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domingo, 13 de novembro de 2011

A "Casa do Sr. Amaral"

Forninhos era uma terra rica, que se vivia bem? Hoje respondo: acho que não, caso contrário não tinha havido tanta emigração e nem tanta migração para outras zonas do país. Mas cresci convencida que havia terras piores, com mais percentagem de famílias pobres e bem menos famílias a viverem bastante bem.

A 'Casa'

É hoje conhecida como "Casa das Camélias" (da Beira), embora a gente antiga continue a chamar-lhe a "Casa do Sr. Amaral". Sobre esta casa há que dizer, pelo menos, que muita gente da terra e ranchos de "gente de fora" * para esta casa trabalhou, sempre com ordenados baixinhos, como era norma nessa época. Parte do trabalho também era pago em géneros, um pouco do produto agrícola em causa, cereal/ou/farinha, azeite, etc..., mas era uma casa que dava trabalho: na limpeza dos pinhais, nas vindimas, na azeitona, nas sementeiras, em geral. Havia sempre trabalhadores de Forninhos a trabalhar para o Sr. Amaral. Ah! tinha pastagens, rebanhos e vendia queijos de ovelha e dava a cultivar, de renda, algumas das suas terras.
A pessoa do Sr. Amaral era, segundo dizem, simpática, conversadora, culta, educada. Imagino que fosse um homem muito moderno para a altura.

O 'Armazém'

O "Armazém" foi já construído pelo Sr. Octacílio Amaral no Séc. XX, com a finalidade de armazenar o vinho, em grande pipas e em grandes tulhas, o cereal. No interior deste "Armazém" havia grandes lagares onde os trabalhadores pisavam o vinho. Era assim, mas parece que já não é.
Em Forninhos, o Sr. Amaral era o único patrão que tocava uma corneta para iniciar os trabalhos e na hora do jantar (hoje almoço) tocava novamente a corneta para um familiar do seu trabalhador ir buscar ao "Armazém" água pé. Principal razão: a água pé por ser um vinho mais fraco, menos alcoólico, podia beber-se em maior quantidade e era o que geralmente os trabalhadores consumiam no trabalho do dia a dia e também às refeições.

* A expressão "gente de fora" emprega-se quando alguém mete trabalhadores assalariados por um dia ou mais. Podem até ser da terra, mas visto não serem de casa, chamam-se "gente de fora".

31 comentários:

  1. Paula, viajei sem sair daqui..rsrsrsrs
    Adoro ler vc.
    Bjs e bom final de semana.

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  2. Obrigada Rose. Fico muito contente por gostar de me ler. Em cada Post procuro trazer ao conhecimento de todos quantos me lêem coisas do passado e tento descrevê-las da forma como melhor sei.
    Os terrenos cultivados pela Casa do Sr. Amaral geravam boa parte da riqueza da minha aldeia e os terrenos que dava a cultivar, de renda, eram a base alimentar de muitas famílias.
    Trago aqui hoje a referência ao Sr. Octacílio Amaral, maior produtor desta terra, porque bem sei que ainda há gente que ignora o seu papel na nossa região.

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  3. Era assim mesmo e esses rituais aconteciam em quase todas as aldeias da nossa Beira.
    Na minha aldeia natal (Vila Cha) embora mais pequena, que Forninhos, havia nos meus tempos de crianca pelo menos tres casas desse genero que davam trabalho todo o ano e, tinham varios rendeiros, para alem desses havia mais umas duas ou tres que tambem davam trabalho mais pelas alturas das sementeitas e colheitas.
    E esta e a razao porque para ca vieram residir algumas familias da "Terra Fria" (Penaverde), que se nao fossem eles se calhar ja nem chegariam a 50 os habitantes desta aldeia nesta altura.

    Um abraco de amizade.

