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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Outras histórias da aldeia

Melhor, estórias do demo. O borborinho!


Veste vários nomes conforme a região, sendo que muito parecidos e por tal aqui impera na nossa aldeia de Forninhos o "bolobrinho".
Afinal o que é? Um normal redemoinho de vento que pelo seu misticismo convém recordar, por fazer parte da cultura ancestral.
Levava com ele as almas penadas dos que haviam feito mal nos campos a outros agricultores e agora sem modo de se redimirem. Outros, acreditam que anda no ar o diabo ou as bruxas ou qualquer coisa ruim, sendo que quando ele se levanta, vai um diabo em cada folha...
E depois do Credo e Abrenúncio, o alívio do dizer de ...lá vai o bolobrinho!
Se quiserem "escutar", relato aquilo que ouvi dos poucos que procurei, pois falar de coisas de medos, ainda por cima quase segredos...mas cá vai o relato fiel.
Uma vez nas fraldas da serra de S. Pedro, a ceifa do centeio havia terminado. Mulheres e garotada rumaram para a aldeia ficando apenas os homens a fazer a meda do centeio depois dos molhos atados. Eis senão quando...vê-se um bolobrinho a formar e um dos homens disse "qualquer palavra mal dita" do que os outros não gostaram e por tal lhe taparam a boca - porventura o que lhes valeu - pois o bolobrinho ergueu pelos ares um molho de centeio e como que por magia o assentou direitinho no mesmo lugar!
Outra vez e esta mais pessoal, andava o meu pai na várzea da Ribeira, encostada ao rio Dão e esta parcela tinha dois poços de água, sendo que eram tirados a balde através do picanco, para o regadio, isto antes dos motores de rega. O outro que estava com meu pai, era o ti Luís, filho do ti Eduardo Bento. No entretanto, do outro lado do rio, na estrada que vem de Dornelas, surge um bolobrinho e o meu pai aflito grita para o outro que lá vinha o diabo e "este" arremeteu direitinho a ele sendo que o que o salvou foi ficar bem agarrado na vara do picanço, senão teria voado...
Também uma vez, andava um grupo nas lides do campo e eis que na hora da piqueta por ali passa um pouco ao lado, o bolobrinho. O dono da safra, pouco incomodado, atira para o meio do redemoinho de vento a faca com que cortava o pão e o conduto e trabalho feito foram para casa.
Dias passados, o compadre dele que ali tinha andado foi a sua casa e convidado para uma mastiga, vê em cima da mesa a faca que havia sido atirada. Estranhou e comentou que não se deve meter com quem lá vai. Quem lá vai, lá vai... e durante anos cismou no que se havia passado pois porventura o compadre podia fazer parte daqueles mistérios e medos.
Quem dizia que os bolobrinhos se formavam nas encruzilhadas dos caminhos, com certeza estaria a confundir tal com o lobisomem, este sim, outrora passava frente a casa da tia Adelina, onde foram criados os Pulhas, batendo fortemente os cascos...dizem que era da Matela, mas fica para outro dia...

33 comentários:

  1. Muitas destas estórias eram contadas depois da ceia, a refeição da noite, em especial, no tempo frio, em que os vizinhos se reuniam nas casas uns dos outros à volta da lareira e foi esses serões que ajudaram a perpetuar no tempo, ao longo de várias gerações, estórias de feiticeiras, lobisomens, almas do outro mundo e afins...
    E, claro, para os contos serem completos, não podia faltar os locais 'do crime'...
    Às estórias que mencionaste, acrescento uma bem recente. No ano passado (2014), a tia Otília 'papa' tinha uns toldes com feijões na Regada que desapareceram, melhor, gerou-se no povo um burburinho (= barulho) que os tinham roubado, mas uns trabalhadores que compunham o telhado do Constantino tinham visto feijões e tolde a voar. Ou seja, foi um bolborinho (=movimento de rotação em espiral de vento) que os levou pelo ar, da Regada até aos Olivais (courela do Luís Marques)!
    Com a anunciada chegada do furacão Joaquim o sucesso deste excelente 'post' está garantido! Mais uma vez, Parabéns!

