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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias da Fonte do Lugar (ou Fonte Nova)


Como já em tempos escrevi sobre a fonte da Lameira, vou-me referir hoje à fonte do Lugar e algumas recordações da minha infância e adolescência. Havia ali oliveiras e pedras.
Na infância a fonte era uma espécie de viveiro: íamos para lá apanhar uns seres inocentes de nome 'moiras' para trazê-las algumas vezes para casa. Quando crescemos e já tínhamos mais 'autonomia', nas pedras nos sentávamos nas tardes de Domingo até ao anoitecer. Já durante a semana, na hora da sesta, numa altura que se ía para o rio da Quinta da Ponte, no regresso a casa parávamos sempre na fonte do Lugar para matar a sede, porque nessa altura ainda se podia beber água da fonte sem nos preocuparmos se a água era controlada ou não!
Para alguns leitores terá sido nesta fonte onde durante o dia deixavam os cântaros em fila, enquanto iam trabalhar. Pediam, neste caso, aos vizinhos para lhos encher quando chegasse a sua vez. De madrugada, das pias apanhavam água para dar de beber às vacas, as grandes 'companheiras' no trabalho e transporte e também fonte de rendimento.
Hoje tudo isto são vivências impossíveis de voltar a acontecer...pois se até a fonte mudou de sítio (encontra-se no meio de uma rotunda, portanto numa zona não pedonal).

Foto: fonte do Lugar, cortesia de João Albuquerque.

18 comentários:

  1. Anónimo1/15/2013

    Esta fonte já teve o seu encanto, mas no antigamente.
    Muita coisa terá gravada, muito segredo escondido, tanta gente a dizer "que água tão boa tão fresquinha", enquanto corria para o cântaro, com mais dois dedos de conversa.
    À noitinha, as mulheres regressavam a casa, com o cântaro à cabeça, assente na rodilha, o filho mais novo pela mão a dizer que já tinha fome...
    Recordo-me dela, era local de confidências, brincadeiras e namoricos.
    Agora a Fonte do Lugar, perdeu o lugar e com ele parte da história.
    Pelo menos não foi parar a uma rotunda de Viseu.
    Tenho pena!

    XicoAlmeida

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  2. Belas memórias...Espectacular....
    Cumprimentos

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  3. Fontes sempre encantaram e hão de encantar! beijos praianos,chica

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  4. Grandes Recuerdos personificados en esas fuentes llenas de encanto y belleza que marcaron nuestra infancia.
    Um abraço e beijos.

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  5. Paula,

    As fontes me fascinam e me chamam à atenção.
    Obrigada pelo seu carinho lá no blog. Vou ficar bem em breve. E, sempre que puder, estarei aqui. Você está no me coração, e gosto demais de ler sobre a história de sua terra.
    Beijos

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  6. Tambem eu me sentei muitas vezes naquelas pedras,quando vinhamos do rio da ponte, eu mais alguns mangas primeiro passàvamos pela moleira onde havia aquelas maças deliciosas,é que a fome apertava depois de umas horitas na agua, como tu dizes e bem Paula ,era nessa fonte que depois se matava a sapeira,depois que a fonte foi mudada de sitio e de sentido,para aquela obra que tu chamas uma rotunda,jà nada é igual. Para quem tem memorias dessa fonte como ir buscar os cantaros de agua, levar là os animais para beber,a essas pessoas ainda lhe deve custar mais,penso que para elas a fonte simplesmente deixou de existir.

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  7. Anónimo1/16/2013

    Será que com a mudança de lugar da Fonte, também as suas memórias caíram no esquecimento?
    É de lamentar que os filhos da terra que os viu nascer, não manifestem interesse por estes lugares tão emblemáticos que fazem parte de nós próprios e nos ajudaram a tornar homens.
    Se calhar andamos todos cegos e não vemos o que foi e continua a ser a beleza da nossa terra.
    Ponhamos os olhos nos de "fora", que participam, comentam e conhecendo Forninhos por esta via, já o acarinham e adoram.
    Este Post é também uma homenagem às gentes do Lugar.
    Como não vejo comentário algum da vossa parte, será que à semelhança da Fonte, também mudaram de lugar?
    Não quero acreditar nisso, mas entristece!

    XicoAlmeida



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  8. Antes do mais, vou começar por agradecer ao meu primo João por esta bela fotografia que me fez lembrar quando ainda criança ia apanhar as moiras (rãs) nas pias da fonte. Bem haja.
    Hoje tudo mudou e eu não sei se esta fonte que teve também o nome de fonte nova, o que com certeza significa que foi construída muito depois da fonte da Lameira ou fonte velha, foi/é ou não o orgulho dos habitantes do sítio do Lugar, mas uma coisa eu sei: a forma graciosa da fonte e tanque/lavadouro da Lameira enche de orgulho os da Lameira e, embora esta fonte pouca atenção tenha merecido por parte daqueles que representam o povo de Forninhos, somos muitos os que queremos que a cobertura seja deitada abaixo e é nosso desejo ver afixada informação de que a água que brota em bica, corre pelo cano, é de boa qualidade, pois como diz o ditado “Bendita seja a água, por ser sã e barata”.
    Já a fonte do meio da rotunda pouco ou nada me diz, porque a ânsia de modernizar destruiu o que os habitantes antigos construíram (mas eu também não nasci no sítio do Lugar).

    Cumprimentos a todos.

