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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Caminhos de Castendo...

Caminhos calcorreados a pé para esta agora vila chamada de Penalva dos Castelo.
Gentes carregadas às costas ou à cabeça do que aprouvera poupar para ir vender na feira.
As gentes das redondezas, aldeias e lugares vizinhos que comungavam os ventos, chuvas e geadas, para tal bastava olhar o modo do céu se cobrir: "vem lá debaixo, dos lados de Sezures e já veio de Castendo, temos chuva...".
Forninhos sempre foi pelo menos primo das gentes deste concelho de Penalva e por tal lá ia às sextas-feiras e continua. Faz parte!

"Apeado, carregado p'ra Castendo
Mal fora não saber caminhos
Até lá sai mais um copo
Não riam, fiquem sabendo
É gente que vem de Forninhos".

`

Temos por aqui trazido raízes da terra, lugares que nos circudam e por tal intrínsecos nas vivências, numa comunhão natural em que aqui e ali, poucos quilómetros adiante, ainda se convive num funeral ou casamento.
O Município de Penalva do Castelo, tal como aqui disse no ano transacto, está de parabéns e a prova de tal é nesta festa ser disputado pelos canais televisivos de maior audiência.
Um exemplo para edilidades vizinhas...

sábado, 24 de janeiro de 2015

A Diáspora

Ultrapassada a fase de alargamento territorial e imposição religiosa, no século XIX e por motivos comercialistas, surge a grande vaga rumo ao Brasil, um acto de coragem em arriscar o bem estar familiar e social, em prol de outros anseios económicos e para tal sacrificar o "pé de meia" guardado com sacrifício para algum "achaque" que viesse.
Assim começou a "diáspora " portuguesa tantos séculos atrás, fazendo jus ao termo grego que seria a dispersão de qualquer povo ou etnia pelo mundo. Hoje, a pátria Lusa tem cerca de dez milhões residentes e cerca de cinco milhões (contando com os luso-descendentes) espalhados pelo mundo. 
De Forninhos partiam quais fidalgos de pés e mãos encardidas, escondidas no fato a preceito para impressionar na chegada, mas orgulhosos de serem gente de bem, que eram!
Paralelamente à América do Sul, a do Norte também "acenava" convidativa por fervilhar de riqueza na altura para quem para tal tivesse engenho e arte.
Começam a aparecer as "cartas de chamada", quantas vezes forjadas. O meu avô Francisco, por exemplo, para lá abalou e felizmente voltou pensando trazer com ele uma fortuna, mas apanhou a recessão da América e os dólares pouco mais valiam que uma cavaca de pinheiro na lareira.
Males que vêm por bem, caso contrário não teria conhecido este meu avô, conjuntamente com meus pais, a melhor coisa da minha vida na altura. Foi e voltou para a sua casa, coisa que outros tal não puderam fazer.
A maioria adoptou a nacionalidade dos países que escolheram para viver e apenas uma maioria ia regressando, subsistindo traços fisionómicos, nomes de família e costumes transmitidos, parecendo que do outro lado do mar, as raízes se iam perdendo no tempo... 
Agora...
Lembram-se de por aqui falarmos da Etelvina de Forninhos, a mulher-homem, brava, lutadora sem medo de nada, nem mesmo pela vida?
Fazia carvão para vender para fora da povoação e teve quatro filhas: Maria Adélia, Maria da Graça, Maria da Conceição e Alzira.
O seu neto Aurélio Fernandes Pereira, encontrou o blog dos forninhenses e enviou-nos do albúm da família umas fotos.
As pessoas mais antigas, dizem que sem desprimor, a mãe dele era a mais nova e a mais bonita de todas.
Alzira, filha mais nova da Etelvina
  
Agora digam se não vale a pena por "aqui" andar quando as coisas daqui nos levam até lá e na recompensa e força vem tanta emoção?



Da direita para a esquerda: Olímpia e Beatriz (irmãs de sua avó); os noivos são os seus pais. A moça de preto é a Graça, depois uma prima do pai, a seguir a Conceição, uma avó e tia paterna. A criança maior é filho de Maria da Graça e a criança menor é filho da Adélia.
Na primeira foto abaixo, no portão da casa no Ipiranga, bairro de São Paulo, está a sua mãe, que é a Alzira e as três irmãs da avó, a senhora mais baixa à esquerda da Alzira é a Maria. Na foto do meio, a de branco é a sua mãe e a de preto é a sua tia Maria Conceição. Na última foto está a Conceição e o menino é filho da Adélia.