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    1. E a estoria da tia Augusta Velha.
      Vizinha e amiga da tia Raquel, solteira e apegada a igreja. Amiga das amigas, sempre prestavel para todos.
      Isto que conto, tem dezenas, muitas, de anos idos...
      E falas tu em locais, sim, este a caminho da Eira onde a coisa se desenrolou.
      As mulheres na altura usavam aquelas vestimentas de saia, combinacao e cuecas tipo ceroulas.
      No colocar a conversa em dia, um pouco apressada pelo chegar da noite que o dia tinha sido quente e havia a ceia a fazer, eis que surge o barulho do nada. O borborinho!
      Estas gentes estavam acostumadas a estes fenomenos e por tal sendo fracos, pouco ou nada ligavam ao ponto de no gozo gritarem "vai embora demonio"., continuando a conversa, mas e ao que se conta por quem ainda recorda deste caso, o vento soprou mais forte, e inchando mudou a direcao e voltou...
      Rondou e voltou a rondar o estrume do patio da tia Augusta Velha e...
      redundante e intempestivo, levanta o saiote da tia Augusta e com duas fortes palmadas no rabo se despediu.
      Ela nunca tal negou que o vento lhe bateu, vindo de onde fora, forte no "sim senhor".


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    2. ...." levava com ele as almas penadas dos que haviam feito mal no campo a outros agricultores..."
      ....." e durante os anos cismou..."
      .." ainda por cima quase segredos..."

      Parabéns ao autor ...." ao dono da safra "

      Abr
      MG

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    3. Aquando da desconfianca as pessoas por se sentirem donos da sua razao e mal compreendidos...cismam. Natural, digo eu.
      Mas adoro e tal assumo, gosto destas crendices que contadas por pessoas inteligentes por vidas vividas, trazem sempre um pouco de sabedoria que o tempo nao desmente.
      E tantos segredos guardados que algumas almas penadas levaram...
      Um abraco.

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    4. Aqueles escumungados a abananarem-se com tanta verdade, junto do
      abicadouro, de abelinha na mão ,fogem da abestema , com o abis sem comida , a aboticar o futuro , com as aduelas partidas , alambiados de " americano "
      Que escumungados .....!!!

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    5. Por terreno arúsco , caminhou o arqueiro , muito simpático foi
      arreceber-se á cidade , com minha avó Bela sorrindo a asservar....
      1935 in S J Latrão

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    6. Comi albacora , em casa de um alfario , fui aprantar semilhas no meio
      da balceira , ao longe avistei um bambote , com bangulho á mostra ,
      minha avó fazia bastido , enquanto o marido bebesto olhava - a de
      cigarro nas beiças...!

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    7. Este comentário foi removido pelo autor.

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    8. Este comentário foi removido pelo autor.

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    9. Inspirado no homem dos papagaios de papel, da minha infância ,
      meu primo , que já partiu , contava assim :

      ....oh , gato , que força é a tua , que comes o rato , o rato fura a parede,
      a parede tapa o vento , o vento espalha as nuvens , as nuvens tapam o Sol , o Sol derrete a neve e a neve o meu pé prende .....
      .....tão forte que eu sou..... que o cão me come....!!
      ....oh , cão !! Que força é a tua , que. comes o gato , o gato come o rato , o rato fura a parede , a parede tapa o vento , o vento espalha as nuvens ,
      as nuvens tapam o Sol , o Sol derrete a neve , e , a neve o meu pé prende....
      ....tão forte que eu sou , que o pau me bate ...
      ....oh , pau !! Que força é a tua , que bates no cão , o cão come o gato , o gato. come o rato.....
      ......tão forte que eu sou que o lume me arde ....
      .......tão forte que eu sou que a agua me apaga....

      E por aí fora !!

      Abr
      MG

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  2. Histórias que deliciavam os mais novos! Eu recordo belos momentos à lareira da minha avó! Essa magia perdeu_se no tempo! Tenho uma tia com 94 anos que conta e reconta com mestria e nós não nos cansamos de a ouvir! Interessante e bem curioso o "bolborinho"! Boa noite!

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    1. Pessoalmente ainda tenho o enorme privilegio de poder conviver com a minha mae e o regalo das suas narrativas que de memorias caminham para os oitenta e seis anos de juventude. Gosta de partilhar coisas dela e de ser escutada, pois tambem fala pelos seus pais e avos, numa sabedoria infinita. Por tal e por sentimento, aquando aqui escravinho meia duzia de palavras a ela socorro.
      Tal como este termo do "bolobrinho" que quase se abespinhou por porventura nao ser correcto.
      " Sempre assim o ouvi, nao duvides, se queres queres, senao o diabo te carregue e desliga...uma parte destas...".
      Beijo.