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  4. Muito bom dia para todos.
    Conheci a senhora Prazeres num dia que lá fui comprar azeite, creio que em 1975, o azeite foi tirado pela criada (creio que se chamava Rosária) despertou-me a curiosidade porque o azeite foi tirado de uma grande pia de granito com uma tampa de madeira.
    O Sr. Amaral, conheci-o e cruzei-me com ele várias vezes em Viseu, para onde foi morar após a decadência desta casa, estes senhores eram donos de uma grande fortuna também em Açores, localidade situada entre Celorico da Beira e Guarda, mas é de Forninhos que falamos.
    No dizer dos mais velhos, esta casa era o centro da vida agrícola da aldeia, dava trabalho não só aos naturais, como ainda vinham ranchos de gente de fora, dizem que naquele tempo, o forno era aceso quase todos os dias, tinha uns largos hectares de vinha, muitas oliveiras e muitas pastagens.
    Esta casa contribuiu sem dúvida, para o sustento e crescimento desta aldeia,
    Também aqui, há famílias que se radicaram cá por terem vindo noutros tempos trabalhar para esta casa, tal como em Vila chã, como alcardoso nos dá conta no seu comentário.
    Hoje vemos na entrada desta casa uma placa que diz: CASA DAS CAMELIAS – TURISMO RURAL.

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  5. Esta é uma Casa com muitas décadas e que está situada no centro da aldeia de Forninhos. Pertenceu durante décadas à família materna da Senhora Prazeres…o seu pai, o Sr. Pompeu, era de Açores. Sempre fiquei admirada com o seu jardim, pois existem palmeiras e muitas cameleiras, qual delas a mais bonita.
    Muitas casas deste género ainda hoje são habitadas por gente de “raiz” e as suas propriedades, vinhas, olivais, pomares, etc. mantém-se na posse da família primitiva, mas tanto os terrenos desta família, como a Casa (recuperada para Turismo Rural) tudo foi vendido a terceiros, pelo que não existem quaisquer laços afectivos por parte dos novos proprietários. Se tudo tem ficado na família, quem sabe se, esta casa que foi noutro tempo o motor de desenvolvimento desta pequena aldeia, ainda hoje podia manter esse estatuto?
    Do meu tempo tenho mais lembrança das vindimas e da apanha das avelãs (onde ainda dei um dia “para fora”, na Portela). Tanto a vinha da Portela (que acho que era a maior), como as outras, todas foram saibradas com picareta, pá e enxada, de facto, muita gente trabalhou nas vinhas e na cultura do milho e outras, mas a agricultura intensiva já foi, agora estamos na era do quanto menos melhor. A Quinta de Santa Maria ainda hoje mete diariamente “gente de fora”, mas deve ser a única.
    Forninhos era/é uma aldeia pequena, no entanto, se calhar é a aldeia onde houve mais pessoas a tirar proveito pessoal dos cursos subsidiados e projectos na área do turismo e agricultura.

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  6. Boa noite:
    A casa do senhor Amaral foi a casa mais rica de Forninhos, deu trabalho a muitas famílias.
    Aquele jardim grande e bonito, com as cameleiras floridas era um jardim digno de se ver, as palmeiras davam um fruto que nós partia-mos com uma pedra e comia-mos o que estava no interior, chamávamos-lhe medronhos.
    Como diz a Paula eu também andei na apanha das avelãs, como eram apanhadas no mês de Setembro e ainda estávamos de férias da escola, lá ia a garotada toda para a portela, levávamos o almoço e passava-mos lá o dia, quando fomos receber o dinheiro e entramos na cozinha para mim foi um privilégio pois nunca tinha visto uma cozinha tão grande, nem uma mesa com um grande tampo em mármore.
    O armazém tinha umas dornas e uns lagares em pedra muito grandes, como eu ainda era uma criança sentia muito medo ao ver aquilo.
    È pena hoje em Forninhos não haver outro senhor Amaral para as pessoas terem mais trabalho.

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  7. Boa noite.
    Sempre me recordo da Srª Prazeres e do Sr. Amaral, melhor recordo aquele homem, que se sentava na mesa da cozinha e com um grande maço de notas á sua frente, e coadjuvado pelo Manel do Rancho, ali se efectuavam os pagamentos a quem para si trabalhava. Isto de tempos a tempos, pois por vezes era necessário esperar alguns meses para que nos fosse pago a apanha das Avelãs e as vindimas.