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  9. Anónimo1/16/2013

    LÁGRIMAS DA FONTE

    Só! Na encosta, como um eremita
    Perto, a fonte me vai confessando
    Ser a água, que de si vai brotando
    As lágrimas que chora na desdita

    Feita de lágrimas é minha poesia
    Lhe digo, enquanto vou pensando
    Ser um poema o que vou chorando
    Por isso eu choro de noite e de dia

    Minhas lágrimas, mando para o mar
    Que na sua solidão, delas tira o sal
    Que transforma na pureza do cristal
    As lágrimas que agora estou a chorar

    As minhas lágrimas, não tenho a quem as dar
    São elas fruto das minhas mágoas
    Sou a fonte e os poemas, as águas
    São elas, lágrimas do meu pensar

    Lágrimas que num poeta são fantasia
    São como a desdita da fonte que dizia
    Sendo o único que de sua água bebia
    Eram dela os poemas que eu escrevia

    XicoAlmeida

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  10. Alguém sabe quem fez esta fonte a martelo e pico?
    Espero que quem souber no-lo diga, pois seria mais uma homenagem nossa aos artistas da pedra.

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  11. Sendo nascida e criada na lameira, também me sentei muitas vezes nas pedras da fonte do lugar, não só nas tardes de Domingo, mas também todos os dias quando ia para a escola de Aguiar da Beira, porque o autocarro não ia à lameira não sei porquê, então juntávamo-nos todos na fonte do lugar até à chegada do autocarro.
    Quando os meus pais cultivavam um terreno no salto, no verão íamos com o motor de rega para regar o terreno, quando voltávamos para casa estava desejosa de chegar à fonte do lugar para beber aquela água fresquinha, sabia tão bem.

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    1. Maria,
      Como sabes antes da estrada que ligou Forninhos aos Valagotes e, por tabela, a Penaverde, o que sucedeu há menos de 30 anos, a camioneta da carreira chegava à Lameira e tinha de virar no largo e voltar para trás. Quando estudei em AGB era assim. Possivelmente, no teu tempo, como a carreira fazia uma volta diferente, pela estrada da Matela (já alcatroada), Matança, seguindo por Penaverde, Carapito, etc...os desgraçados de Forninhos, em especial, da Lameira, tinham de esperar no Lugar a carreira. É só mais um exemplo, de como AGB tratava bem os de Forninhos! Com certeza esta situação era favorável a alguém, mas para os alunos da Lameira acho que não era!

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  12. Anónimo1/16/2013

    As pessoas do sítio do Lugar, algumas haverá que terão conhecimento e/ou contactos para responder à tua pergunta.
    Senão nos seu todo, pelo menos em parte.
    Como era que a água vinha parar à fonte?
    De alguma nascente ali perto?
    Penso que devia haver uma mina, mas onde?
    Responda quem souber e tenham uma boa noite.

    XicoAlmeida

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  13. Será que esta fonte dantes não era de chafurdo?
    Será que se construiu depois as pias, a bica, cano, por ser mais higiénico e facilmente encher os baldes, cântaros e regadores?
    Para conhecer a nossa história basta às vezes ouvir quem ali nasceu e cresceu...que tanto têm para contar.

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  14. Anónimo1/17/2013

    A Fonte do Lugar foi de facto conhecida por Fonte do Chafurdo.
    Desciam-se uns degraus para se poder mergulhar(chafurdar)o recipiente e apanhar a água.
    Era um pouco como a Fonte do Miguel.
    O seu local inicial, era à porta do Tio Chico da Palmira, marido da tia Capitolina.
    Mais tarde é que foi encanada para o sítio do Lugar, daí o seu nome.
    Posteriormente foi transferida para a rotunda.
    Uma fonte viajada!

    XicoAlmeida

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  15. Ao longo da História sempre houve monumentos que foram mudados. Por exemplo, cruzeiros e pelourinhos. Pelo que, o problema desta fonte não foi ter sido mudada, porque afinal até já o foi no passado, antes foi ter ido parar ao meio de uma rotunda, porque se fosse na parte de cima da “Gare do Oriente” que é uma área pedonal, naturalmente que era melhor. O facto da canalização ter ficado mal feita, como se sabe, também desvaloriza a fonte, porque nem utilidade tem! Depois, o corte das oliveiras veio retirar todo o interesse ao local.
    Todo o projecto levado a cabo, dizem pela Câmara (?!!?) foi mal planeado (se é que houve um plano!). O cruzamento era mais adequado àquele lugar.
    Quem tiver curiosidade e sobretudo respeito pela história e memória de Forninhos que procure saber mais que nós (aqui) sobre os monumentos da terra ou sítios com alguma carga histórica.
    E quando o livro sobre Forninhos estiver à venda cada um de nós compra um, para saber mais do que aquilo que aqui fica escrito a respeito desta e outras fontes!
    The End!

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  16. Anónimo1/17/2013

    Caros Forninhenses e seguidores deste Blog, em particular do sítio do Lugar, da minha parte dei o que consegui na partilha deste Post.
    Esperava mais adesão da parte de determinadas pessoas, mas cada um é como cada qual!
    Terminam assim da minha parte, comentários a este assunto!
    Também já estou farto de chafurdar na Fonte.

    XicoAlmeida

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  17. Olá.
    Mais uma vez cá estamos nós, e pelo que pude observar, também eu estou de acordo com XicoAlmeida, não estou a ser muito afluente neste Blog por motivos óbvios, mas é como o Xico diz andar sempre a "chafurdar" no mesmo, assim é verdade se todos aderissem seria mais fácil e este Blog chegaria mais longe.
    Bons tempos e boas brincadeiras se passaram junto á fonte do Lugar, era como vós dizeis, local de paragem obrigatória.
    Com pena de hoje não ser assim.

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