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  3. Em pequeno (seis, sete anos), aprendi que era borborinho e ainda hoje para mim o é. O que me ensinaram, na infância, só morrerá comigo, herança de meus avós paternos. Hoje, se é bolobrinho, a mim não me diz nada, com tantos acordos ortográficos, já nada admira. Mais digo, de bolo (brinho) acho que não tem nada, este fenómeno da natureza, mais se parece com um túnel em redopio.
    Assisti, há bem pouco tempo, a um em Moreira, estava eu, sentado na esplanada do café das bombas de gasolina, mas o que ainda recordo, em pequeno, nos terrenos da família Guerrilha por baixo da casa do Luis Rebelo, milho já pronto para cortar, pó junto com folhas de milho em redopio, inclinando-se ora para a esquerda ora para a direita, em assobio crescente ora decrescente, indo para trás e para a frente e eu a ouvir as pessoas mais velhas que eu, como que em prece, FEIO, FEIO, FEIO. Vim a saber depois, que este chamamento, era para o borborinho se ir embora (desfazer).
    Amigos, é o que guardo, da minha infância em Forninhos. Certo ou errado, é o que fica comigo.
    Bom fim de semana.

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    1. Deixa-me fazer aqui um reparo, Henrique. No meu dicionário desde sempre foi borborinho até o Xico fazer o texto (discutimos acerca...). Então, para tirar as dúvidas, contactei os meus pais, que me confirmaram que em Forninhos se diz bolobrinho. Pedi desculpas ao Xico ;-), claro!
      Pergunta à tua mãe também, pois é umas das mulheres mais velhas de Forninhos.
      Agora gostei muito do FEIO, FEIO, FEIO.
      Da janela dos nossos tios Júlia/António Carau para os lados do Picão, direcção casa do tio do Xico, do tio Almeida/D. Helena vi um dia um. Já não me lembro bem das expressões usadas pela tia Júlia, mas acho que era Credo/Abrenúncio, para o borborinho se desfazer.
      Tenho algumas fotos tiradas dessa janela, mas que pena não ter o registo desse dia!
      Bom fim de semana.

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    2. Pessoalmente e por enquanto nada ligo a acordos otograficos. nada me diz a nao ser que uma mae deu a sua filha para adopcao e por tal escrevo como o meu sentimento me manda.
      Tantas palavras aqui escritas que nao se encontram em qualquer registo, a nao ser na nossa dialectica endogena, tal como de outras aldeias com outra terminologia.
      Andei dois dias a matutar neste termo "bolobrinho" por ser aquele que mais alguma coisa me dizia ao ponto de vasculhar na Net, mas as parcas memorias apontavam para ele e por tal, confirmar. Foi o que fiz como de costume para nao cometer erros crassos que aqui se podem pagar caros. Sei do que falo pois a responsabilidade aumenta a cada dia que passa e "isto" tem ja uma dimensao bastante elevada que vai muito alem de uma simples aldeia.
      Mas corro o risco mais que recompensado de ajudar a fazer um levantamento historico, lirico, cultural e mesmo religioso, mesmo tendo pela frente o "Muro" da vergonha que jamais querera que tirem a pala dos olhos...
      Ja aqui escrevi de lobos, feiticeiras, ciganos e maus olhados e digo que sinto um enorme prazer em tal.
      As nossas palavras valem exactamente o mesmo que as pronunciadas na Assembleia da Republica. Sao para quem as percebe e poderem ser perpectuadas.
      O Mirandes, lingua oficial em Portugal disso faz exemplo.
      Adorei o termo, Feio, Feio, Feio, porventura proferido pelos mais novos em modo de brincadeira, sendo que os pais ao lado, com os dedos das maos encaixados numa suplica, murmuravam mais baixo que o bolobrinho "Ai Credo, Desaparece Diabo para as Profundezas".
      Um abraco, Henrique.

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    3. Em todas as aldeias deve haver um dicionário de palavras quase localistas. Forninhos não é excepção. Acho que são formas de dizer que muitas pessoas sequer valorizam. A própria Junta de Freguesia de Forninhos (a ver pelo conteúdo da "monografia" que encomendou) desvalorizou por completo o nosso linguajar. É só um grande exemplo!
      No entanto para mim, estas palavras são históricas.
      Já disse acima que no meu dicionário desde sempre foi borborinho. O normal era borborinho e não me passava pela cabeça que fosse bolobrinho.
      Mas também, por exemplo, para mim borbulhas sempre foi borbulhas e na nossa terra diziam/dizem impôlas ou empôlas. Onde terá o povo ido buscar esta palavra?
      Sei lá, nem me interessa agora, mas com isto já deixei na barra lateral do blog "Porquê este blog?" que este espaço não só não respeita o Acordo Ortográfico, como não respeita as normas da escrita da língua portuguesa oficial nalguns casos concretos de rigorosa expressão oral de Forninhos.
      Bom domingo!

