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sábado, 16 de junho de 2012

O CORNELHO


« Junho foice em punho»


Numa seara de centeio, algumas espigas continham o cornelho(1) que era muito procurado por adultos e crianças desde que as espigas amadurecessem até às malhas, pois vendiam-no bem caro. Depois de colhido passavam por Forninhos uns homens munidos com uma “balança de dois braços” para o comprar e pagar. Não só passavam em Forninhos, mas certamente em muitas terras, onde o centeio era uma das principais colheitas da região. QUEM TEM LENTICÃO PARA VENDER? Assim diziam em voz alta. 
No tempo que o dinheiro não abundava houve com certeza muitas pessoas que apanharam bastante e nele fizeram dinheiro para comprar a roupa e os sapatos da festa.



(1)O cornelho é um fungo que se desenvolve no centeio.

13 comentários:

  1. Maravilhosas lembranças compartilhas, Paula.
    Para o nosso bem.
    Abraços. Bom domingo.
    Gilson.

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  2. Paula,

    Li o post todo e pensei, o que é Cornélio. Ainda bem que você explicou no final.

    Que coisa interessante! Que lindo você manter viva a memória de Forninhos.

    Que viveu isso deve ficar com o coração cheio de alegria ao relembrar. Quem não viveu e nem conhecia o assunto, como eu, aprende cada dia mais sobra a cultura de um povo.

    Parabéns pelo lindo post!

    Beijos

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  3. Corrigindo: Cornelho. Risos Cornélio é um moço que era amigo de papai, enquanto eu era criança.kkkk Desculpe-me.

    Beijos

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  4. Olá Gilson e Lucinha.
    De certeza que para os mais velhos deve ser bom relembrar o passado através deste blog; e para os mais novos, principalmente os que são de Forninhos, está, pois "claramente visto", como dizia Camões, que é através do novo blog que conhecem a memória deste lugar e como era a vida da gente que por cá habitou.
    Na 1.ª metade do Séc. XX o dinheiro na nossa terra não abundava, daí que receber 150$00 ou 200$00 por um kilo de cornelho era muito dinheiro. Há com certeza muita gente que lê este blog que procurou e vendeu cornelho e têm memórias desse tempo.
    Tenho dito e redito que compete ao poder local editar um Livro sobre a origem de Forninhos e memória das gentes desta aldeia, bem assim criar um espaço cultural para guardar o espólio documental, fotográfico e outros artefactos da tradição da freguesia, antes que tudo se perca de vez. Se alguém tiver olhos para ver, vê a léguas de distância, que o Forninhos do século XX era bem mais rico do que é hoje.

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  5. Tambem eu cheguei a conhecer esse fungo, o cornelho, mais parecia um pequeno dente de elefante mas de cor escura, encontrava-se nas espigas do centeio.
    À cerca de 30/40 anos em Forninhos ainda se cultivava bastante centeio e trigo, hoje já mal ou nada se vê.
    As grandes terras onde se cemeava este cereal hoje estão em pousio, uma cheias de ervas outras ali nasceram pinheiros e outros arbustos.
    Em S. Pedro, Cuvos e outros locais, eram bem visiveis umas quantas cearas de centeio e trigo, que nestas alturas as pessoas se juntavam e bem cedo de ceitoira em punho iam para a ceifa.
    Era com este que muita gente se alimentava durante todo o ano, aqueles grandes pães de centeio, ecuros mas de grande sabor.

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  6. Na minha terra chamava-se "lenticao" nunca cheguei a saber para que servia!

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  7. Apurei que na minha terra também ninguém sabia para que servia. Mas li que o destino do cornelho ou lenticão era a indústria farmacêutica. Li tbm que nalgumas aldeias tomavam chá de cornelho para ajudar ao parto, caso as forças fossem poucas ou a criança se recusa-se a vir ao mundo.
    Em Forninhos sei que o cornelho apenas era recolhido para venda.«O que queríamos era o dinheiro». Assim me responderam as pessoas com quem falei.