Graça, filha da Etelvina, vive em Varginha, no Estado de Minas Gerais


Felicidades para esta família fruto da diáspora e sempre bem vindos a Forninhos! 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Festas e Feiras onde acorriam os forninhenses

Foto de Henrique Lopes, de 08.Dez.2014
No mês passado o Henrique Lopes enviou-me umas fotos que tirou em Esmolfe, concelho de Penalva do Castelo (para quem não sabe é a terra da verdadeira maçã bravo de Esmolfe) quando regressava a Lisboa no dia 8 de Dezembro, dia da Nossa Sr.ª da Conceição, então lembrei-me de fazer um 'post' sobre as festas e feiras, bem como as romarias, onde acorriam os forninhenses num passado recente. A Esmolfe, por exemplo, acho que só se ia a 23 de Janeiro, à feira do Santo Ildefonso. Mas como agora é que estamos perto da data, achei melhor só hoje trazer aqui este tema.

St.º Ildefonso - Esmolfe (cortesia do google)
À feira anual dos 20 (a 20 de Janeiro), no Mosteiro, Penaverde, é que se ia sempre e ainda se vai, mas menos agora. E à "Feira Nova" - no mesmo sítio - igualmente. 
Depois, claro, à feira da vizinha freguesia de Dornelas também ia muita gente de Forninhos pois, em Forninhos não havia feiras. E todas as 2.ªs Feiras de feira iam à feira de Fornos de Algodres vender o queijo, bem cedo. Estranhamente, não se ia muito à feira de Castendo/ Penalva do Castelo e à de Aguiar da Beira muito menos. Mas na "monografia, Forninhos, a terra dos nossos avós" lê-se isto: "Em Forninhos havia feiras, mas existia o hábito de se ir à feira de Penaverde, de Trancoso, de Aguiar e de Penalva." - quem puder confirme tal na pág. 109 e diga-me, se tiver coragem (para não dizer outra coisa...) que não se lê nada disto e sou eu que o estou a inventar!
Depois na 2.ª Feira da Páscoa e a 16 de Setembro, ia-se à Santa Eufémia, na freguesia da Matança, concelho de Fornos de Algôdres; ao S. Miguel "ali ao lado" na Quinta da Ponte, não se ia antigamente - só mais tarde. Mas ia-se à Nossa Senhora da Saúde, da Moradia, no último Domingo de Abril e a 8 de Setembro, dia da Natividade de Maria. Também se ia à Muxagata, à festa em honra da Senhora dos Milagres.

S. dos Milagres, Muxagata, foto retirada do blog D´Algodres
E à grande romaria anual do Senhor dos Caminhos, nas Rãs-Romãs, Sátão, também não se podia faltar, bem como ao São Bartolomeu, em Trancoso.

S. dos Caminhos, Rãs, Sátão (cortesia do google)
Também iam à Senhora da Lapa, mas por razões óbvias só no dia 14 de Agosto (ao arraial), já que dia 15 de Agosto celebra-se em Forninhos, desde tempos imemoriais, a festa em honra da S. dos Verdes. 
Dentro de cada um de vós também haverá deslocações e lugares especiais onde iam muitas vezes, contribuam falando também desses lugares da vossa terra, da vossa vida.

À tia Agostinha - mãe do XicoAlmeida - um grande BEM-HAJA pela ajuda. Os caminhos eram penosos, pois ía-se a pé, mas é maravilhoso ter na lembrança essas idas e vindas que ficaram para sempre guardadas dentro de si, até aquela ida à Senhora dos Remédios, em Lamego, de má memória por causa da morte de um homem.


Nota:
Quem quiser saber mais de algumas das festas e feiras referidas, clique nos links em baixo:

