochia de Dornelas.
      Não acho normal, mas pronto...

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    2. Admiro a tua persistencia em ainda tentares encontrar peixe em ribeiro seco.
      Que "Coisa"!
      Qualquer grande superficie tem no dia a dia promocoes. na rua ,caixa do correio, todos os aparelhos de comunicacao standard.
      Tudo esteriotipado .
      Inovacao, trabalho e conhecimento, valha Santo Antonio.
      Tal como as "damas", mostrem a perna que eles ficam de olhos em bico e quem sabe um dia ha mais...
      Para este peditorio ja dei e se de inicio tentaram ser intimidatorios na sua arrogancia, depressa baixaram a crista por baterem em porta errada.
      Dinheiro no bolso, andarao porventura a tocar campainhas de juntas de freguesia ingenuas, na tentavida de na caixa de correio deixarem teses de mestrado tirada em Forninhos.
      Mal formados em historia a nivel global, como entrar no amago de uma aldeia tradicional para eles "mais uma".
      Ja nao me tiram o sono, aumentam sim a responsabilidade de aqui fazermos a historia da nossa terra. De verdade!
      O resto...

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    3. Insisto, porque ao que tudo indica, em 1850, a grande epidemia de febre foi a chamada "febre amarela" e é pena, repito, que o historiador refira uma notícia só porque a encontrou nas suas pesquisas...! Portanto, é bom que os nossos leitores saibam que se o jornal Ilustração Brasileira, não deu explicações sobre a tal epidemia, o Sr. historiador também não se preocupou muito em explicar o assunto.
      É o que eu digo, a leitura é fácil, mas é para historiadores!

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  8. Olá a todos!
    Uma abordagem excelente acerca das doenças ou maleitas que afectaram os habitantes de Forninhos ; um pouco o reflexo do que se passava talvez no resto do país. Apesar dos pesares, havia felizmente um sr. José Bernardo com entendimento para acorrer a certas situações e dar uma ajuda tão necessária a populações sem centros médicos.
    Havia muita mortalidade infantil, é certo, e o facto de morrerem tantas crianças à nascença ou durante a 1ª infância era geralmente considerado infortúnio e má sorte, era o destino, de certa forma "aceite" como inevitável. Que remédio!..Que poderiam as pessoas fazer?...
    Mesmo com a mortalidade infantil tão elevada, a alta natalidade acaba por "compensar" tais perdas.
    Muito curioso o testemunho do Xico (agora até já sabemos porque se chama Francisco...:-)...) sobre a tosse convulsa de que padeceu. Imagino a aflição dos pais numa situação daquelas, mas o que vale é que o Xico foi teimoso e decidiu resistir para nos contar a história.
    Que eu saiba nunca tive em criança nenhuma dessas típicas maleitas a não ser as malditas "anginas" que me apoquetaram até à idade de 16 anos, quando me afectaram de tal forma que nem conseguia abrir a boca , quanto mais ingerir alguma coisa... Apanhei uma dose "cavalar" de penicilina e até hoje nunca mais as tive!...Lagarto, lagarto (bater na madeira...).
    Muito bem feito o post, Paula, e adorei ler as achegas do Xico.
    Aqui está um dia maravilhoso, e estou tão bem disposta!...:))
    xx

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    1. O que diz é bem verdade. Apesar dos pesares, havia felizmente um sr. José Bernardo, a ponto dos seus pacientes só recorrerem ao médico em casos extremos e quando este aconselhava a consulta médica, porque ao primeiro sintoma iam era logo à casa deste sr.
      As parteiras e as mulheres que faziam "rezas" também ajudaram a compensar as perdas.
      Eram tempos do catano, Laura!
      As anginas, essas é que ameaçavam a boa disposição de qualquer um. Também sei o que isso é!
      Bom fds.

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  9. Terríveis maleitas! Do que nos livramos!
    Obrigada pelo comentário lindo.
    Beijo

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    1. Graças a Deus!
      De muitas já nem há memória. Felizmente.
      Bjo.

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  10. Olá Paula!
    Puxa, texto legal mostrando um tanto das doenças que acometem, principalmente, as crianças... Lembro de algumas que tive, como: catapora/varicela, sarampo, coqueluche... Ainda bem que hoje temos prevenções mais eficazes/vacinas...

    Um Bom Fim de Semana... Beijinhos

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    1. Pois. Se hoje morrem dez vez menos bebés é por existir melhor acesso a médicos e a medicamentos. Mas do que li por aí...de interessante, Anete, foi descobrir que antigamente os meus antepassados já utilizavam algumas terapias alternativas para a cura da tuberculose e doenças pulmonares!
      Tenha um bom fds também.

