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sábado, 6 de setembro de 2014

Na linha de partida

As andorinhas são aves migratórias que visitam o nosso país entre a primavera e o outono, altura em que se reproduzem. No final do verão migram para zonas de clima mais quente, como a África, onde permanecem durante o inverno.


Em meados de Agosto assisti ao que me pareceu ser um encontro de andorinhas. Nunca tinha reparado, mas é nos fios de electricidade e de telefone que elas juntinhas e alinhadas preparam o primeiro voo. Quer dizer, o primeiro voo de partida, já que o primeiríssimo deve ter sido uma espécie de trambolhão do ninho abaixo!
Fîquei a apreciá-las e a lembrar que em tempos aprendi que o voo das andorinhas marcava o fim do Verão e a chegada do tempo frio do Outono, mas as palavras de Outono deixarei para essa altura, a de Outono.
Grupo após grupo, atentas ao sinal que vem não sei de onde, ou de que maneira, elas estendem as asas e organizadamente voam, em bando, voo planado ou rápido.

Vai andorinha vai,
leva contigo um abraço
em tuas asas tão lindas,
no carinho do regaço

Quadra de Xicoalmeida. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A ARRANCA DAS BATATAS


Da mesa da cozinha de minha mãe, repetiu-se o ritual da preparação da "piqueta". 
Ela tem a paixão de, nos seus 84 anos, continuar a cultivar a sua horta no sítio do "porto", que de mimos lhe dá tudo o que necessita. Quando as forças ainda invejáveis não respondem, paga a alguém.
Tem orgulho na sua terra e verão ou inverno para lá acode. Anda encantada...
Estava eu em Forninhos por altura da Páscoa, quando me disse que ia "semear" as batatas no porto, se queria ir ajudar, tinha de madrugar. Disse-lhe que sim, até porque na crença ancestral, dali a três dias (25 de Abril) seria dia de S. Marcos, dia abençoado para a sementeira, afinal o dia em que no antigamente, os bois não trabalhavam - tinham mais um dia de descanso que as pessoas - e lá fui deitar as batatas ao rego, de madrugada.
Da "piqueta", recordo bem, ia a mesma cesta de verga e o "palhinhas" de dois litros de tinto. Apenas divergiu um pouco agora para a "arranca", o conteúdo da cesta, o bacalhau albardado, deu lugar a um delicioso chicharro frito. O resto, chouriça, queijo, azeitonas e presunto, mais a broa, lá estava.   
6 de Agosto, cerca de 4 meses volvidos...
Mal tinha amanhecido, bate à porta do meu quarto a perguntar se ia ajudar a arrancar as batatas...
- "já estou acordado, mãe", menti, mas o silêncio da rua e música da passarada no acordar, foi num rompante.
Vamos ver no que deu a sementeira e nem esperei ir sentado no tractor. Quando chegaram, já por lá andava, cheirando a terra e respondendo um "bom dia " aos mais madrugadores que passavam pelo caminho adjacente. Tempo fresco, mas tão bom...


Por detrás do milho verdejante, "ela" já estimava a logística, faz questão de tal, apesar desta família que com ela colabora ser da maior confiança. Como família.
Daqui o meu obrigado, público.


 O saber desta gente  de "outro mundo" pelo trabalho profissional, é inquestionável.


 Pedem meças a quem quer que seja!


A Ana, anda encantada. Bela e lisa batata, sem moléstia!
Não pára de tal dizer à minha mãe. "Ó mulher, estão assim porque tratei bem delas; muita rega lhes dei. Quem quer, trata". Verdade.


Trabalho feito, hora da "piqueta"!
Acreditem que ainda tocava o sino da igreja, as badaladas para as oito da manhã...


E que bem soube quase acordar com o trabalho feito. Quase parecia ter passado um dia, quanto mais ter começado a manhã.
Os nossos avós teriam orgulho em verem um bocadinho ainda dos seus costumes.
Até as batatas parecem ter outro sabor, nem que seja "estremes" e sem "conduto".
E aquele cheirinho a terra fresca desventrada logo pela manhã...

domingo, 31 de agosto de 2014

Cruciformes em Forninhos?

No seguimento dum post anterior "Motivos Cruciformes em Forninhosquero mostrar umas fotos recentemente tiradas em Forninhos, junto à Travessa do Lagar. Na altura, em comentário, escrevi "Acho que sei onde se encontra esculpida uma cruz também associada a alguns cruciformes". Por pura sorte descobri essa cruz (em negrito) e que alegria senti! (O XicoAlmeida é testemunha).
Trata-se duma casa ancestral, classificada na linguagem autóctone de "casinha rasteira" de pequena dimensão no comprimento e largura. Tem uma só porta e conserva, a meu ver, as pedras originais, mas pode não remeter para a presença de cristãos-novos porque a cruz gravada pode estar simplesmente associada a funções de invocação divina para protecção daquela casa (?). Não sei...o que sei é que história de Forninhos sente-se nas ruas e pedras das casas ainda de pé e que só os cristãos-novos tinham necessidade de assim provar a fé imposta, pois os que sempre foram cristãos (cristãos-velhos) não precisavam deste tipo de prova!



1 ou 2 cruzes?