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  8. Eu conheci o cornelho cheguei a ver algum no centeio, lembro-me de os meus pais falarem de apanharem algum cornelho, como era muito leve tinham que apanhar muito para fazerem um kilo, mas valia bem a pena apanharem um kilo, pois 150$00 ou 200$00 naquele tempo era muito dinheirinho para a nossa gente.

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  9. Depois das ceifas do centeio, vinham as malhas e como já ninguém apanhava o cornelho, este vinha junto ao grão de centeio, depois não era escolhido para o separar?
    Este não era moído junto com o centeio, aí vinha mais um trabalhinho extra.
    " separar o trigo do joio"
    Bom Fim de Semana

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  10. Eu também conheci o cornelho, ainda apanhei algum nas nossas searas e na dos vizinhos, calcávamos tudo por onde passávamos por causa duns tostões. Como não havia bolsas pequenas guardava-o numa meia velha . Era bem pago naquele tempo,não tenho bem a certeza mas por uma chavena das de cha eram uns dez escudos, era bom pois ninguem da nossa idade tinha dinheiro quando vinha o homem compra-lo e nos dava aquele dinheirito era uma riqueza. Também nos diziam que era utilizado em coisas para a Guerra não sei em que, talvez em pólvora. Também tem o nome de fungo como o serip disse mas hoje alguém me disse que servia para medicamentos. Depois de tantos anos graças ao blog relembramos uma coisa que muitos nunca viram nem ouviram falar.

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  11. Um texto brilhante como o sol do meio dia, bom de ler. Um abraço, Yayá.

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  12. É verdade, através deste blog muita gente relembra e outros ficam conhecedores do que havia e como se vivia nesta terra. Prova disso é tudo o que é editado aqui.
    Por exemplo, uma coisa que muita gente desconhece é que só as espigas de centeio continham o cornelho. As espigas de trigo continham uma espécie de fungo, também de cor escura, mas que se desfazia, tal como o fungo das espigas do milho.
    Outra curiosidade, é que havia anos que se via mais cornelho que noutros e que as espigas das bermas continham mais. E num campo onde não era semeado centeio, se nascia por acaso umas espigas de centeio, essas até continham mais cornelho. Seria dos ares?
    Desde que as espigas amadurecessem até às malhas o cornelho era procurado por muita gente. É facto assente. Era recolhido para uma meia como nos diz a tia Natália e o mesmo me contou o meu pai e a tia Margarida que também procuraram no meio do centeio algum para vender. Se o apanhavam “meio verde” tinham de o pôr a secar, pois os homens queriam-no seco.O grão seco era muito leve, como disse a Maria. Pelo que, para perfazer um kilo não era assim tão fácil, principalmente nos anos em que havia pouco. Nas malhas também ainda aparecia algum cornelho, daí também ser procurado quando se fazia a malha, mas disseram-me que os homens do lenticão não gostavam muito do das malhas, porque era um cornelho partido.
    No tempo que já não o apanhavam pergunta o Luís se depois não era escolhido? Sim, era, pois como sabemos todos os fungos contaminam e a farinha de centeio contaminada com o fungo de centeio originou uma doença. Assim, o cornelho era devidamente separado do centeio para evitar contaminação da farinha.
    Quando em Setembro de 2010 fiz “O Mangual” referi a peneira circular que havia antigamente que acho que era usada para separar “o trigo do joio”. Mas o processo mais usado na nossa terra seria atirar a semente de centeio, trigo, milho ou feijão para cima e o vento encarregava-se de levar as cascas e outras sujeiras mais leves, como o cornejo que era um grão muito leve e ficava somente a semente de centeio.
    Tudo muda, e os campos dourados de centeio pelo sol do meio-dia foram substituídos por pinhal e todo o tipo de arbustos silvestres.

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  13. Helena um6/28/2016

    Hoje apanhei cornelho na minha terra chamava-se cornijoulo também não sabia para que era usado

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