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  8. É verdade, Maria, aquela grande mesa de mármore, como atrás referi, com tanto dinheiro e a nos pouco cabia; eram os velhos tempos.
    Mas a verdade é que esse Senhor, nesses tempos dava trabalho a velhos e a novos; era pouco o dinheiro, mas para uma casa de família, já era uma grande ajuda.
    Histórias que eu tenho, nesses trabalhos, já antes comentei algumas dessas histórias, mas de uma coisa todos temos uma certeza, esta casa de ricos sempre ajudou os Forninhenses.

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  9. A Casa do Sr. Amaral não tinha brasão, mas guarda (ou melhor, guardava) entre as suas paredes muitas histórias de um Forninhos que já não existe, contudo nem a “Casa das Camélias da Beira”, representada pelos seus sócios, nem os representantes do Estado Português lhe deram, a meu ver, o destino que merecia. Para mim nunca ficou muito claro o que se quis ou queria ali fazer!
    Mas concentremos, por ora, a atenção na "Casa do Sr. Amaral". Quando a Sra. Prazeres já estava doente foi quando entrei na cozinha pela primeira vez (e última); fiquei na companhia da Rosária, a criada, naquela cozinha enorme, enquanto a minha mãe subiu umas escadas de acesso ao 1.º andar, quarto da Senhora, para lhe dar uma injecção e permanece no meu imaginário como seria aquela Casa…mas era o jardim que me fascinava. Também lá entrei algumas vezes para apanhar medronhos e uma vez, vésperas de Páscoa, para apanhar flores para a Igreja. Fui lá com a Céu Guerrilha (nesse ano éramos nós que enfeitávamos a Igreja) e com a ajuda e permissão da Rosaria subimos a uma Cerdeira florida (esta não dava cerejas), tinha uma flor cor-de-rosa lindíssima e perfumada. Lembro-me que enfeitamos todos os altares com essa bonita e perfumada flor nesse Domingo de Páscoa a Igreja ficou muitíssimo linda!!! Esta Cerdeira já não existe naquele jardim, nem uma roseira que dava rosas de Santa Teresinha que perfumava o caminho e também já não existe a romãzeira, cujo fruto era raro de se ver, na altura, na nossa terra.
    Homens como o Sr. Amaral que deram trabalho a novos e mais velhos são raros, mas já seria bom a nova “Casa do Sr. Amaral” hoje manter actividade.

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  10. Boa tarde.
    Tanta historia que esta casa deve encerrar, pena que os que as viveram não nos as venham aqui contar.
    Histórias lindas, bizarras e pitorescas, mas tudo faz parte da vida, e possivelmente, ainda há muita gente viva que as pode contar.
    Casas como esta, marcaram uma época, com muito trabalho é certo, mas pagavam o seu salário.
    Como em cima nos diz serip, ainda lá trabalhou, e este Sr. ainda é novo, mas há por cá ainda muitas pessoas de idade avançado que nos podem contar as histórias da casa do Sr. Amaral. Eu não posso, conheci esta casa após a decadência e não passei a minha juventude em forninhos, no entanto, ainda tenho um pouco de ligação a esta casa, comprei e restaurei uma parte do complexo habitacional da parte de trás, onde moravam os criados, e segundo os mais antigos, onde funcionou a escola numa das salas e mais tarde a casa da juventude, isto, uma pequena parte da “Casa do Sr. Amaral”

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  11. Boa noite amigos.
    É com agrado que verifico o quanto agradável é falar desta casa.
    Muito se pode dizer desta casa, seus habitantes, como anteriormente já referi, e sou muito novo, conheci todos os que ali trabalharam nos anos 70/80.
    Sim, e sei que muitos dos nossos Cidadãos mais velhos, hoje se lhes fosse perguntado algo sobre esta casa, muitas recordações teriam para divulgar; claro umas boas e outras menos boas, nem tudo o que nós vemos ou conhecemos hoje, foram de boas recordações.

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  12. Histórias daquela casa, sempre ouvi: em tempos vinham pessoas de fora, penso que algumas de bastante longe desta Aldeia, que vinham em " rancho" e que permaneciam nesta magnífica terra, assalariadas, para tratar as terras do Sr Amaral.
    Entre elas, veio uma família, que dando-se bem nesta terra por ali terá ficado e criado raízes, e os seus descendentes; Pois, à muitos anos que conheço o Senhor Manuel " do Rancho", que por ali ficou até hoje.
    E com bons resultados.

