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domingo, 15 de janeiro de 2012

1916 - "Visão" das 2 Capelas de Forninhos

Aproveitando a data festiva de Santo Amaro, considerado patrono de doenças de ossos, principalmente das pernas, disponibilizo aqui mais um Documento com informação que julgo ser uma boa ajuda para conhecer e rever o que foi a visita às 2 (duas) Capelas de Forninhos, em Dezembro de 1916.


"1.ª Valagotes. Invocação de St.º António ou de Santo Amaro (?) Estado de conservação bom e paramentos impróprios para celebração de qualquer cerimónia religiosa.
2.ª Da N.ª S.ª dos Verdes. Em bom estado e com paramentos regulares.
Não há mais capelas quer públicas quer particulares não havendo também em qualquer delas relíquias. Ambas estas capelas são públicas.

Forninhos 10 de Dezembro de 1916

O pároco = José António Tavares de Pina."


Nota: É do conhecimento de alguns que, no altar, em uma tampa colocada sobre a pedra de ara, foi encontrado em 1984, um papel, escrito por D. José Moreira Pinto, que foi Bispo de Viseu a partir de 9 de Maio de 1928, datado de 7 de Julho de 1930, com um elogio às magníficas relíquias que ele terá visto, em visita à ermida de Nossa Senhora dos Verdes. Possivelmente à data de 10 de Dezembro de 1926, já existiam essas relíquias, mas o texto fala que não tinha quaisquer relíquias!

22 comentários:

  1. Embora Santo Amaro, seja provavelmente uma invocacao mais antiga que Santo Antonio, nao creio que a capela de Valagotes seja tao antiga que possamos aferir so pela sua antiguidade um ou outro patrono!
    Mesmo que a capela remonte a epoca medieval (o que duvido) Santo Antonio, que foi elevado a santidade, ja no seculo XIII, pode muito bem ser o patrono original desse templo.
    Ja agora uma pergunta existe nessa capela alguma imagem de Santo Amaro? E havendo e mais antiga que a de Santo Antonio?
    Essa capela ja aparece mencionada na memoria paroquial de 1758? e se sim com que invocacao?

    Sao mais questoes que opinioes, mas com elas respondidas, talvez possamos chegar a alguma conclusao!

    E tudo quanto neste momento me pode ocurrer, amiga Paula.

    Um abraco amigo d'algodres.

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  2. Escritos mais antigos referem a invocação de Santo António. Na memória paroquial de 1758, o padre cura deixou registado que já existiam as duas capelas. A seu ponto 23, percebe-se: “Tem uma capela de Nossa Senhora dos Verdes (…) tem mais uma capela de Santo António…dos Valagotes.”. E, tanto quanto sei, qualquer delas serão do Séc. XVII/XVIII, e acho que não existe ou existiu, ao tempo, imagem de Santo Amaro. Tudo indica que o pároco não soube distinguir a identidade do Santo (parece-me)!!

    Curioso é verificar que nos censos mandados fazer em 1527 a quinta dos Valagotes ainda não era povoada, sendo que outros lugares pequenos como a quinta das Aveleiras, da freguesia de Queiriz já contava com 3 moradores.

    Aquele abraço

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  3. A capela de Santo António dos Valagotes, é uma capela pequenina, situada no centro do povoado. Parece-me de construção bastante antiga, a porta em arco, estilo romano, tem marcas exteriores nas paredes, mas para mim, a maior curiosidade desta capela é o seu pequeno campanário sobre a parede lateral direita. (pode ser visto na pagina da Junta de Freguesia de Forninhos)
    O santo é pequeno e não tem qualquer parecença com as imagens de Santo Amaro, deve ter sido mesmo distraçao do padre que deu a informação, este mesmo pároco, na mesma data informa a capela de Colherinhas como invocação da Nª Sª das Neves, e, se não estou errado, se estou peço que me corrijam, esta capela é invocação da Senhora da Ouvida.

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  4. Em resultado da visita às 4 Capelas da freguesia de Dornelas, incluindo a de Santo António, o mesmo pároco, José António Tavares de Pina, relativamente à invocação do Santo não se interroga (?) e é de estranhar que na mesma data, 10 de Dezembro de 1916, visite 2 Capelas com invocação a Santo António e só numa delas coloca a hipótese de a invocação ser a Santo Amaro!
    A imagem vista no altar da Capela de Santo António de Dornelas difere muito da imagem do Santo dos Valagotes?