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  4. Histórias que encantavam e faziam arregalar os olhos dos pequenos...Lindo! bjs, chica

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    1. E esbugalhar os dos graudos!
      Uma alegria para o que era erguido no ar e voava e o terror de quem podia perder o tanto que tratara com sacrificio.
      Agora dizem um tufao ou coisa parecida, ate perde a alguma graca que tinha...
      Beijo Chica

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  5. Quando eu era menina convivia essencialmente com o pessoal que vinha das aldeias nortenhas para a seca do bacalhau. Não havia TV , e até rádio era luxo do gerente, e do empregado de escritório. Mais ninguém tinha. Os serões eram passados com histórias de bruxas de lobisomens, e do demo que diziam costumava aparecer disfarçado de dama de pés de cabra. Os meus pais falavam de borborinho, que diziam ser as almas penadas. E nos ensinaram a fazer o sinal da Cruz, para não sermos atacados por elas. Não sabia que se chamava bolobrinho.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. O termo bate no mesmo significado da sua essencia.
      Um redemoinho de ventos fortes inesperados que apanhando os camponeses de surpresa, lhes arremetia medos e crendices pelos tempos fora.
      Claro que nos tempos mortos e na morrinha da lareira, a atencao era prendida para os mais novos fermentarem sonhos do se seria verdade ou apenas enganos. Mas importante era que deste modo se ia semeando cultura nos filhos e netos durante os sonhos.Venciam medos de bruxas e lobisomens, aprendiam o sinal da cruz para esconjurar o demo e faziam figas para as feiticeiras.
      E mesmo na vinda da escola ou no recreio quando havia uma bulha, se gritavs que andavam todos num bolobrinho...
      Um abraco, Elvira

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  6. Boa tarde Xico,
    Uma narrativa excelente de um tema que era frequente na minha aldeia! Só que era-lhe atribuída a alcunha de "pujinho". Volta e meia lá dizia o meu avô: - lá vem o pujinjo/ pojinho (não sei a grafia correcta), afastem-se!
    Não conhecia o termo borborinho (tanto que aqui aprendo) e nas minhas pesquisas para encontrar o termo usado lá na aldeia constatei que o borborinho «se forma no meio de campos e nos caminhos sobre as folhas e as culturas». Recordo-me que acontecia, das vezes que o presenciei, quando os meus avós aproveitando o vento separavam as cascas secas do feijão depois da debulha! Achei esta relação muito interessante.
    Agradeço-lhe ter partilhado esta estória que mais uma vez me fez recuar no tempo! Lembrar-me dos meus avós é sempre uma carícia no coração como um vento que passa e me comove.
    Um beijinho e bom fim-de-semana.
    Ailime
    (O tal pujinho é que pelo jeito não existe,))

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    1. Amiga Ailime,
      Existe o pujinho, o bolobrinho e outros que tais sendo que o que se vai perdendo traz um misto de tristeza e saudade.
      Como que um pintor na frente da tela, ter falta da tinta certa para no pintar deixar memorias.
      Essas memorias que daquilo que ainda recordo, nos extasiava ao ver subir, subir ate ao infinito, roupas penduradas a secar em montes de lenha, folhas de milho e feijao, gritos de deus nos acuda para enfiar as galinhas nos galinheiros, mas aquilo era tao rapido...
      Nessa rapidez outro milagre. Rezas, esconjuras, promessas variadas
      de gentes pensadas que por momentos tinham as vidas perdidas.
      E aquele olhar fixado no horizonte de onde caiam os restos do "roubo"
      por entre hortas e lameiros, fugindo satisfeito por entre pinheiros, tinha a certeza que o pior ja la ia.
      Cruzes, canhoto!!!

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    2. Boa tarde Xico,
      Achei graça! Só que o meu avô não era de rezas...Era uma pessoa muito paciente, muitíssimo humilde, muito trabalhador e tinha as suas próprias convicções! Acho que acreditava nas forças da natureza e aprendeu a lidar com elas!
      Beijinhos para si e Paula.
      Boa semana.
      Ailime

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  7. Adoro estas tuas estórias.Crenças, usos e costumes!´
    Que sorte a tua que a sabes e a nossa porque as partilhas.

    Beijinhos.

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    1. Quem dera saber estas estorias, minha amiga.
      Simplesmente uma ou outra lembranca que aquando tem com ela a saudade, me leva a procurar junto das pessoas mais velhas que abram um pouco das suas janelas de vida.
      Acredite que soltam estorias de sorriso rasgado, mas com algum receio de que nao se escreva tal como fora ditado.
      Gente que nem aprendeu a escrever o nome...
      Gente que fica no quadro de honra da historia!
      Esta sim, a minha gente e jamais irei esquecer.
      Um beijinho para si.