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  13. Por se falar atrás na “Casa da Juventude”, duas ou três palavras explicativas. Era aí que se faziam as reuniões da JAC (Juventude de Acção Católica) e há ainda pessoas, hoje seniores, que fizeram parte da JAC e que assistiam a essas reuniões. Por esta altura, o Sr. Octacílio e Sra. Prazeres não viviam em Forninhos. Alguns anos mais tarde, quando fixam residência em Forninhos, é que esta casa anexa à casa principal, viria a ser a residência da família do feitor do rancho, que penso que era o pai do Sr. Manel “do rancho”, a restante gente de fora vivia numas casas nos Romeiros.
    É sabido que nessa época os ordenados eram baixinhos, mas para mim o mais injusto era o pagamento em alqueires, que os arrendatários tinham de pagar ao Senhorio pelo arrendamento das terras de cultivo. O meu avô Cavaca, por exemplo, trouxe de renda os Romeiros do Sr. Amaral e muitas vezes quando tinha de pagar a renda pré-estabelecida o que tirava daquelas terras não chegava, mas era assim que se enchia de cereal as tulhas do “Armazém”.

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  14. Uma história pitoresca.
    Ao ler o último comentário de aluap, veio-me á memoria uma história antiga, que tanto podia ser da casa do Sr. Amaral como de outra, era assim:
    Um certo rendeiro, quando chegou a altura de pagar a renda estabelecida, não conseguiu arranjar as medidas de cereal para pagar, então deslocou-se a casa do senhorio e pediu para que lhe fosse perdoado uma parte da renda porque a trovoada estragou as colheitas.
    O senhorio, brincalhão disse-lhe: bem… se me responderes correto a três perguntas, perdoo-te metade da renda.
    - Então pergunte.
    - Qual é a coisa mais rápida?
    - É o avião.
    - Não, não é, responde a outra, qual a coisa mais negra?
    - É o corvo.
    Também errastes, mas já agora vamos á outra, o que é que custa mais a esfolar?
    - Ora! Essa eu sei, é o rabo.
    - Não acertas uma, vai arranjar o cereal e trá-lo na totalidade.
    O rendeiro, rendido, lá foi para casa a pensar como iria arranjar o cereal se o não tinha.
    Tinha em casa uma filha espertalhona que logo pediu autorização ao pai para lá ir, e foi.

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  15. O mais difícil de esfolar, sempre ouvi dizer, era exactamente o rabo, o que quer dizer que a parte mais difícil de qualquer tarefa é a mais difícil de executar e é aquela que nos dá mais “dor de cabeça” e claro que para quem não tinha as medidas de cereal suficientes para pagar a renda era mesmo preocupante, porque muitas das vezes não tinham mais cereal para pagar, não era o caso do meu avô, que também cultivava terras próprias.
    Será que a filha espertalhona teve êxito?
    Ser espertalhão costuma ser vantajoso para os negócios!

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  16. Boa noite, para mim foi uma pena não ter conhecido essa casa no seu apogeu, devia ser um fervilhar de vida e trabalho, era bonito nessa altura uma só casa dar de trabalhar a quase toda uma terra, mas pelo que me apercebi e do que conheço esta casa era mesmo imponente, chegou a quase ruina mas em boa hora lhe deitaram a mão, pena mesmo é não conseguirem de tirar partido da potencialidade que ela tem, basta um pequeno empurrão, mas um empurrão certo com as pessoas certas, em tempos foi o centro de Forninhos.

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  17. Esta casa esteve realmente na ruína, e em boa hora lhe deitaram a mão, como nos diz J.seguro, só que caiu em mãos erradas.
    Esta casa ostenta hoje, uma placa na sua frente que diz: CASA DAS CAMÉLIAS – TURISMO RURAL. Tudo levando a crer que esta casa, tal como noutros tempos, continuava a ser um dos pólos de desenvolvimento desta terra, mas não é, apesar dos largos milhares de euros que o Estado aqui investiu, esta casa não funciona, nem nunca funcionou.

