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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Forninhos- Divino Espírito Santo (2013)

Será dia 20 de Maio, quando as flores já alindam os nossos campos. O dia começa com a saída das procissões às 10h45 rumo à Capela e com missa campal, ao meio-dia. 
A tarde será animada com boas comidinhas, bons petiscos, com serviço de bar, música ao vivo, bailarico e cantorias...sem hora de fecho, claro!


E, até lá, quem puder vá ensaiando o pezinho para a dança. O Arraial começa pelas 21h30 de Domingo, dia 19, com o Grupo Musical: INNEM. Segunda-Feira, dia 20, Depois da oração do terço (rosário): TaskaVelha. 
Contamos com todos!

Nota muito importante:
No dia 3 de Maio, é "Dia de Santa Cruz". O Voto, Procissão de Ladaínhas à N.S. dos Verdes é, de manhã, pelas 9h00. De seguida, colocam uma cruz de pau nos campos já semeados, para que durante o ano, a peste, a praga, a trovoada, não entre nos nossos campos e a fome na nossa casa. 
Você já pensou o porquê desta antiquíssima tradição?

Veja aqui a lenda, história e explicação.

sábado, 27 de abril de 2013

"Gatos Pingados" (ou não)



Na minha terra, Forninhos, todas as casas tinham um gato. Ou dois...a sua função era caçarem bicharocos como lagartixas, osgas e, principalmente, ratos, pois em tempos mais antigos não havia raticidas e, por isso, todas tinham gatos para os caçar. Um provérbio inspirado nesta situação é: "casa que não tem gato, tem ratos".
Baptizados de: Malhado. Farrusco. Pintado. Tareco. E até Platini! Penso que havia mais nomes que, neste momento, não recordo. Mas, para nós, crianças, era perfeitamente natural chamar os gatos daquela maneira inconfundível: "Biiichiiinhooo, bsbsbsbsbsbs..." e o bicho vinha e aguardava pela comidinha ou pela "festinha" - pela mão que lhe acariciava o pêlo. Agora, com as casas cada vez mais vazias (também de ratos lololo) serão menos frequentes os gatos. Quando se sai da terra...e depois se volta é que uma pessoa dá por ela... 
E, quem não se lembra do buraco na porta da casa ou da adega para que o gato pudesse passar? 
Por falar do tal buraco, não deixem de visitar este "Post": Os Cravelhos.
Já agora, apresento-vos o gato dos meus pais, o "Max":



Bom Fim de Semana.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Minérios, uma história antiga

Não sei se os leitores forninhenses sabem que no tempo da Guerra de 1939-45, foi descoberto um filão de volfrâmio (minério na nossa terra), na linha de água à volta do sítio do Picão, em Forninhos. O local ficou conhecido como o "Poço do Minério". Sem que se possa ser confirmado, o poço tinha 10/12 (?) metros de profundidade e têm referido que existe, por baixo, ainda um 2.º poço, maior.
Imaginam como se desenvolvia o processo de recolha? A cavar, escavacar e limpar. Como na mina havia água a correr, os “mineiros”, deixavam escorrer a terra, retendo num crivo as pedras, das quais só guardavam as que tinham metal agarrado e, ao final da semana, era vendido a intermediários que o transaccionavam para terceiros, de modo a que no final o minério fosse parar às mãos de ingleses e de italianos (o metal comprado pelos italianos era encaminhado para as grandes fábricas de armamento existentes na Alemanha, visto que estes eram aliados dos alemães nessa guerra). 
Também apareceu na nossa zona outros metais de importância naquele tempo: estanho e berílio, mas que hoje não têm qualquer valor…
E será que ainda existe minério no poço? Acho eu que sim, que ainda deve haver a grandes profundidades, só que se tentarem encontrar por lá minério, hoje, não fiquem frustrados se não lhe virem nem a cor lolloll.
Talvez também não saibam que muitas pessoas de Forninhos (algumas ainda vivas), do poço do minério tiraram contos e contos de réis que, como vieram assim se foram, deixando rastos de vícios e de bebedeiras. Mas, outros livraram as suas famílias de apertos e até de dívidas, algumas pessoas jovens puderam inclusive dar dinheiro do minério aos seus pais e estes puderam comprar coisas importantes como uma junta de vacas. Para os preços da época o minério era muito bem pago. Os homens ganhavam 10 a 12 escudos por dia (um euro de hoje são 200 escudos de 2002).
Comparo o fenómeno “minério” com o que se passou mais tarde com a emigração que, apesar de muitos traumas e problemas, do ponto de vista do rendimento familiar foi vantajosa para muitas famílias.
Esta história passou-se há 70 anos na nossa terra, somente a apresento aos leitores do blog dos forninhenses, pertencendo à Geologia uma análise mais profunda. Mas sempre acrescento que o tungsténio (volfrâmio é o nome popular para o tungsténio) é raro no mundo e que Portugal é dos países onde ele existe.