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  8. Algo de muito instrutivo para mim, porque nunca tinha ouvido falar desse "bolobrinho"!... Afinal um redemoinho de vento carregado de misticismo, e com força suficiente para levar o diabo em cada folha, e algo mais se fosse o caso.
    E do picanço também nunca ouvira falar!
    Obrigada, pelas lições acerca dessa terra tão peculiar.
    Bom domingo.
    xx

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    1. Boa noite Laura.
      Porventura o termo bolobrinho nem exista na nossa "produtiva" gramática, mas tal pouco me incomoda. A minha linguagem fui assimilando e tem por base o linguajar puro e deturpado no bom sentido que com os tempos se foram colando no modo de ser das minhas gentes e das quais me orgulho.
      O vernaculo antigo e do qual ainda me lembro numa ou outra exclamação, mesmo dos mais puritanos, tinha por base o galego dos almocreves e ciganos e negociadores de gado. Mais o "falar sozinho" dos pastores que por tantos dias passados na serra, com ela se misturavam. O rebanho, as aves nocturnas, lobos, raposas e medos, de modo que quando desciam para a aldeia, pareciam uns estranhos no modo de falar. Afinal, o nascer da língua portuguesa.
      Este tema nasceu neste período de eleições. Confesso que gosto de acompanhar e estar atento a politica e depois dos resultados, pensei para comigo que as coisas iriam dar um bolobrinho. Ou seria borborinho? Ou...
      Porventura por lembrar que em miúdo, aos domingos, se fazia o bailarico no Largo da Lameira ao toque do realejo ou concertina e a "coisa" dos namoricos acabava por norma num burburinho de murros e pontapés. Era a confusão total no grito de "quem acode...".
      E uma figura "sinistra" que aparecia do lugar de Colheirinhas com o apelido de Barburinho.
      Foi o que me aprouve dizer no momento, pelo nome, mas acima de tudo pelas recordações e misticismo. Mentiroso seria se negasse que gosto destas coisas, pois uma crendice tem por mais pequena que seja, substância...
      Quanto ao picanço, engenho romano para tirar agua dos poços, digo que nesta terra "peculiar", apenas digo que mergulhando um dia inteiro de caldeiros de agua, a mesma não consegue lavar as almas penadas nem as folhas dos demónios.
      Nem com agua benta!
      Beijinho e bom domingo.

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    2. Ah claro que todo o linguajar e toda a crendice, por mais pequena que seja traz consigo muita substância, e por convém que todas essas expressões e crenças não se percam.
      E que os resultados eleitorais causaram e continuam a causar borborinho, é um facto. Vamos ver como a coisa acaba!...;-)
      Boa semana, Xico.
      xx

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  9. Oi Xico e Paula, das férias lendo a empolgante narração! Há histórias que nos deixam arrepiados e perplexos. Gostei desta! Abraços

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    1. E eis que senao... com ar de mau
      Medonho, aparece o bolobrinho.
      Olhando a mesa com deleite
      Mete a boca no suminho
      A garrafa do azeite
      E pasteis de bacalhau

      Boas ferias, beijos e abracos.

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  10. Se me ajeito, noite distante
    Arremedos de um bolobrinho
    Como medos de estar sozinho
    Na manha que vira adiante

    Almas nas costas do viajante
    De mistelas em copos de vinho
    Diria porventura o povinho
    Que as bruxas vao adiante

    Nas folhas ia coisa estranha
    Coisas contadas dos mais antigos
    E que nos medos a avo ralha

    Que o que viam no voar dos perigos
    Remoinhos com fachos de palha
    Simples alerta dos inimigos

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  11. O nosso povo passou muito ao longo dos séculos. Celtas, Romanos, Suevos Visigodos e, por fim, os Mouros...todos vieram cá chatear. Feiticeiras, lobisomens, Mulas sem cabeça e bolobrinhos foram só mais uns quantos a chatear.
    No caso do aparecimento do bolobrinho parece que era uma espécie de vingança "aos que haviam feito mal nos campos a outros agricultores". Mas é engraçada a forma como o povo o enfrentava, com um certo humor. É assim que eu vejo este FEIO, FEIO, FEIO ou ABRENÚNCIO, aos quais acho piada!
    É que a expressão: Cruzes! Credo! Abrenúncio! também se dizia quando alguém fazia uma proposta considerada menos decente.
    Bom domingo p todos!

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  12. Mais um interessante artigo a lembrar termos já em desuso!
    Embora já andando por longe há mais de 50 anos, essa do Credo Abrenuncio, é me bem familiar.
    Quando ao ser borburinho ou bolobrinho, "cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso"!

    Um abraço de amizade fornense.

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