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  18. Boa noite .A casa do Sr. Amaral e a casa mais bonita que a em Forninhos ,assim que o seu jardim .Pois nunca tive ocasião de visitar o interior dessa casa nos tempos do Sr Amaral,a nao ser a grande cozinha como já foi dito na altura das vindimas ou das avelãs. Essa casa devia voltar a abrir porque e pena estar fechada ate um pequeno restaurante na parte de trás dava muito jeito e tem espaço para isso e faz falta na nossa terra.Talvez um dia quem sabe.

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  19. Boa noite:
    No pátio da casa do senhor Amaral, havia uns cães grandes que ladravam muito, as pessoas para lá entrarem tinham que chamar a criada ou o senhor que tratava dos animais, para lhe abrirem o portão.
    Também lá havia perus, para nós era novidade, pois lá na terra ninguém tinha dessas aves, lembro-me de dizerem que era preciso embebedar os perus para os conseguirem matar.

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  20. A lembrança de uma casa com muita vida rural permanece ainda na nossa memória. Que melhor sítio do que este para a instalação de uma casa de turismo rural?
    Creio que a utilização de dinheiros comunitários foi bom, porque permitiu que imóveis praticamente em ruínas fossem adaptados à vida moderna sem que descaracterizasse o antigo. Na altura concordei inteiramente com a decisão do EP (Estado Português). O maior problema foi que muita gente procurou e aplicou as verbas para turismo rural, somente para arranjar a sua Casa e não souberam ou não quiseram cativar turistas e sobre este aspecto, tenho a dizer que, para mim, os grandes responsáveis foram aqueles que fizeram vistas curtas para esta realidade.
    O que eu ainda hoje questiono é como se aprovam projectos, assinam Contratos ao abrigo da Lei, onde o Estado se obriga a gastar o nosso dinheiro e depois nada foi/é feito para fazer de Forninhos um destino turístico e nem se faz cumprir o estipulado contratualmente. A verdade é que desconheço o teor dos Contratos, mas acho que não foram celebrados só para o faz de conta!
    Fala-se que este tipo de contrato tinha um prazo de duração de 5 ou 10 anos, se assim fôr, creio que já estão ultrapassados todos os prazos, sem que houvesse uma penalização (se é que essa cláusula penal existia) ou se pedisse responsabilidades pelo incumprimento e quem tinha o dever e toda a legitimidade para fiscalizar era a Empresa Outorgante, devendo até, de vez em quando, enviar um “cliente mistério” para saber se a Casa funcionava, como era o atendimento, se passavam factura, etc…etc…
    Lamento ver esta Casa sem pessoas, sem perus, sem cães, sem vida, no geral... pode até dizer-se que hoje a “Casa” nem é “carne, nem é peixe”.

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  21. Boa tarde a todos os contribuidores do blog e todo o pesssoal.
    Pois gostaria de informar que a casa das camélias sempre esteve a funcionar e continua a funcionar.
    Também quero dizer que não caiu em mãos erradas como diz o ed santos, mas sim num povo de gente muito invejosa.
    Em relação as verbas também quero informar que alguns ainda as aproveitaram para o do turismo, mas outros foi para meter ao bolso. E para os curiosos que só se preocupam com a vida dos outros convido os a consultar o livro dos registos e depois que diga se funciona ou não.
    Não é estar a deitar postas de pescada sem saber o que está a dizer.

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  22. Boa tarde,
    Em primeiro lugar quero lembrar que em democracia todos temos direito à opinião. Pessoalmente exponho a minha.
    Em segundo lugar, longe de mim a pretensão de me imiscuir em assuntos da vida pessoal de quem quer que seja! Porém, todo o caso muda de figura quando, tanto quanto sei, as obras levadas a cabo neste tipo de Casa, em grande parte, foram financiadas com dinheiros públicos e este simples detalhe confere a todos os cidadãos contribuintes, o direito de emitir opinião.
    Penso que as opiniões aqui deixadas são de pessoas que gostavam que esta Casa mantivesse o estatuto que teve no tempo da Sra. Olímpia (tia da Sra. Prazeres) e do Sr. Amaral, e se este investimento é legitimo (e eu não duvido que o é, porque feito ao abrigo da lei), acho que não há nada a temer.
    Pessoalmente acho que os seus actuais proprietários, pessoas jovens, com duas crianças menores, não tinham condições para viver em Forninhos só do turismo e isso referi de manhã, para mim, os grandes responsáveis foram os que fizeram vistas curtas para esta triste realidade.
    O que a Câmara fez para desenvolver esta freguesia?
    Alguma vez quiserem levar turistas para Forninhos?
    Se há pessoa que se tem debatido por tudo quanto acho possível pelo desenvolvimento da minha terra, desde obras de melhoramento e outras situações várias, acho que sou eu, Paula Albuquerque, que também uso aluap, simplesmente porque acredito nos valores da liberdade e da verdade.
    Agora o que é verdade é que em Forninhos houve muita gente que meteu dinheiro público aos bolsos, podia citar aqui os nomes, mas pela lógica, não tenho legitimidade para o fazer. Se calhar até nem tenho…
    Abraço