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  5. Eu sempre me lembro que o Santo da Capela dos Valogotes ser o Santo António, mas talvez noutros tempos fosse o Santo Amaro, isso eu não sei dizer.
    Da Capela da Senhora dos Verdes, o livro que eu tenho como afirma o Padre-cura Baltazar Dias diz assim:
    A cerca de um quilómetro da povoação de Forninhos, numa chã rodeada de pinhal, com um cruzeiro junto ao templo, ergue-se a linda Capela de Nossa Senhora dos Verdes, advogada dos frutos e das sementeiras, trata-se de uma Capelinha de invocação mariana, muito da devoção destas gentes, fazem-lhe duas festas anuais, na segunda-feira do Espírito Santo e em 15 de Agosto, o povo roga à Senhora que vele sobre os renovos agrícolas e os defenda da bicharada, das trovoadas e coriscos, a Capela de Forninhos tem decoração interiores, de talhe e pintura.
    Esta Capela pertence à paróquia de Forninhos, nos termos do art.º 25º do Decreto-Lei 20.985, de 7 de Março de 1932 aquele imóvel foi considerado do interesse público.
    Esta Capela foi restaurada em 1959.
    Uma outra ermida da Nossa Senhora dos Verdes ergue-se nos arredores de Manteigas.
    Ó Senhora dos Verdes, quem me dera
    A romagem da tua primavera
    Levar meu coração, nos floridos carreiros
    Por caminhos, e caminhos
    Soavam os ferrinhos, violas e pandeiros.

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  6. Boa noite.
    Estas duas Capelas, a de Forninhos NOSSA SENHORA DOS VERDES e a dos Valagotes SANTO ANTÓNIO, bem me lembro de já as ter visitado.
    Apenas tenho pena de não poder dizer muito sobre a sua História, pois não possuo manuscritos nem outros documentos que me elucidem sobre estes monumentos considerados de interesse Publico.
    A passagem transcrita por Maria Jorge, sempre a houvi recitar e é uma " lenda ou mito antigos"
    Um abraço.

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  7. Bom dia.
    Demorei 1 dia, mas consegui falar com alguém que tinha a informação pretendida. A Capela de Colherinhas tem a imagem da N. S. das Neves e muitos naturais desta povoação lembram-se fazer a festa religiosa a N. S. das Neves, com a celebração duma missa solene, sempre no dia 5 de Agosto (que é o dia de N. S. das Neves) e no 1.º Domingo após esse dia realizava-se a festa do povo, com o estalar dos foguetes e a Banda Filarmónica de Sezures, isto nos anos 40, 50 e, pelo menos, até 1967. Não se sabe bem porquê, mas podemos vir a saber, mudaram a invocação para Nossa Senhora do Ouvido.
    A festa a Santa Bárbara, de Dornelas, era realizada no dia 4 de Dezembro, depois foi mudada a data para o 3.º Domingo de Maio, e mais tarde, sem qualquer respeito pela Festa de N. Senhora das Neves, Colherinhas, passou a ser feito no 1.º Domingo de Agosto.
    Já agora:
    Se calhar este pároco não era assim tão distraído.

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  8. Boa tarde para todos.
    Pela Exma. Sra. Dra. Fátima Eusébio, diretora dos bens culturais da igreja, em visita recente á paroquia, acompanhada pele Sr. Padre, Sr. Presidente da Junta de Freguesia e Sra. professora Mariana, e que me deram a honra de também acompanhar, foi posta a hipótese por esta técnica superiora, de a maioria dos santos existentes, não serem os originais; sendo assim, é porque foram trocados nos restauros, ou não sei por quem,; de qualquer modo, os serafinsinhos, que eu não conheci mas tenho ouvido falar deles a pessoas que se lembram, esses desapareceram, parece, para sempre.

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  9. Boa noite.
    Segundo informações colhidas, devo dizer que em apreço aos ditos SERAFINZINHOS, estes sempre estiveram na Capela de Nossa Senhora dos verdes.
    Dizem que estes terão sido levados desta capela, talvez na altura em que Forninhos tinha como pároco o Sr. Padre Virgílio ( Colherinhas? ).
    Padre este que penso veio a falecer em Fátima onde deve estar sepultado.
    Nada é figdigno, mas são rumores, talvez mitos, que se houvem.
    Quem mais souber que diga; Onde para essas pequenas imagens?
    Pertença da Nossa ainda Freguesia de Forninhos.
    Abraço

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  10. So queria dar mais uma pequena achega a esta entrada; quando esse padre refere que nao havia reliquias, creio que se refere a reliquias de santos, que muitos templos tem ou tinham. Eram pedacos de osso ou de roupa usada por santos, muitas vezes estas reliquias eram datadas da idade media. Essas reliquias eram colocadas em relicarios, normalmente de ouro ou prata, mas em muitos casos tambem em madeira dourada, que eram levados em procissao debaixo do palio.
    Ate a bem pouco tempo, existia uma dessa reliquias em Fornos de Algodres, que me lembra do Abade Luis de Lemos se lhe referir, era um pedacinho minusculo do "Santo Lenho" (a cruz onde se cre Cristo foi crucificado).

    Um abraco amigo d'Algodres.

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  11. Mais uma pergunta; alguem pode colocar uma fotografia do Santo Antonio de Valagotes aqui, para podermos fazer alguma observacao melhor?

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  12. Deus lhe pague por este conjunto de informações. Longe de mim pensar nesse tipo de relíquia! Hoje aprendi mais umas coisas e percebi que vale a pena continuar a divulgar a nossa história.
    Sei muito pouco sobre o Santo António de Valagotes e do que existira no interior da Capela.
    As marcas exteriores, creio que representam as cruzes da via-sacra contendo a simbologia do calvário, na fachada.
    Para um melhor esclarecimento só visualizando o Santo ou uma fotografia, mas como há muita gente interessada em ler e poucas interessadas em colaborar…o mais certo é a observação ter de ficar para um futuro post.