O volfrâmio é castanho, mais para o escuro e por vezes acompanhado de um pó também castanho. É muito duro e era usado no fabrico de balas e de canhões.

O estanho é cinza claro, às vezes com uns veios quase brancos; O estanho, além de anti-corrosivo é usado no fabrico do bronze – que recobre armas expostas às intempéries (as da Marinha, por exemplo).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

As Papas Laberças

Papas Laberças de vinha d´alhos

Em tempo idos, as papas laberças eram uma iguaria comum na mesa do pobre e do rico, cuja origem vem da cozinha regional da Beira Alta. Era e ainda é nalguns locais, uma papa ou sopa, dependendo da sua espessura, típica do inverno, quando o frio apertava e os porcos eram desmanchados.A sua receita varia mesmo dentro da Beira, de aldeia para aldeia, mas mantém a essência tradicional.
Em Forninhos era na maioria das casas feitas do modo que passo a descrever:
Depois da carne do porco separada, parte  ficava a marinar em vinha d'alhos para fazer as chouriças da carne e dos boches, juntamente com os coiros cortados à parte, e isto era importante na feitura das papas laberças. Era importante porque na panela de ferro com um pouco de água, colocavam-se alguns coiros já avinhados a cozer o tempo suficiente para libertarem o sabor na água. Depois de retirados, juntava-se couve galega migada e farinha de milho préviamente desfeita em água morna, bem mexida para não ganhar grumos, o sal e um fio de azeite.
Tudo isto mexido com colher de pau, mas falta o segredo que diferenciava as da nossa terra das outras. Era juntar uma gadanha do molho de vinha d'alhos, deixar cozer e estava feito o manjar, infelizmente já raro, sem a farinha de milho que o moleiro trazia e a quase extinção das matações.
E os coiros cozidos, assados na brasa em cima da grelha, uma fatia de pão e um copo de tinto? Uma coisa do outro mundo!

domingo, 14 de abril de 2013

O Linho

O linho dava muito trabalho, desde a semente até às toalhas e panos branquinhos. Tudo começava pela sementeira, que acontecia entre Março e Abril e três meses depois estava pronto para arrancar e começar uma série de operações até obter o tecido do linho, que muitos leitores se calhar nunca o viram a não ser já costurado…mas quem quiser pode ver o aspecto da semente e planta AQUI.


O linho era semeado em terrenos húmidos e com bastante água, pois o linho exige muita rega, muita água. Depois de arrancado (com raíz e tudo) era ripado no ripanço, 

levado em molhos para a água do ribeiro do “Linha'do ribeiro” e poças das Androas, etc, para curtir, enterrado na água, e depois cerca de duas semanas iam estender os molhos nos lenteiros; enriquecida a fibra era levado para casa e aí começava outra série de tarefas até à fiação e à feitura das peças de uso doméstico, como camisas e lençóis e também religioso, como toalhas dos altares.