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  23. Muito boa tarde a todos.
    Eu uso aqui ed santos, mas todos os que nos lêem sabem que o meu nome é Eduardo santos.
    Eu sempre pensei que esta casa que tem á sua frente uma placa indicativa de turismo rural e aparece nos roteiros do concelho, não funcionava bem por falta de experiencia dos seus proprietários, mas segundo j.j, que não sei quem é mas parece estar bem informado/a, a casa tem registado clientes, sendo verdade, então temos aqui as regras viciadas porque, que eu tenha visto, e não há ninguém de boa fé que visse passar por aqui turistas.
    Eu também nunca entendi muito bem, como é que o estado investe tantos milhares de euros em projetos como este e outros, e não há um mínimo de fiscalização.
    E não me venha j.j dizer que há registo, porque se os há, e eu acredito que sim, qualquer agente fiscalizador notava que o desleixo e abandono não condizia, a não ser que tenha havido conivência, mas eu não queria ir por aí, porque então seria mais grave.

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  25. Ao falar de Forninhos estamos a falar daquilo que nos diz respeito a todos e todos queremos o melhor possível. Todos temos direito à opinião e a pontos de vista diversos, é normal em democracia, mas isto não é para criar conflitos, nem para escrutínio público de questões meramente pessoais que nada têm a ver com os objectivos do blog.
    Colaborem na divulgação de Forninhos e identifiquem-se para que o diálogo seja diferente.
    É difícil agradar a todos? A vida ensina-nos que sim.

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  26. Boa noite;
    Primeiro quero dizer que a casa não esta a venda,depois dizer ao sr. Eduardo que se ele vive-se em Forninhos via que há clientes, quando aparecem como em qualquer negocio. E se por acaso o senhor me arranjar clientes, pode contar com uma percentagem.
    Pois, a inveja é pecado; e para sua informação a CASA ESTA LEGAL E FISCALIZADA.
    Quero PONTO FINAL sobre o assunto.
    Mais, é uma casa de Turismo, não e casa do sr Amaral.
    Qualquer esclarecimento a gerência esta ao vosso dispor.
    OBRIGADO.

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  27. Sabemos que a Casa que foi do Sr. Amaral é hoje conhecida por Casa das Camélias, isso mesmo referi no intróito do Post, mas a memória é importante e não se apaga, por isso este blog também privilegia a memória das pessoas e dos lugares, para quem quiser não esquecer ou saber como era.

    Obrigada à Gerência da Casa das Camélias pelo contributo.

    Cumprimentos forninhenses

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  28. Falta dizer que o Sr. Amaral era um homem moderno com muita projecção local e regional e que esta Casa dava trabalho e dava a cultivar, de renda, algumas das suas terras. Lembro-me bem da existência das vinhas e grandes lagares de vinho no interior do “Armazém”, mas quem nasceu numa era mais remota, lembram-se da existência das grandes tulhas de cereal e dos campos de centeio nos Romeiros que o meu avô Cavaca e o tio Zé Carau cultivavam, de renda. Imagem que os mais novos nem fazem ideia.
    Já foi dito, que o senhorio entregava a terra ao arrendatário mediante uma renda estipulada, de modo geral, em medidas: metade do valor anual produzido, para as terras de regadio; para as terras secas, uma terça. Tentei junto de várias pessoas confirmar se o Sr. Amaral em situação de catástrofe natural, perdoava a totalidade ou parte da renda, mas fica o registo que NÃO.
    Questionados se por esse motivo os arrendatários deixavam a propriedade: NÃO, porque se hoje há muitas terras “de poiso”, naqueles tempos, os arrendatários, salvo o devido respeito, eram como “cem cães a um osso” e as terras que a “Casa do Sr. Amaral” dava a cultivar eram a base alimentar de muitas famílias.

