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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O milho paínço


Porque está em vias de extinção e há o perigo de, quando as gerações mais antigas de agricultores desaparecerem, esta espécie agrícola ser esquecida, questionámos algumas pessoas idosas de Forninhos sobre o nome e suas origens, mas a informação apurada é escassa, sabendo-se apenas que a sua plantação era bastante frequente nos idos da década de 1940 e 1950. Segundo disseram era um milho sem espiga, que se semeava ali por Março nas terras secas e colhia-se em Julho e não necessitava de água de rega, nem de sacha, basicamente não era para a alimentação humana, mas sim para a alimentação dos animais, a maior parte para o gado de bico.
Com a chegada do milho grosso, a palavra simples - milho - passou a ser usada para este, mas o "velho milho" era designado de milho-paínço. 


De onde nos chegou então o milho paínço?
Li que é mais antigo que o arroz, a cevada, o trigo ou o centeio, é oriundo das Índias Orientais e do Norte de África e que a sua utilização continua a ser comum em lugares como a Etiópia, onde o prato nacional - Injera - é feito com farinha de milho paínço.

28 comentários:

  1. Boa noite Paula,
    Sempre a aprender!
    Na região onde nasci o milho dá-se lindamente. O de regadio.
    Não me recordo de ter ouvido falar ou ver o milho painço.
    Por esse facto achei, como sempre, o seu artigo muito interessante.
    Um beijinho e uma boa semana.
    Ailime

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    1. Boa noite Ailime.
      De regadio também ainda há muito na nossa aldeia, milho paínço é que não, embora apareça uma ou outra caneira – eram assim chamados os caules deste vegetal – no meio do milho que se semeia para dar grão ou no que é comido pelos animais em cana. Devia-se colher e preservar a semente, mas como é um milho miúdo ninguém liga!
      Só nós para nos lembrarmos de postar o milho paínço! :-)

      Beijinhos/boa semana tb.

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    2. * Em Forninhos o que é comido pelos animais em cana, é chamado de "milhão".

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  2. Bem interessante e, como a Ailime, aprendi aqui! Adorei! beijos, linda semana! chica

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    1. Eu também aprendo. Por exemplo, aprendi que o milho paínço não necessitava de sacha e mesmo assim fico na dúvida porque leio numa monografia local, escrita há uns bons anos, isto: “Conservo um machado de pedra que andou muito tempo, enquanto não o conheci, a servir de segurador de uma porta em casa da minha avó. Foi ela que o achou numa tapada quando sachava milho paínco.".
      Ou o autor romanceou a coisa, digo, achado; ou, as pessoas idosas de Forninhos já se não lembram bem...
      Beijos e tudo de bom!

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  3. Oi Paula... Não conhecia e gostei do que nos conta aqui...
    Um abraço gigante...
    Boa Noite!

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    1. Olá Anete,
      Talvez no Brasil tenha outra denominação. Sei que também é conhecido por milheto ou milhete.
      Um enorme abraço tb.

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  4. Gostaria de semear este milho, mas infelizmente não se encontra à venda como o milho grosso dito normal.

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    1. Não fazia ideia. Antigamente os agricultores locais mantinham as sementes que iam colhendo e que iam trocando uns com os outros; era assim que as sementes passavam de geração em geração.
      Obrigada pelo visita comentada.

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  5. Desconhecia totalmente a sua existência.

    Adoro o teu blog, pois nele aprendo imenso sobre usos e costumes do nosso país, quase todos em extinção.

    Adorei as fotos, pois fiquei a conhecer o milho paínço.

    Beijinhos.

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    1. Começo a ficar apreensiva, pois noto que há bastantes pessoas que não conhecem o milho paínço!
      Por ser semeado em Forninhos sabia que era um milho míudo, sem espiga e que se debulhava facilmente, todavia só agora soube que se colhia mais cedo que o conhecido milho normal.
      Todos aprendemos!
      As fotos são cortesia do Google.
      Beijinhos.

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  6. Uma espécie de milho muito interessante para estes tempos de seca.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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    1. Há mais de sessenta anos era assim..nas terras secas não se semeava batatas, semeava-se pão (o centeio) e milho paínço. Segundo dizem, o milho paínço cultivava-se quase da mesma forma que o centeio...sem sachas, sem água de rega.
      Abraço/boa semana.

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  7. Muito interessante. Não conhecia, mas se os etíopes utilizam a sua farinha para confeccionarem pratos, então também é bom para a alimentação, e nos anos de seca deve fazer a diferença.
    Um abraço

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    1. Elvira, embora me tenham dito que o milho paínço não era para alimentação humana, os nossos avoengos podem muito bem ter confeccionado pão de paínço ou tê-lo utilizado na confecção de alguns doces!
      Um abraço meu tb.