    Um abraço

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  13. Entao ca ficamos a espera de novas fotografias tanto da imagem de Santo Antonio, como da propria capela!

    Um abraco.

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  14. Ja vi que colocaram uma fotografia da capela de Sto. Antonio de Valagotes!
    Embora a fotografia seja em ponto pequeno, o portal aparenta ser romanico, o que nos atiraria a fundacao pelo menos para os finais da epoca medieval.
    Como a povoacao ou quinta de Valagotes nao aparece documentada em 1527, isto por si so, nao quer dizer, que a capela ou ermida nao existisse antes dessa altura!

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  15. Penso que ainda existe muito do templo original, mas há quem diga que a mesma ainda não existia no Séc. XVII, e terá a mesma idade que a Capela de Nossa Senhora dos Verdes, i.é., cerca de 300 anos, apesar de não me ter sido possível verificar a autenticidade desta informação.
    O santo é que pode não ser desses primitivos tempos, o que não é de estranhar! Estranho é, em 1916, o pároco pôr a hipótese da invocação ser a Santo Amaro (?)!!

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  16. Fazendo assim uma observacao ligeira a fotografia, quer me parecer ser mais antiga do que o seculo XVII, mas posso estar errado!

    Um abraco.

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  17. A observação exterior (o portal em arco, com a moldura composta pelas aduelas do arco, as cruzes) permite concluir que se trata de uma capela mais antiga, mas creio que não o é. No entanto, posso também eu estar errada.
    É que sobre esta capelinha a monografia do nosso concelho nada refere e o Sr. Pe. Luís Lemos que me parece ter feito um retrato bem fiel das antigas paróquias do concelho de Penaverde, de igual modo não lhe faz referência. Isto pode ser um indicador e pode não ser.

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  18. Será que também esta capela de Santo António foi esquecida como a de S. Torcato de Dornelas?
    Talvez não, as capelas erigidas em ermos, normalmente não tinham sinos, a da Sª dos Verdes não tem. Nesta foi colocado um pequeno campanário, com a curiosidade de estar apoiado numa parede lateral, possivelmente por comodidade e estar o sino mais perto do chão, uma vez que o desnível deste lado é favorável, sendo assim, ao colocarem um sino é porque o povoado já existia, será assim? Pode ser uma hipótese.

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  19. O pedido para a criação da capela pode até ter surgido da parte de um particular, alegando a necessidade dos habitantes aqui assistirem à missa e o sino bem sabemos que sempre teve, como ainda tem, uma papel muito importante na vida das aldeias, é o sino que mobiliza as pessoas para diversos actos, não só os relacionados com as cerimónias religiosas, como também aqueles que apelam ao socorro, como nos fogos/incêndios, anuncia uma morte, há anos atrás indicava o tempo quotidiano, ao meio-dia quando se ouvia o toque do Anjo e à tardinha, às 7 da tarde o toque das Trindades, nos trabalhos os homens tiravam o chapéu e largavam a ferramenta, toda a gente parava para rezar.
    O povo dos Valagotes deve ter a sua história, tem o seu património material e imaterial, só que tudo se perderá se não houver quem se interesse. A verdade é que pouco se conhece da história desta povoação. A própria monografia do concelho fez tábua rasa aos Valagotes.

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  20. Gostaria de ajudar, mas são escassos os conhecimento sobre estas lindas capelas.
    Mas seria de bom que nos informassem da origem destas capelas, por quem foram mandadas construir, Bem sabemos que na Capela de Nossa Senhora dos Verdes, em tempos houve uma grande peregrinação e que talvez Nossa Senhora dos verdes tenha feito um Milagre, isto na altura das pragas.
    Talvez os grandes Senhores da época, as tenham mandado construir.

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  21. Boa noite, é pena ver que os santos dessas capelas vão sendo levadasdos seus lugares, uns por mão alheias outros por quem tem o dever de cuidar e depois não voltar a colocar no lugar, todo isto porque se verifica uma forte procura de arte sacra por parte de coleccionadores, que pagam autênticas fortunas por este tipo de arte.
    Não foram acauteladas em tempo util agora restam as recordações dos mais antigos, um pedaço de história de um povo que se perdeu, hoje os que se encontram nas capelas são réplicas dos óriginais, mesmo assim as capelas e ermidas continuam a ter a sua beleza.

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  22. Só damos valor às coisas quando as "perdemos".
    Só sei que as peças, imagens, se não tivessem um valor incalculável não eram “levadas” e oxalá a que voltou não volte a ser "levada".

    Aproveito para alertar só um facto: todos devemos ter mais cuidado na divulgação das imagens da nossa terra, porque podemos estar a fornecer informação a ladrões. Se bem que algumas “levadas” da nossa Capela e Igreja, segundo consta, foi com a intervenção do Clero.

    Deixo-vos aqui um Site importante:
    http://www.igrejasegura.com.pt/

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