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  29. Amigos:

    Ja conheci tres nomes desta casa , Casa da D. Olimpia, casa do Sr. Amaral e agora casa das Camelias. Quero falar desta casa ,do tempo em que eu la vivi em Forninhos . Na verdade era um quintal muito bonito, havia muitas variedades de flores e tambem arvores de fruto. laranjeiras e romazeiras. Sim senhor davam trabalho a muita gente. Mas o dinheiro voltava a mesma casa, vendiam o azeite, requeijoes queijo etc. Ate as ramas eram vendidas pela tia Micas Genoveva por ums tostoes. Os ricos eram ums exploradores. Quase tudo o que as terras davam iam para as tulhas do armazem. FAXISTAS.Quando o Sr. Amaral vinha a Forninhos era um Deus, os rendeiros tiravam-lhe o chapeu e faziam- lhe uma venea que a cabeca chegava aos joelhos. Nem quero recordar esses tempos de escravatura. Esse rancho que iam para ai trabalhar por meses e viviam como ciganos nos romeiros eram uns tristes escravos logo demanha passavam na lameira com as panelas as costas para cozinharem no meio das vinhas. Um que era bastante mau era o capataz Figueiredo que morou numa dessas casas do Quintal com sua mulher e filhas. Tambem era muito injusto com esses trabalhadores. Ainda quero recordar que a vindima demorava um mes, ganhava-se 6 escudos por dia e 8 quem leva-se as uvas ate a dorna onde setava o carro das vacas. Ogrigada meu Deus que o tempo mudou.



    Maria Dutra.

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  30. Bem, creio que devo aqui o resto duma história que podia muito bem ter acontecido na casa do Sr. Amaral, lá vai.

    E assim, lá foi a moça cheia de vida e confiança, começando por pedir também o perdão da renda, mas o senhorio, medindo-a de alto a baixo, disse-lhe:
    - Já ontem disse ao teu pai que lhe perdoava metade da renda se me respondesse a três perguntas, não respondeu certo, mas se tu responderes também perdoo a metade da renda.
    - Então pergunte lá.
    - Qual é a coisa mais rápida?
    - É o pensamento.
    - Está certo, pareces-me mais esperta que o teu pai; qual a coisa mais negra?
    - É a morte.
    - Certíssimo, vamos á última; qual é a coisa que custa mais esfolar?
    - A… a coisa que custa mais a esfolar, é, é… desculpe-me, mas deve ser um bichinho que o meu pai lá tem que, desde que casou com a minha mãe há 22 anos, que o anda a tentar esfolar e ainda não conseguiu.
    - Bem, bem…. És mais esperta, do que eu pensava diz ao teu pai para trazer só metade da renda.

    Esperta mesmo, esta moça. Quem disse que as moças da aldeia eram parolas? Não eram não.

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  31. Obrigada à Maria Natália Dutra, por trazer aqui memórias de como era a vida angustiada de muita gente na nossa aldeia nesses tempos duros e complicados (para não dizer desumanos) e da gente do Rancho que vivia nos Romeiros.
    Ainda bem que Forninhos avançou noutras direcções e já não há ninguém que precise trabalhar ao toque da corneta, mas era assim há umas dezenas de anos. Muitos conhecerão uma expressão que faz parte da nossa linguagem “eu nunca precisei andar ao toque da corneta”, mas poucos se calhar sabiam a sua origem. Havia um certo sabor irónico por parte de quem queria “fazer pouco”, rebaixar, gozar, os que andavam ao toque da corneta do Sr. Amaral.
    Coisa horrível de se dizer, mas dizia-se. Enfim…coisas de outros tempos, outras mentalidades, outras vivências e outras posturas, que deviam já estar enterradas, mas não vale a pena esconder que ainda hoje há quem use um linguajar irónico.

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