Era preciso bater muito o linho e durante muito tempo, com um maço; esfrega-lo sobre uma pedra para tirar-lhe a casca rija e fazer as “amuças”. Depois o linho era tascado no cortiço com um instrumento chamado espatela ou espadela.

No cedeiro era separado o linho mais fino do mais grosseiro – a estopa. O linho em “fêvera” fica na mão da tascadeira e a estopa cai no chão e depois destas operações ficam as “estrias” ou “estrigas” como se dizia em Forninhos, que era a quantidade de linho ainda em “rolo”, que depois passam à fiação, na roca, com o fuso.  
E para que servia a estopa? Para fazer sacos que eram vendidos na Santa Eufêmia da Matança.

Da fiação ao tear vai ainda muito trabalho

linho era então fiado com roca adequada. As mulheres punham-no na roca para depois o puxarem com os dedos, molhando-o, lambendo os dedos e dele fazerem fios, enrolando-os no fuso. Desta operação resultam as maçarocas que são postas no sarilho para dar as “meadas”.  


Barreladas em água a ferver com cinza numa panela de ferro, até o linho amolecer, passam depois à dobadoira para fazer os novelos que vão ao tear, donde sai o pano, que depois de corado alguns dias ao sol (tinham de ser regados permanentemente) serve para fazer utilidades para a casa e roupa de cama e outra. 


Os teares são também peças-chave do processo e eram indispensáveis a quem, tendo linho, queria então fazer lençóis, toalhas, panos para tapar as cestas e tabuleiros, camisas. Quem tinha linho e queria fazer peças procuravam as tecedeiras – tecelãs – de fora, mas parece que há muitos anos atrás houve teares na nossa aldeia, uma oficina onde se tecia o linho, nos fundos da casa que foi do tio Armando Castanheira, quem o fazia era uma senhora chamada Leonor, irmã da tia Ana Castanheira.


Nos teares também se faziam as mantas e passadeiras de trapos, encomendadas aos farrapeiros de fora.

A vida era muito variada numa aldeia muito habitada, como o foi Forninhos. Hoje nada disto existe. Mas como o frio e chuva estão a ir embora e regressa a vida aos campos,  preparei  uma III peça sobre o cultivo e tratamento do linho, que até há 50/60 anos muita gente o cultivou. Era uma tarefa muito trabalhosa, durante 4/6 meses em cada ano, é certo, mas muito, muito interessante.

Nota:
Arquivemos ainda a nomenclatura das medidas do linho: 2 "amuças" eram uma estria. 12 estrias e uma amuça - era um afresal; 25 estrias - eram um adeito.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A sementeira das batatas


Com a chegada da Primavera, chega a época das sementeiras. A agricultura é uma das formas de subsistência das aldeias e uma das práticas agrícolas é plantar as batatas, dado ser um tubérculo,  mas na gíria popular sempre se disse semear as batatas.
Nos terrenos maiores, antigamente a terra era lavrada com arado, puxado pelas vacas, agora mandam os tractores. Nas courelas pequenas, era a força dos braços que rasgava a terra, até ficar mole e solta, para deixar mais facilmente entrar a água. Este modo de cavar a terra sempre me atraiu, por ser mais ancestral e quase primitivo.
Primeiro levava-se o estrume proveniente da cama dos animais, em vez do actual adubo e espalhava-se pela terra. Depois é o som cavo das enxadas, com os homens em desafio, pingados de suor, a abrir as entranhas da terra.
No dia anterior as mulheres cortam as batatas de semente, já bem greladas e muitas vezes pagas a peso de ouro. Eram as de montalegre,  a rambana e a rancónsul as qualidades mais usadas e mais produtivas e um saco destas semeado, dava depois quase o suficiente para abastecer uma casa todo o ano.
Conforme se iam cortando, deitavam-se em canastros de verga e cestos de vime e eram levadas para a courela. Eram então abertos os regos e os pedaços de batata colocados com cuidado pela mão das mulheres e crianças, em carreirinha, depois eram tapadas pela terra do rego seguinte e assim sucessivamente.
Terminado, faltava enfeitar a sementeira.
Era então ladeada com a plantação de pequenas couves e alfaces intercaladas e regadas de seguida para agarrarem à terra. Parecia um jardim, mas quando crescessem, que belo caldo verde e saladinha!
Este ano o tempo pregou a partida, chuva, frio e os terrenos impróprios para as sementeiras, estão alagados e ensopados e até apetece citar os provérbios populares do tempo: 
"Em Abril queima a velha o carro e o carril e dá a filha por pão a quem lha pedir". 
"Em Abril queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio para comer as cerejas ao borralho". 
"Uma velha em Abril queimou o carro e o carril, uma camba que lhe sobrou para Maio a guardou e um bocado que lhe sobrou como um punho ainda o guardou para Junho.".

