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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CASINHAS DE FORNINHOS

Já aqui se falou das casinhas de Forninhos, mas entendo que não é demais voltar a falar destas relíquias do passado.
Já passei várias vezes junto desta e, possivelmente, muitos de vós também, mas nunca me dei ao cuidado de espreitar lá para dentro, agora fi-lo, a porta estava aberta e como a que a convidar-me a entrar. Entrei e não resisti a fotografar este símbolo da autêntica casinha beirã.

À entrada, uma salinha com cerca de 8m2 e um armário, possivelmente onde se guardava os queijitos e o pão, por via dos ratos.

Logo à direita, a cozinha com as paredes negras do fumo, com lareira abaixo do nível do soalho, com pilheira e sem chaminé.

Em frente um quarto com uma janela.

No taipal, uma sovina, provavelmente para dependurar a roupa domingueira.

Por cima da porta, uma prateleira muito bem feita, possivelmente para arrumar as coisas de mais valias.

LINDA ESTA CASINHA!

17 comentários:

  1. Alguém dizia que no ofício de lenhador, no seu dia-a-dia, se usava um vocabulário mais rico do que o do cirurgião – todas as “coisas” tinham o seu nome. Não sei se será exagero mas é muito agradável ver que em blogues como este ainda é possível pressentir um linguajar que não escutamos no dia-a-dia e sermos confrontados com palavras e expressões antigas, que nos fazem procurar os significados e nos enriquecem.
    E isto também faz parte do que vocês querem preservar. São coisas de mais valias a pendurarmos na sovina da memória.
    Bem hajam por isso.
    Um abraço
    António

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  2. Muito bom dia a todos.
    Eu não serei a pessoa mais indicada para utilizar o vocabulário que se usava nesta e noutras aldeias da nossa região, embora me lembre de algum do tempo de criança e um pouco de infância por não ser residente assíduo.
    Por aqui ainda se pressente realmente, o linguajar dos antigos, mas, praticamente só entre eles, e, mesmo estes já se retraem, talvez por vergonha ou porque os filhos já os chamaram a atenção que não é assim que se fala.
    Por aqui usamos a expressão: as pessoas vão-se, e as coisas vão com elas.
    E é verdade, as pessoas que o usavam ou ainda porventura ainda usam, estão a desaparecer sem que se faça nada para preservar o que eu chamaria: AS MEMORIAS DE UMPOVO.
    Exemplo desta casinha da foto; está em ruína eminente, mas as linhas gerais, tanto de fora como do seu interior, lá estão a desafiar o tempo até que vai ceder.
    Um bom fim de semana para todos que aqui nos visitam.

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  3. Boa tarde:
    Até aos meus sete anos, também vivi numa casinha pequenina, a nossa electricidade eram os candeeiros de latão com petróleo, a água tinha-mos que a ir buscar em cântaros à fonte do Miguel, ou à fonte dos tanques onde hoje fazem o baile da festa, o nosso fogão era o lume com uma ou duas panelas de ferro com três pernas, onde cozia-mos o feijão ou as batatas com o bocado da carne de porco, tempos que eram difíceis, as pessoas viviam-no com alguma angustia, pois muita gente não tinham muito que comer, e as famílias eram numerosas naquela época tinham muitos filhos e os alimentos tinham que ser racionados.
    Naquele tempo as pessoas davam valor ao que tinham, pois era com muito trabalho que o conseguiam, hoje poucas gente dá valor porque têm de tudo.
    Eu penso que a casinha que está nas fotografias, é ao pé da casa do tio Ismael, será que estou certa?
    Bom fim-de-semana.

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  4. Está certíssimo M. Jorge, esta casinha está perto da casa do tio Esmael, e ao lado está outra igual, mas esta tem a porta fechada, um destes dias vou pedir a chave ao dono e vou ver o que lá há dentro.
    Esta da foto não sei a quem pertence, mas tem a porta aberta, e daqui peço desculpa aos seus proprietários por lá ter entrado e tirar fotografias.

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  5. Esta casita foi onde morou a mãe do tio Ismael, a tia Maria Castanheira. Agora acho que pertence ao tio Fernando Castanheira, assim como a do lado, de que falou.
    Uma que me lembro ser habitada, não há muitos anos, é uma casinha situada na Rua do Outeiro, onde viveu a mãe do tio Porfírio forra, a tia Adelina Guerra, que também ainda deve guardar relíquias do passado.
    A par deste modelo havia umas de altos e baixos, isto é, o andar de cima era para habitação da família e por baixo, com lojas para animais. Na minha infância vivi numa casa destas. A cozinha tinha um janêlo, para deixar entrar a luz solar e deixar sair o fumo. O chão era soalho, mas junto à lareira o chão era de terra e esta área era varrida com uma vassoura de giesta. A sala com 1 janela era grande e, talvez por isso, também serviu de meu quarto e dos meus 2 irmãos, por cima havia uma prateleira. Os meus pais tinham quarto próprio. Pode dizer-se que era uma casa com tamanho suficiente para lá se viver.
    Hoje já se não vive em casinhas destas, mas muita gente viveu neste tipo de habitação.

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  6. A preocupação do homem antigo não era a grandeza da casa, mas a fartura das terras. Há até um ditado que diz: “casa em que caibas e terra que não saibas”.

