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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mezinhas de Outros Tempos

Até a um passado muito recente, nas aldeias era habitual o uso de mezinhas e rezas para cura dos males. Como é sabido, em Forninhos, o acesso a médicos e a medicamentos era muito difícil e praticamente inexistente. Com frequência, algumas pessoas mais experientes e expeditas exerciam certas práticas médicas e recorriam àquilo que a natureza dava, bem como a crenças religiosas e pagãs. O conhecimento passava de geração em geração. No entanto, algum deste conhecimento perdeu-se, fruto de hoje em dia, felizmente, existir melhor acesso a médicos e a medicamentos. Deste modo, para que fique gravado na nossa memória colectiva, pensei ser importante deixar registado o conhecimento que me foi, até hoje, transmitido por familiares.

Nervos: beber chá de tília;
Estômago: para facilitar a digestão pode beber-se chá de cidreira;
Rouquidão: ferver casca de cebola com açúcar e mel;
Picada das Abelhas: encostar um objecto de metal (faca) à picada;
Treçolho: colocar uma aliança de casamento benzida em cima do olho e rezar três vezes: “treçolho, treçolho, passa para aquele olho” .

Muitos de vós terão certamente mais informação a acrescentar a esta minha recolha; é só uma questão de avivarem a memória, pois mesmo na actualidade recorremos frequentemente a algumas mezinhas sem darmos conta. Então…vamos lá a isso, pode ser? Sei que há quem aprecie estas coisas, por isso vou partilhar também uma crendice popular que é costume ouvir Forninhos. Pois bem, quando dá comichão nos ouvidos quer dizer que o tempo vai mudar, digo, vai chover. O "bicho do ouvido" mexe...zás...muda o tempo! 

15 comentários:

  1. Olá a todos.

    Para alem das mesinhas também havia as superstições, lembro-me por exemplo, quando se pedia lume entre vizinhas, que era transportado com uma pinha acesa, não se podia fazer quando havia bebes em casa, assim como pedir sal, práticas muito usadas também em forninhos.

    Um abraço a todos.

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  2. Olà a todos,
    Bom Paula, quanto à digestão sabes muito bem que os antigos não tomavam chà nenhum mas sim um copinho de agua ardente.
    Para curar uma ressaca, logo de manha nada melhor que uma cerveja fresquinha!hé hé!!
    Beijos e abraços a todos!!

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  3. Olà Paula,
    Vou deixar aqui algumas sugestões que conheço:
    Tensão Alta: ferver erva-cidreira e folhas de oliveira
    Tensão Baixa: ferver giestas, coar e beber
    Rins: ferver flor de tojo e carqueja, coar e beber
    Dentes: para a inflamação, bochechar aguardente
    Dor de garganta: sumo de limão com mel
    Xau, beijinhos para todos!!

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  4. Eu confesso que não ligo mto a crendices, mas ainda este último Verão tive um problema num pé, fui ao hospital e apesar dos comprimidos e pomada, nada me resolveu...em Forninhos fui a casa de uma Sra. que me rezou ao aberto, 3 vezes, e o certo é que passou!

    Também confesso que bato na madeira para que nada de mau me aconteça ou aos que estão por perto!

    Dizem que tenho boa memória, pelo facto de não comer queijo, será?

    Quanto às plantas medicinais eram efectivamente muito importantes nas vidas das pessoas e não é por acaso que até faziam parte do reportório das cantigas.

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  5. Pode até ser crendisses, mas algumas resultam... é como o chá de sabugueiro para as constipações, dizem k ñ há coisa melhor.É como as rezas, mau olhado , pessonha,herpes etc...Só é pena k muitas das pessoas k as sabem ñ as keiram ensinar.

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  6. eu tenho o costume de não colocar a minha mala no chão pois dizem que faz desaparecer o dinheiro, quando vou comer fora costumo sempre pendurá-la na cadeira.

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  7. É verdade Augustinha, é mesmo uma pena que as pessoas façam tanto segredo dessas rezas ou benzas e não as ensinem. Algumas dessas pessoas até escondem que o sabem fazer porque dizem que depois são chamadas de "bruxas" ou "feiticeiras".

    Há bem pouco tempo fiquei a saber que comer uma maçã do bravo de esmolfe também ajuda a facilitar a digestão.

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  8. Olá a todos.
    Mazelas, superstições, crenças, lendas etc., tudo faz parte da nossa história, e se olharmos para nós, todos temos um pouquinho destas coisas, por isso é bom falarmos sem tabus daquilo que pensamos sobre qualquer que seja o assunto.
    Já agora, não quero deixar de dar uma receita para a gripe que se usava no meu tempo; era uma boa malga de chá de parreira fervido com açúcar tomado ao deitar da cama, era remédio santo.
    Também havia (este é a sério) as ventosas, muita gente desconhece o que são ventosas, mas eu explico, porque mas puseram para curar uma pneumonia, são uns copos ovalisados normalmente era uma dúzia, pegavam num pouco de algodão embebido em álcool, incendiavam, metiam dentro do copo e colocavam na pele onde se encontrava a maleita, no meu caso foi nas costas porque se tratava dos pulmões, o algodão apagava-se com a falta de oxigénio por isso não queimava muito e o mal era sugado, o certo é que passou.
    Estas terapias alternativas já eram utilizadas pelos chineses para cura de tuberculose e doenças pulmonares.
    Também se usava as sanguessugas, mas essas só as conheço porque as encontrei agarradas numa perna quando tomava banho no rio.

    Um abraço a todos.

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  9. E quem nunca ouviu dizer que não devemos matar aranhiços pequenos porque são sinal de dinheiro?