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  11. OI Paula,
    nossa essas doenças foram terríveis, e a mortalidade infantil, muito grande, agora algumas dessas doenças ditas extintas, estão aparecendo novamente, como o caso da catapora( eu tive há 4 anos atras) o sarampo também tem aparecido alguns casos e aqui houve até campanha de vacinação, mas hoje tudo está mais sobre controle, antigamente, ficava à Deus dará.
    Como sempre você fez um ótimo post.
    Beijos!

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  12. Em Portugal, há coisa de 2 anos, houve também um pequeno surto de sarampo e tal já tinha sucedido também em anos anteriores (2004 e 2005, 2009 e 2010). Mas um dos flagelos mais preocupantes de saúde do século XXI é a doença da diabetes. O que não quer dizer que no século XX a doença não existisse, embora na minha aldeia se diga que antigamente não se ouvia falar da diabetes!
    O certo, Fátima, é que muitos morriam sem saber de quê!

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  13. Yo nací en un Pueblo pequeño y es como lo que tu dices; Las tres fundamentales enfermedades que había que pasar eran: Sarampión, Varicela y Paperas. Siempre se recurría al médico del Pueblo y era él quien las trataba y curaba. si un niño las tenía, ahí íbamos todos...Aún me acuerdo de la vacuna contra la viruela...Parecíamos un ejército poniendo el brazo para ser pinchado.
    Como siempre un maravilloso documento pleno de vivencias y realidad.
    Abraços Xico y Aluap.

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    1. Agora Pedro, trouxeste memorias antigas.
      Os mesmos bracos que nos obrigavam a estender na entrada da sala da escola, olhando Salazar e cantar o hino da mocidade portuguesa, era de facto aquele que como dizes, tipo desfile militar, se colocava a jeito nao da agulha mas da "caneta de aparo" para prevenir molestias.
      Ainda hoje basta olhar para o braco dessas pessoas e la esta a marca.
      Como que a origem das tatuagens...

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  14. Também eu tive algumas doenças em pequena como o sarampo, o tesorelho mais conhecida como papeira, uma que tive e me lembro bem foi a febre da carraça (febre da malta) foi em 1979, nesse verão ia com as minhas amigas para a poça da eira tomar banho, depois deitávamo-nos na erva para apanharmos sol, foi ai que apanhei uma carraça, quando fiquei com a febre a minha mãe não sabia de onde vinha tanta febre, falta de apetite e muitas dores no corpo, como não passava de maneira nenhuma resolveu levar-me ao hospital de Aguiar da Beira, enquanto estávamos à espera de sermos chamadas eu tinha a minha cabeça deitada no colo da minha mãe e foi aí que ela encontrou uma carraça no meu pescoço mesmo no final da cabeça foi aí que ficou a saber a doença que eu tinha era a febre da carraça, a seguir a mim as minhas amigas também a tiveram.

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    1. Ola Maria, como era terrivel a febre da carraca.
      Diziam que o sabao azul e branco, tirava todas as nodoas, ate mazelas do corpo, mas as cabras e ovelhas que por ali andavam, nao continham as caganitas, quanto mais as carracas.
      E como as amigas andavam sempre juntas, , eram como carracas...
      Mas Maria, ali no Outeiro, junta a casa dos Brancos, ao soalheiro, aquelas velhotas a catar piolhos, tambem era maleita e das bravas.
      Era vergonha para a escola o catar, mas ate havia desafios, quem tinha mais e depressa os matava.
      Claro que para as meninas finas, eram lendeas...
      Fica com o tesorelho, que esse era de chorar aos ceus...
      Beijos.

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  15. Claro que nao ha doencas ou maleitas bonitas, sendo que umas chocam mais que outras pelo aspecto exterior como se evidenciam.
    Mas as rainhas do nojo eram as "Lombrigas".
    Que nojeira a maneira como apareciam vindas dos intestinos, coisas vivas vindas de um ser vivo, por norma criancas. Certo, tocava a todos.
    Afinal o que eram estas "minhocas"...

    https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20121017151954AADSOVz

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  16. As lombrigas lembram mesmo minhocas. E não houve episódios, em Forninhos, que as lombrigas chegaram a sair pela boca?
    As lombrigas, também podiam levar à morte, mas as pessoas acho que nem sabiam. Eram transmitidas através de alimentos contaminados, verduras, frutas. Na altura, porque nas casas não havia água canalizada não se lavavam tão bem os alimentos e lá se engolia os ovos da lombriga que iam eclodir no aparelho digestivo. Mas não quero falar mais desses vermes...são nojentos mesmo.