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  8. O milho paínço...
    Recordo, claro, pois nao corro para novo, mas nao tao velho ao ponto em que estas sementes faziam parte da comida dos ditos pobres, tal como a farinha de castanha substituia outras farinhas "ilustres".
    Mas lembro dele nas terras de serrania, frias ao tempo e secas e miseraveis pelo solsticio do verao,vingando do "Deus dara" a que eram votados e depois aproveitados. As sementes fazem lembrar o arroz, mas curiosamente tao diferentes, um viva da agua, a outra da secura extrema, mas e adiante, embora desse pouco trabalho, qual a sua valia?
    Dizem que pelas feiras se vendiam vassouras feitas das suas folhas depois de preparadas e de tal existem muitos registos. Outras, como na nossa terra, que a semente era para os "pitos", os pequenos galinaceos, sendo que as canas davam um bom estrume.
    Para mim o que bem recordo, era o surripiar das sementes que depois de malhadas secavam ao sol. Iriam valer para alimentar os passaros roubados aos ninhos e criados em gaiolas rusticas que a gente fazia.
    Por tal o pessoal da minha geracao, tinha respeito por este milho, ao ponto de quem criava um pintassilgo e o via triste, adoentado, ia ter com o amigo para um punhado deste em troca de uma carica ou um piao ferrado...
    Na nossa aldeia e procurando a quem lembra, ainda se vai encontrado por esquecido, este milho de memorias.

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    1. Tu e muitos outros só se lembram de ser alimento de aves, aliás, era um petisco para os pássaros. A minha mãe conta que quando era pequenita o meu avô cultivou num terreno seco milho paínço e um dia deu-lhe a missão de tocar um caldeiro para enxotar os pássaros. Assim passou todo o santo dia!
      Agora, gostei da comparação com o arroz, embora o arroz viva da água (como dizes).

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  9. Muito retesaste gostei bjbj Lisette.

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  10. Milho painço, tenho em casa, mexo nele quase todos os dias, é o comer dos periquitos e também dos fishers, rosicolers e das caturras. Como tenho toda esta passarada em casa, conheço bem. Só os periquitos é que comem o milho painço simples, resto leva mistura de girassol e outras sementes.
    Na adolescência, 75/76, lembro-me de ver no Chão de Lopes, Forninhos, terreno que na altura me disseram que era do Sr. Eduardo Craveiro, o cultivo deste cereal. Na zona de Lisboa, já vi cultivo de um cereal muito parecido mas que a planta dá a espiga como o arroz e não maçaroca como o milho painço, não me recordo o nome, qualquer coisa parecido como sisão? Foi junto á Base Aérea de Sintra, uns bons hectares.

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    1. Não tenho memória de ver terrenos cultivados com milho paínço; só me lembro de ver no meio do milho "normal" - na altura da sacha - uma ou outra caneira; agora achei bem interessante o nome (ou apelido) desse terreno: "Chão de Lopes". Terá origem em "lobos", território de lobos?
      Quanto ao nome desse cereal parecido com o milho paínço é que não faço a menor ideia!

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    2. Valongo, Chão de Figueiras e Chão de Lopes, ao lado esquerdo do Castiçal. Meu avô Ismael Lopes tinha lá um terreno, herdou minha prima Aida e vendeu a meu irmão José António. Julgo que nada tem a ver com o apelido de meu avô. Da parte de baixo é que me lembra de ver o milho painço.

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  11. Oi Paula!
    Claro que um milho com essas características tem mais é que ser cultivado e estimular o seu cultivo, principalmente em áreas mais castigadas pela seca, o que seria muito bom para o nosso sertão ceárence, com grandes períodos de estiagens.
    Beijos!

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    1. Sabe Fátima, na nossa aldeia os campos secos que dantes todos eram semeados de centeio, trigo e milho, deixaram de ser cultivados, porque hoje já ninguém precisa do grão do cereal moído (farinha) para confeccionar o seu pão. Na povoação, os padeiros da zona distribuem o pão de porta a porta.
      O cultivo desta espécie espécie agrícola por lá está extinta e ninguém sente a falta. Pena, pois! :-(
      Por tal, resta-nos ouvir as pessoas mais velhas para ajudar a conservar por mais tempo as nossas sementes.

      Beijos e um bom fim de semana.

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  12. Boa noite

    Gostaria de acrescentar que o milho paino é um cereal pouco conhecido. Em francês diz-se millet. É muito fácil de cozinhar e pode juntar-se a todos os vegetais. É indicado para o estômago, baço e pâncreas. Tem acção diurético. Pode ser consumido como o cereal da refeição ou adicionado à sopa. Se confeccionado mais cremoso pode ser usado parafazer empadão. Exemplo:1 chávena de millet, 1 chávena de couve flor, 4 chávena de água, azeite e sal. Lave o millet. Ponha a cozer na água com sal e a couve flor. Tape e deixe cozinhar 15 min. Antes de apagar o lume verifique o tempero e acrescente sal ou um pouco de vinagre. Com a varinha mágica reduza a puré. Fica óptimo para acompanhar carne. Bom apetite um abraço a Forninhos que tenho no coração desde os 3 anos

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  13. Olá a todos! :D
    Pois parece que este milho painço é uma fonte de proteínas e magnésio e fosforo e muitas mais outras coisas fantásticas! Como desde há 7 anos deixei de comer animais e todos os subprodutos, inclusive cereais com gluten e milho, tenho procurado substitutos nutricionais e o millet parece-me um achado! Vou experimentar e já agora gostava de sugestões de receitas experimentadas. Obrigadinha :D

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  14. Instituto Nacional de Investigação Agrária - Oeiras !!

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  15. Instituto Nacional de Investigação Agrária - Oeiras !!

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