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domingo, 13 de novembro de 2011

A "Casa do Sr. Amaral"

Forninhos era uma terra rica, que se vivia bem? Hoje respondo: acho que não, caso contrário não tinha havido tanta emigração e nem tanta migração para outras zonas do país. Mas cresci convencida que havia terras piores, com mais percentagem de famílias pobres e bem menos famílias a viverem bastante bem.

A 'Casa'

É hoje conhecida como "Casa das Camélias" (da Beira), embora a gente antiga continue a chamar-lhe a "Casa do Sr. Amaral". Sobre esta casa há que dizer, pelo menos, que muita gente da terra e ranchos de "gente de fora" * para esta casa trabalhou, sempre com ordenados baixinhos, como era norma nessa época. Parte do trabalho também era pago em géneros, um pouco do produto agrícola em causa, cereal/ou/farinha, azeite, etc..., mas era uma casa que dava trabalho: na limpeza dos pinhais, nas vindimas, na azeitona, nas sementeiras, em geral. Havia sempre trabalhadores de Forninhos a trabalhar para o Sr. Amaral. Ah! tinha pastagens, rebanhos e vendia queijos de ovelha e dava a cultivar, de renda, algumas das suas terras.
A pessoa do Sr. Amaral era, segundo dizem, simpática, conversadora, culta, educada. Imagino que fosse um homem muito moderno para a altura.

O 'Armazém'

O "Armazém" foi já construído pelo Sr. Octacílio Amaral no Séc. XX, com a finalidade de armazenar o vinho, em grande pipas e em grandes tulhas, o cereal. No interior deste "Armazém" havia grandes lagares onde os trabalhadores pisavam o vinho. Era assim, mas parece que já não é.
Em Forninhos, o Sr. Amaral era o único patrão que tocava uma corneta para iniciar os trabalhos e na hora do jantar (hoje almoço) tocava novamente a corneta para um familiar do seu trabalhador ir buscar ao "Armazém" água pé. Principal razão: a água pé por ser um vinho mais fraco, menos alcoólico, podia beber-se em maior quantidade e era o que geralmente os trabalhadores consumiam no trabalho do dia a dia e também às refeições.

* A expressão "gente de fora" emprega-se quando alguém mete trabalhadores assalariados por um dia ou mais. Podem até ser da terra, mas visto não serem de casa, chamam-se "gente de fora".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Do Baú, Magusto da Catequese


Faz hoje dois anos que iniciei a publicação dum novo blog e pensei que seria justo, em altura de magustos, mostrar aos meus leitores/seguidores uma imagem captada há muitas décadas, quando os magustos da catequese aconteciam na lage da poupeira.
O fotógrafo que se esmerou para captar o acontecimento, sem querer, eternizou um quadro verdadeiramente impressionante e que para os mais novos não deixa de provocar uma profunda sensação de espanto. A comparação com a realidade actual é o testemunho que a nossa terra, por um lado, não parou no tempo (toda a zona que circunda a ex-escola primária mudou); por outro, a aldeia despovoou-se e, cada vez mais, tem menos crianças.
Porque para compreender o presente é preciso conhecer o passado, iniciamos o 3.º ano do blog com a publicação de mais uma foto que retrata o Forninhos de antigamente.

OBRIGADA A TODOS OS MEUS LEITORES QUE TÊM A GENTILEZA DE VISITAR FORNINHOS NESTE ESPAÇO. É COM SATISFAÇÃO QUE CONSTATO QUE ESTE BLOG ATINGIU AS 83.200 VISUALIZAÇÕES. OBRIGADA A TODOS OS QUE CONTRIBUÍRAM PARA ESTE NÚMERO!

domingo, 6 de novembro de 2011

Memórias de outros tempos: As Excursões II

Sempre houve pessoas que por sua iniciativa organizavam visitas a terras de Portugal (o estrangeiro era impossível) e era ver grupos de aldeões a visitarem geralmente o Norte do País, vestidos com o seu fato domingueiro e melhor calçado...com cestas e alcofas em palhinha onde ia o farnel que daria para toda a excursão...os homens levavam uns tantos garrafões de vinho...eram obrigatórios! Há algumas fotos destes grupos. O Post de hoje mostra precisamente um desses grupos, na década de 60, numa visita a Santa Luzia, em Viana do Castelo:

Quem são as pessoas?

E o que mudou na vida destas pessoas?

A realização de excursões hoje poderá não ter tanta importância, mas no Forninhos de antigamente era a única forma de algumas pessoas conhecer outros lugares.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FICA PEDRA SOBRE PEDRA

Aqui fica a foto reportagem da freguesia de Forninhos, para os que não tiveram a sorte de obter a revista do Jornal Correio da Manhã, do dia 07 de Setembro de 2008, ver:


























terça-feira, 1 de novembro de 2011

Memória de um Dia Memorável

Em tempos não muito antigos, um jornalista foi à descoberta da nossa terra, conhecer a sua história e cultura (com direito a foto-reportagem). Recordamos neste Post um dia que foi certamente memorável para os habitantes que viveram esta visita:

O Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Forninhos, rodeado do tio Domingos, tio Leonel (pastores da nossa aldeia) e outros populares, concedeu uma entrevista onde deu uma visão da grandeza da nossa aldeia (não tenho a certeza, mas penso que depois foi publicada nas páginas do Jornal da Guarda).

O jornalista fala com a tia Natividade, ao tempo, a pessoa mais velha da aldeia, porque para melhor conhecer a nossa história é preciso ouvir quem ali nasceu e cresceu... que tanto têm para contar.
Como é perceptível, Forninhos esteve desde sempre na "crista da onda", simplesmente porque é uma aldeia com uma identidade própria, com passado, usos e costumes e um sem número de pequenas especificidades que lhe emprestam um carácter e encanto únicos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A carreta-fúnebre

"carreta funerária"

A freguesia de Forninhos é composta pela localidade dos Valagotes e como nesta localidade não há Cemitério, no princípio da década de 80, já no tempo do Sr. Pe. Flor, foi feito um peditório ao povo para se comprar uma carreta fúnebre para ser utilizada, principalmente, no transporte dos mortos dos Valagotes, pois nessa altura as agências funerárias contar-se-iam pelos dedos de uma mão e...sobrariam dedos.
A compra da carreta foi uma prova de modernidade e fez um vistão quando apareceu pela primeira vez, faz também parte da nossa história que é bom mostrar e lembrar para não esquecer.