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Coisas de outros tempos!



Esta é uma escritura do arquivo pessoal de João Ferreira Albuquerque, feita em papel selado. Tem a data de quatorze de Maio de mil oito centos e noventa e nove, 1899, e diz que é vendida a José Ferreira e sua Justina de Mello do lugar e freguesia de Forninhos, concelho de Aguiar da Beira, uma velga de terra que produz milho e feijão no sítio dos Carregais com seis dias d'aguas de regar e limar cada 4 dias da semana são 2 que pertencem à dita velga. Havendo juntamente um quarto de uma laija que pertence à mesma propriedade; foi pelo preço e quantia certa de 13,500 reis dinheiro corrente neste Reino.
A figura mostra o carimbo com o escudo da Monarquia, o qual é rodeado pelas seguintes palavras "IMPOSTO DO SELLO ***100 RÉIS***".
Mantive a ortografia tal qual está!
Tudo mudou de então para cá. Dantes, na agricultura, as regas eram partidas, ou seja, havia dias e meios-dias a que tinham direito à água daquela poça d'abrir ou poço e esse direito era lavrado em escritura. Agora já não é assim e os antigos foram-se, mas ainda há em Forninhos pessoas (poucas) que conhecem o registo das várias águas das nascentes e que, na minha opinião, devíamos ouvir o quanto antes, de modo a que estes "sinais" fiquem gravados, porque quantos mais anos vão passando, mais pormenores se perdem.
Quem souber como era e conhecer estórias d'outros tempos relacionados com as partilhas das águas, deixe-nos aqui em comentário esse contributo. Agradecemos todos.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O bolo de azeite na tradição da Páscoa de Forninhos

Quem conhece as tradições da nossa terra sabe que a Páscoa não é Páscoa sem o bolo de azeite, por tal volto a falar desta preciosidade gastronómica e das mãos que calorosamente os fazem bem feitos. É um tema do meu especial agrado até porque quando penso e falo ou escrevo sobre alguma coisa típica da minha terra e que tende a acabar (infelizmente) é a feitura e qualidade dos bolos de azeite. A receita não tem segredo,

 leva fermento e farinha do padeiro, ovos, sal, azeite e aguardente
e trabalho
 quando a massa forma bolhas e as mãos saem limpas
estão bem amassados e ficam então a fintar cerca de 2h
De seguida, são tendidos
 tudo feito com o carinho e mãos experientes
em forma de bola ficam a "descansar" uns minutos+ no tabuleiro
Também o forno é aquecido, por quem sabe, 
pois não há termómetro para medir a temperatura

é tudo feito com conhecimentos adquiridos ao longo dos tempos.

Com uma Primavera muito molhada nesta época de Páscoa, ainda assim os caminhos são embelezados pelas campaínhas que resistem em mostrar a sua beleza. 

A todos os leitores continuação de boa Páscoa, que se estende até à Pascoela!