Esta última foto não é a melhor, mas parece evidente que a pedra na parede não foi reutilizada, como por vezes os arqueólogos de formação nos querem fazer crer!
-/-
Uns dias antes dos "Motivos Cruciformes em Forninhos", tinha publicado um outro post que intitulei "A Forca" e como se lê o povo diz foi ali que matavam os judeus (para aceder siga por aqui).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O ZÉ PEQUENO

 

Chama-se Zé, estatura mediana, mas forte que nem um toiro na sua bravura e moiro de trabalho, não fora Forninhos deles descendentes.
Há muito que merecia um obrigado público e perguntarão, porquê?
Por ser talvez dos forninhenses mais ilustres e que atrás de si acarreta autênticas romarias de gentes nos dias de feiras, festas e romarias nas redondezas dos concelhos vizinhos.
Tal vi por estes dias de Agosto em que a ida a uma feira (Nova, Penalva e outras tantas...), era para comer o bom frango do Zé, a entremeada, a marrã e matar saudades de gentes que muitas vezes apenas  por cá passam uma vez por ano. 
Lembro de ir à feira de Fornos com o meu saudoso pai e os feirantes comprarem a carne para assar nestes espaços, pagando o vinho e o trigo. O Zé, ainda tal faz, o assador está à disposição e não fora ele, talvez uma ou outra feira, aonde já iria...
Pedi-lhe na festa da Senhora dos Verdes se podia falar dele e na feira de Penalva do Castelo disse que tal em breve iria fazer. Apenas disse "obrigado, estás à vontade..." e bebemos uma jeropiga fresca.
Portanto, este é o nosso grande amigo Zé Pequeno que não perde uma festa de Forninhos para tal inundar de cheiros gulosos, boa pinga e animação, em detrimento de feiras mais "gulosas".
E lá esteve nos 15 de Agosto, "barraca" montada no adro da capela. Afinal, a festa sem o Zé não seria festa, porque acarreta tamanha alegria e desafios...


Que importa a idade, já pagou a "promessa" e a Senhora dos Verdes já "mora" no chapéu.
Agora prepara a concertina, vai haver desgarrada.


Quase não se dá "vazão"aos pedidos...


Como está cheia a "tenda" do Zé! Ao fundo, um exímio tocador vai prendendo a atenção em desafio


A quem não se faz rogado...

As coisas que este Grande Zé Pequeno nos dá...
Bem hajas Zé!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Festa de Forninhos


Vamos ver aqui momentos da procissão do dia de Nossa Senhora que se realiza a cada 15 de Agosto que é o Dia da Assunção e é nesse dia que se celebram em muitos lugares do nosso país as festas em honra de Santa Maria, mãe de Jesus, sendo que na nossa terra é venerada desde tempos imemoriais com o título de Senhora dos Verdes.



As pessoas vão-se posicionando à sombra nos lugares de ver ou de participar













Acabada a procissão, segue-se as fotos do costume nestas situações, tal como eu com a minha madrinha. Depois as pessoas vão-se posicionando para participar na missa solene que celebra a Nossa Senhora dos Verdes...mas se viram com atenção repararam que Nossa Senhora de Fátima também faz parte desta procissão, assim como alguns santos da devoção (ou não) do povo de Forninhos.
...Continua...

Fotos: Xicoalmeida.

domingo, 24 de agosto de 2014

A "MALDIÇÃO" DE SÃO BARTOLOMEU

Dia 24 de Agosto é dia de S. Bartolomeu, menina fuja ao seu pai, que eu também fujo ao meu...


Pequena, mas bela esta cidade de Trancoso, recheada de história antiga, nobreza e bravura, ainda preservadas por dentro das suas soberanas Portas de El Rey, testemunho imensurável de um passado histórico, tal como idêntica dimensaão conquistou o famoso e eterno Profeta Bandarra, o Sapateiro, qual Nostradamus portugues, nascido em 1500 e que através das suas profecias e escritos do agrado dos judeus, esteve por Ordem do Santo Oficio para ser queimado na fogueira.
Por detrás da capela da imagem, outrora era um fervilhar de gente no dia de feira, sendo que a principal era neste dia em que escrevo, a Feira de São Bartolomeu, famosa pela compra, venda e troca de animais, com especial referencia a troca de burros.
Neste dia partiam de Forninhos calcorreando a pe mais de uma dezena de quilómetros, um rebanho de gente, tocando os animais para negociar na feira, desde as vacas, ovelhas e porcos, serra acima, mas com o credo na boca por ser o dia em que por ironia do destino ardia uma casa, como que o fogo partisse do nada.
Quem ficava, não acendia a lareira por medo, preferia comer de seco e quem voltava da feira, suspirava de alivio por nada de ruim ter acontecido, ficando mesmo assim em alerta até o dia acabar.
Era a maldição do dia de São Bartolomeu que também acometeu a nossa aldeia meio século atrás, reduzindo a cinzas a casa do ti António Melo.
Enquanto tal escrevo, meia dúzia de mulheres de idade conversam na sombra de um balcão de pedra, tão perto que as escuto, revivendo histórias antigas deste dia, quase sempre abafado de calor, tal como hoje.
Tudo parece calmo e nada melhor que ir escutar...