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  7. Boa noite, são casas como estas que nos fazem pensar em como seria a vida nessa época, uma vida que não era parca em comodidades, vida simples e sofrida, mas tinha de tudo um pouco, hoje nem damos valor ao que temos porque não passamos por aquilo que os nossos antepassados passaram(a maioria).

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  8. Sim eram assim as nossas casinhas, e dificil acreditar mas nelas vieram familias por vezes numerosas.
    Gostei das expressoes que se usavam, ainda ha nao muitos anos!

    Um abraco de amizade.

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  9. Boa tarde a todos.
    É verdade, hoje não damos valor ao que temos, hoje não nos contentamos com o pouco, que noutros tempos era muito.
    Os da minha geração, sabemos quanto custava a vida, vida dura, vida de amargura, de tristezas e alegrias, mas sobretudo de privações.
    Esta casinha, hoje é o que se vê, ninguém quereria morar nela, mas possivelmente quando foi habitada, era uma casa razoável, com salinha, com cozinha e um quarto com janela, havia outras bem piores, eu mesmo, quando criança, vivi numa bem pior.

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  10. Sim, ninguém quererá hoje morar neste tipo de casinha, mas ainda estou para saber porque é que os poderes instituídos nada fizeram para preservar a ruralidade desta freguesia.
    Não houve sensibilidade para estas coisas?
    É que nem eram precisos grandes investimentos, bastava recuperar e preservar aquilo que temos ainda de típico e corrigir os erros do passado.
    É impossível que não se faça reflexões acerca daquilo que as forças políticas e líderes locais fizeram por Forninhos, que nunca souberam aproveitar as boas coisas e história que esta terra tem. Infelizmente as asneiras e estupidezes foram muitas e reiteradas.
    As Casinhas de Forninhos ainda hoje preservam muitas histórias, acompanhadas de um linguajar já em desuso, através dos seus moradores mais antigos, talvez ainda possamos ir a tempo de recuperar algumas, avançando com um livro onde se conte a história da nossa freguesia, desde os primórdios até aos dias de hoje.

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  11. Talvez ninguém quererá hoje morar neste tipo de casinha, também assim o creio, mas imaginem que esta casinha recuperada, preservando a sua traça original, melhorando algumas coisas, como por exemplo: tapar os buracos das paredes pelo interior, criar algum conforto como aquecimento, discreto para não alterar o típico da casa beirã, e assim, não faltariam pessoas que vivem nos grandes centros urbanos, quisessem passar oito ou quinze dias no sossego reconfortante que uma destas casinhas podia proporcionar.

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  12. Boa noite .Estas casinhas de certo pequenas mas para passar umas ferias como disse o Sr.Eduardo era suficiente ,sendo bem arranjadas e com o conforto que hoje sequer.Pois ficavam casinhas bonitas ,como muitas que ainda se podem ver antigas mas modernizadas.

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  13. Há anos atrás quando já se antevia uma reorganização do território e se discutia muito a desertificação e perda de população, se quisessem fazer desta terra um destino turístico e atractivo tinham adoptado outro tipo de políticas. Recuperar o conjunto de casinhas típicas de Forninhos, com o objectivo de “preservar a ruralidade” e “atrair turistas” tinha sido um bom começo, até porque, o concelho teria muito a ganhar com estas intervenções e o turismo sairia reforçado. Assim…com políticas absurdas, medidas suicidas, o resultado é que estamos a um passo de deixar de ser freguesia. Mas infeliz e lamentavelmente em Forninhos ainda batem palmas àqueles que, devido às suas decisões, foram os grandes responsáveis por esta realidade.
    São atitudes que eu não entendo, nem nunca vou entender!

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  14. Belas casas, hoje em dia já nada desta arquitectura se pode ver, é pena, pois estas eram bastante bonitas.
    Reparem nas cozinhas antigas, nada tem a ver com as de hoje.
    Recordações de um passado, quando ia a Forninhos e muitas vezes me esgueirava para casa do Ti Joaquim Branco, ali, sentia-me bem, uma boa fogueira e a parte da lareira abaixo do soalho e a velha pilheira, para mim que nunca tinha visto nada igual era uma maravilha.

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  15. Boa tarde a todos.
    Sabemos que Forninhos não pode contar com indústria extrativa ou transformadora, a agricultura está pela hora da morte como é sabido. A aposta seria realmente na área do turismo.
    Esta terra tem condições ideais para a sua implantação, só é pena que as pessoas não saibam tirar proveito da beleza com que a natureza a brindou.

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  16. No caso em apreço, o abandono da agricultura deixou de ser uma potencialidade por uma razão muito simples: Forninhos perdeu capital humano para trabalhar as terras. Já no que toca ao turismo os grandes responsáveis foram os Senhores de AGB que tiveram vistas curtas e não souberam definir estratégias corajosas que pudessem fazer do seu concelho um destino turístico atractivo, só se pensaram que tínhamos apenas sol para vender! Falharam no essencial, porque vão para a Câmara como quem vai para um emprego e não para trabalhar no sentido de desenvolver as suas freguesias. Aquilo que foi o menosprezo dos Senhores de AGB por Forninhos condenou a nossa freguesia, é bem visível que gastar dinheiro em obras de circunstância não ajudaram na atractividade de pessoas!
    E, atenção! É preciso lembrar que o problema não começou com a crise.
    É bom que façam reflexões!

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  17. Para não falar da Serra de S. Pedro que merecia ser acarinhada, porque ali há muita história e nenhum investimento tem sido feito…turisticamente falando, claro!

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