sábado, 10 de janeiro de 2015

Je suis Charlie...em blog dos forninhenses


Hoje vou escrever sobre pessoas de Forninhos que sem o menor dos escrúpulos roubam ideias e fotos publicadas no blog dos forninhenses, pois ontem verifiquei que existe uma página no facebook com imensas fotos que estão no arquivo d ´O Forninhenses. Isto quer dizer o seguinte, que andei a trabalhar, para outros exporem a linha editorial deste blog como sua! 
Quando em 2009 criei esta página, foi para tornar a minha pesquisa pública e o meu objectivo passava por dar ideias que servissem de inspiração, para que quem lê-se os meus textos pudesse fazer de Forninhos uma terra unida e alegre, tal como o foi no passado.
No início, contagiei uns poucos a dar um pequeno contributo para criar um blog diferente do "Blog Forninhos Virtual", ainda assim, publicaram nesse blog este recadinho (estava-se em 2009): "Aqui fica o pedido geral de não recuperar artigos, fotos, textos do Blog de Forninhos, que nada tem a ver com o da sua iniciativa de reciclagem." e esta, hein? É caso para dizer "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
E, note-se que escreveram-me isto, quando até as melhores fotos eram minhas e alguns textos meus, tendo eu pedido então a sua eliminação, mas tal caiu em saco roto...
Com isto já me ía a esquecer dos pequenos contributos enviados.
Enviaram-me, por email, fotos (e documentos) que utilizei, sem nunca dizerem que iam enviá-las para publicação noutro sítio, pois caso mo tivessem dito, nunca as aqui publicava, claro, porque sempre quis fazer o meu trabalho cada vez mais distanciada dos outros trabalhos. Mas esses "piratas" pensam diferente, além de usarem agora as fotos, temas e até títulos dos post's d' O Forninhenses, insultam sobretudo nessa rede social a nossa inteligência, escrevem o que bem lhes apetece, mas nós já não lhes podemos responder à letra.
Eu não tenho conta facebook (se calhar por isso andavam "como peixinhos na água"), mas através da conta do XicoAlmeida consegui, ontem à noite, comentar algumas fotos, só que de imediato eliminaram tudo e bloquearam os perfis do Xico.
O blog é para mim um terceiro trabalho, mas que me dá muito prazer fazer. Contudo implica editar fotos, comprar livros, pesquisar, reunir informação e escrever. Não gosto por isso e outras coisas mais, que essas pessoas (esse grupo de "piratas") me copiem e publiquem temas como sendo seus. 
No meu caso pessoal sempre que faço citações ou utilizo algum enxerto de um livro, indico a fonte (se repararem sempre o fiz, basta olhar para o final de alguns post´s). Utilizo imagens pessoais e outras que me são enviadas (só publico as que entendo) e outras da Internet. Não publico uma foto ou documento enviado sem autorização do autor!
Estou mesmo pasma com esta situação e espero que quem fez isto medite sobre as suas acções e comece(m) a publicar as suas ideias e não as expostas neste blog.
Sei bem que o intuito desses "piratas" é somente deitar abaixo a página d´O Forninhense, insultar a nossa inteligência e não promover ou divulgar Forninhos, pois se fosse esse o desejo, tinham-no feito logo em 2006, quando foi criado o site de Forninhos e, depois, o blog Forninhos Virtual. Afinal, agora é que perceberam que as nossas tradições são lindas e as fotos antigas uma relíquia? 
Podia anunciar aqui alguns links do que copiaram, desde 2009 a 2014, mas não vale a pena...
Fica só o aviso aos autores e comentadores da rede social facebook: - daqui para a frente pensem pela vossa cabeça e deixem de (per)seguir-nos. Há tanta coisa que podem mostrar sobre a nova comunidade, porque não o fazem? Sejam criativos.
Boas inspirações e bom fim de semana.
A luta por um Forninhos transparente continuará.
Je suis Charlie...em blog dos forninhenses.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Arroz doce de mãe...

Todos os anos a mesma "guerra fratricida" de quem vai avidamente rapar o fundo do tacho do arroz  doce, como se este tivesse segredos ocultos. Se calhar tem, pois aquando vamos a Forninhos, a mãe prima pela obra, o  arroz doce que tal como  o pudim caseiro do ano passado, aligeira a chegada distante, para ver quem tem o privilégio de rapar o fundo dele, acabado de sair do lume e ainda a escaldar...coisas que não ficam bem no final do ano, afinal o segundo pecado capital: a gula!
No último dia de consoada, perdi. Cheguei quando lavavam os tachos e nem o cheiro... embora as travessas fumegassem, mas era diferente não sentir o segredo no lamber da colher de pau.


Confesso que fiquei meio arreliado comigo próprio, mas ela, a mãe, sossegou-me:
- Deixa lá, as tuas irmãs foram embora e não quero que fiques ougado. À tardinha vamos fazer outro tacho, rapas e dou-te a receita, está bem?
- Quando souberem, vai ter de as aturar, ai meu Deus, ainda por cima a receita...
E assim foi. Mas agora quem irá aturar a minha mãe por tornar público o segredo?
Seja o que Deus quiser e cá vai no linguajar dela:
- Presta atenção e repara:
* Dois litros de leite gordo
* Uma caneca almoçadeira, rasa, de arroz malandrinho (carolino)
* A mesma caneca de açúcar, mal cheia
* Quatro gemas de ovos
* A dita caneca de água
* Duas pequenas cascas de limão

Prontinhos?
Mãos à obra!