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  17. Nao fora bater a portas, qualquer dia teria quinhentos anos de estorias...
    Entao sobre o tema, Deus nos acuda, embora umas verdadeiras outras talhadas a preceito.
    Desde o pastor que "abusava" das ovelhas, aos homens casados ou tal procurando, que iam escondidos *como se tal fosse possivel* para a parte "pecadora" da aldeia.
    Ruelas sinistras com chao de terra, sem funk nem rock, mas muito fado.
    O mesmo fado que acometia familias inteiras, mal nutridas, quanto mais lavadas e havia, infelizmente tantas.
    Uma casa houve mas claro que nao digo qual, embora pouco tempo atras tivesse passado em frente, casa bastante pobre cujos descendentes ostentam hoje para os grandes, esquecendo os que menos pobres, tirando do conforto, ajudaram a criar.
    Era assim Forninhos. Amigo e solidario com compaixao desinteressada.
    Talvez a casa das nefastas lombrigas e tudo mais...
    Mas duas dezenas de metros abaixo, metia pena o cenario. Avo, pai e mae mais a filharada.
    Miseria absoluta, vivendo da caridade de algo para comer, nem que fosse uma "mastiga". Milagre um bocado de unto, um pe de couves e umas cebolas ou batatas. Nem sequer tinham direito a terras para arrendar.
    A garotada, piolhos e dores de barriga, nao da fartura, concerteza. Maos cheias de frieiras do frio que a fogueira de lenha verde mal conseguia aquecer e cujas maos de unhas compridas esfolavam em frenesim ao ponto de ficarem em carne viva.
    O pai, estendido no catre, tossia a noite inteira com a mulher ao lado, os filhos aos pes e a sogra acomodada em mantas de farrapos.
    Era o catarro fruto dos mata ratos esbaforidos que fumava e de um pouco de cigarro mais fino quando lhe davam.
    Mais o figado, borras de vinho azedo e avinagrado era divino quando o apanhava.
    A mae, toda "arrebentada", era quem ia tocando as coisas de rosto baixo e maos enfiadas no roto avental quando passava pelas portas, "...pelos meus filhos...". Uma senhora que volta e meia ia levar clisteres laxantes para as dores de barriga, como se esta andasse a transbordar, eram os nervos da "filha da puta da vida".
    A avo, matreira, queixando e rezando, criticando tudo e todos, mesmo que os melhores bocdos de comida nao fossem para ela. Matreita, que assim viu partir na sua frente o genro e uma neta.
    E ainda fazia "rezas" contra maleitas...

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  18. Boa noite Paula, ainda sobre os brasões deixei uma notinha no "post" anterior!
    Sobre as maleitas era cada uma! Na minha terra faleceram algumas pessoas com tuberculose do tempo dos meus pais!
    Sobre as outras doenças praticamente ninguém escapava e apesar de já não ser nova;)) e ter levado algumas vacinas com um aninho apenas;)) - muitas vezes a minha mãe se referia a isto – tive tosse convulsa e sarampo ao mesmo tempo que ficava toda roxinha (ia morrendo) e depois as varicelas, anginas, papeira, nem se fala!
    Na minha zona havia uma doença a que se chamava sezões que será prima do paludismo e que causava muito mal-estar!
    No entanto já tenho pensado em como as pessoas que trabalhando tanto nos campos, molhando-se, sujeitas às várias intempéries como eram resistentes falecendo com muita idade! Penso que o segredo eram os bons ares e a alimentação que sendo pobre, era riquíssima, porque com poucas carnes mas muita hortaliça e legumes:))! Outros tempos! Beijinhos, Ailime

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  19. Pois é Ailime. Este 'post' fala de doenças e maleitas, sobretudo das que ainda estão na memória de muita gente da minha aldeia, mas poderia ter sido escrito à volta de qualquer outra aldeia portuguesa. Nestes tempos as doenças eram muito similares.
    Mas chamou-me a atenção a doença que referiu, chamada sezões; por momentos pensei na doença de pele cobrão ou zona, mas pelo que li, pesquisei, são doenças diferentes.
    Também já tenho pensado em como as pessoas que trabalhavam de sol a sol os campos, sujeitas a várias intempéries e não só. Bebiam água dos poços, poças e ribeiros. Na minha aldeia acho que até bebiam minério!
    Felizmente (ou não) tudo isto já não existe. Digo (felizmente ou não), porque os tempos que aqui recordamos eram difíceis, para os adultos e crianças, mas por outro lado, as nossas aldeias estavam cheias de gente.
    Beijos**

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