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  10. =BENZEDURA CONTRA QUEBRANTO=

    "Deus te remiu

    Deus te criou

    Deus te livre

    De quem para ti mal olhou.

    Em nome do Pai,do Filho e Espirito Santo.

    Virgem do Pranto,

    Tirai este quebranto."

    Dizer a oraçao 3 vezes.

    A seguir fazer o ritual do azeite: ponha um pouquinho de azeite numa taça, molhe um dedo no mesmo e deixe cair 5 pingos num prato com agua. Se o azeite se espalha: existe quebranto.
    Repita a benzedura, quantas vezes necessario, ate que os pingos do azeite nao se desfaçam.

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  11. Reza ao Aberto

    (Nome da pessoa) Que tiveste tu no teu pé direito/esquerdo, se foi aberto ou torcido ou rendido ou partido ou deslocado ou esforçado ou nervos tortos ou rendidos ou torcidos.

    Aqui to coso em louvor de São Furtuoso e de Nossa Senhora e de Nosso Senhor que tu ponha no seu posto como dantes era.

    Modo de fazer:

    Ferver água num panelo de barro (de preferência aquececida ao lume) e quando estiver a ferver virá-la numa bacia, e colocar o panelo de patas para cima na bacia, por cima do panelo e em cruz colocar uma tesoura e um pente.

    Ao mesmo tempo que se vai dizendo a reza coze-se num novelo com uma agulha enfiada em linha sem nó.

    No final reza-se 3 vezes um Pai Nosso , uma Ave Maria e uma Glória.

    Isto é feito por 3 vezes e nesse período não se pode lavar o pé ou a mão, conforme o caso.

    Eu passei por esta experiência este ano e fiquei impressionada com este processo, pois a água da bacia vai-se evaporando para dentro do panelo. Ah! Esta água é guardada também por 3 dias.

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  12. Isto foi-me feito em criança para desembaçar, (diziam...), por uma senhora no sitio do Lugar, se bem me lembro, qualquer coisa Pincha.

    Oraçao: (nome da criança)

    Se tem o ventre caido
    Com a graça de Deus
    Te seja erguido.
    Se tens o baço virado
    Que va ao seu lugar

    Deita-se a criança de barriga para baixo, no regaço da pessoa que esta a erguer o ventre. Unem-se as pernas da criança, e se nao ficarem do mesmo cumprimento, medido pela covinha da perna, sera sinal de que tem o ventre caido.

    A reza começa com o nome da pessoa doente, a criança. Enquanto se faz a reza, com o dedo molhado no azeite, que esta propositadamente entornado no cu de uma malga, fazem-se tantas cruzes como o tempo que leva a dizer a reza nas duas covinhas das pernas e nas costas. Cada vez que se reza e se fazem as cruzes, a criança e posta na vertical, de cabeça para baixo, e dao-se-lhe umas palmadinhas nos pes para acertar as pernas.

    A oraçao repete-se 3 vezes com o doente nesta posiçao, rezando 1 Pai-Nosso e 1 Ave-Maria no fim de cada vez.

    Voltado o doente de barriga para cima, e-lhe feita a mesma coisa mas no umbigo, e o mesmo numero de vezes. Por fim, o resto do azeite que esta no cu da malga e entornado na barriga e com a mao aberta fazem-se massagens de baixo para cima, so na zona do umbigoe sempre na mesma direcçao. Espalhado todo o azeite, coloca-se uma moeda no umbigo do doente, apertando com uma fralda de tecido branco. No dia seguinte repete-se a operaçao, e isto durante 3 dias seguidos.

    ATENÇAO: NAO DOU CONSULTAS!!!!!

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  13. Também em criança passei pelo desembaço. Quem me rezou foi a tia Raquel. São este tipo de experiências que ficam para sempre na nossa memória.Aliás já passei por 3 tipos de rezas:

    1. Desembaço
    2. Pessonha
    3. Aberto

    Também já vi/ouvi rezar ao mau-olhado, tudo em Forninhos e por mulheres-forninhenses.

    Acho que o Xico é o único homem-forninhense que percebe destas rezas hehehe

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  14. Obviamente que as Mezinhas nao se cingem a "receitas" como algumas aqui colocadas, quase a roçar a "feitiçaria".
    O termo tem uma abrangencia mais lata e pode-se afirmar que o habito de recorrer as virtudes terapeuticas de certos vegetais se trata de uma das primeiras manifestaçoes do antiquissimo esforço do homem para compreender e utilizar a natureza,derivado de uma das suas mais antigas preocupaçoes: a originada pela doença e do sofrimento resultante.

    Torna-se de facto admiravel que em todos os continentes, todas as civilizaçoes tenham desenvolvido, a par da domesticaçao e da cultura das plantas para extraçao de alimento, a pesquisa das suas virtudes curativas e que este conjunto de conhecimentos tenha subsistido durante milenios, aprofundando-se e diversificando-se, ate aos nossos dias.

    Nesta quadra natalicia, em que muitos se deslocam a Forninhos (tambem penso ir...), seria uma optima oportunidade para junto de familiares, amigos e conhecidos, começarmos a fazer uma compilaçao de receitas simples de plantas medicinais que se encontramfacilmente nos campos, ervanarias, nos ingredientes culinarios ou nos n/jardins, para resolver pequenos problemas do nosso dia-a-dia, como por exemplo constipaçoes, queda de cabelo, insonias, etc...
    Afinal, faz parte da n/riqueza cultural e ancestral.

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  15. Na minha aldeia existem muitas benzas também e lembro-me de uma que foi-me feita em criança -tenho 63 anos- onde se espalhava pedras de sal no corpo acho que para cortar o mau-olhado.

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