Tacho ao lume com calor médio, com a caneca de água e as cascas de limão, com umas areinhas de sal (poucochinho).
Estando a ferver, bota-se o arroz para dentro sem lavar, pois a goma tem qualidades e dá sabor.
Importante ir mexendo com colher de pau, até chupar a água e quando tal acontece...
Misturar o leite previamente aquecido, sem ter fervido e do qual se guarda frio uma pequena quantidade.
Deitar aos bocadinhos para o tacho, mexendo, mexendo ternamente, até ferver e quando estiver cozido, apaga o lume e bota o açúcar.
Está quase feito? Quase, mas...
Acho que aqui está o segredo...
Botou o açúcar, mas tem de botar as gemas e estas têm de ser bem batidas com o resto do leite frio que foi guardado para nada coalhar.
Coa isto num coador de rede por via de irem para o tacho asseadas e sem sarfalhos.
Calma, está quase...
Misturar, mexer e tornar a pôr ao lume, mexendo sempre e assim que começar a levantar bolhas...
Finito!
Colocar em travessas, pratos ou taças e depois do arroz doce estar frio, brinquem com a decoração de canela.
Agora vou rapar o tacho antes que cheguem primeiro!

sábado, 3 de janeiro de 2015

UMA MÃO LAVA A OUTRA ...

A integração do terreno em baldio não obsta à sua aquisição por usucapião, desde que se demonstre que, ao tempo da entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 39/76, de 19 de Janeiro, já se mostrava constituído, a favor do exercente da posse, o direito potestativo à aquisição daquele direito real, não sendo indispensável que a sua invocação tenha sido feita até esse mesmo momento.

clique para ler o EXTRACTO publicado no Jornal de Aguiar da Beira

Valagotes, um lugar anexo à Freguesia de Forninhos, lindo, lá no alto da serra que olha a da Estrela.
Ali reside temporariamente uma família chamada de os Nogueiras - "os Brasileiros" -, gente de posses que se diz muito ter feito em prol da terra. Perante certas circunstâncias, qualquer cidadão ainda tem a liberdade de se questionar. Assim, permitam que localize evidências ainda que incómodas, por sentir o "cheiro" da "outra senhora".
Aos poucos foram arregimentando quase um culto, mediante os seus contributos; endeusados. O Parque das Merendas, Nossa Senhora de Fátima, a Capela no cemitério, muitos e muitos contributos (dizem), de índole religiosa e autárquica. Consta que pagarão até a renovação das janelas e portas da Sede da Junta...
Aqui chegado, pergunto aos responsáveis coniventes, se uma mão lava a outra; ou, se ficam as duas sujas? Se o testemunho oficial acima exposto, se coaduna com transparência, ou, se houve uma eventual troca de favoresSe a mão cheia de benesses "retributivas" irão permitir o avançar em áreas não contempladas nisto que me transparece a embuste. Se não foi ultrapassado o interesse de uma aldeia pelo não aconselhar os locais de que poderiam face aos enormes "baldios", usufruir de benefícios agrícolas (o P1) e subsequente direito temporário. 
Aqui chamo aos responsáveis a leitura atenta da Acta da Assembleia Municipal do Município de Aguiar da Beira de 28 de Abril de 2014, na qual se reflectem os baldios. Com Forninhos sempre calado, não convinha falar, presumo.
E O PREÇO!
??????
Há quem diga que era a nove euros o metro (na acta à qual publicamente não se tem acesso) e que, afinal de contas, ficou por quatro euros.
A bota não bate com a perdigota...quase seis mil metros quadrados num local idílico, escriturado por 410 euros.
Fica ao juízo de cada um.
O meu, ainda não consegue vislumbrar esta família duas décadas atrás neste local, muito menos a mansão, até porque o baldio em questão foi registado recentemente pela Junta de Freguesia de Forninhos sob o artigo 2898.
E ainda pergunto com alguma mágoa: uma Junta que ostenta tanta festa, por ela promovidas, afinal tem "medo" de revelar publicamente os seus "negócios"?
Bom...na sua página "oficial", no perfil, por debaixo" reza: "Negócio Local", qualquer um pode ir lá ver...
Acreditem, não fiquem incrédulos; A Junta está receptiva a novas "prendas"!


Guia, enviada pelo Henrique Lopes, comprovativo da compra de uma passagem no Bairro da Eira, em 1979.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O 1.º de Janeiro

Entre os romanos, Jano era celebrado como o Deus dos portões e dos começos, do céu luminoso e das origens e, por conseguinte, o princípio de toda a existência, razão pela qual o seu nome era inicialmente invocado mesmo antes do próprio nome de Júpiter, que é o Deus máximo dos romanos. Em virtude disso, foi o seu nome atribuído ao mês que passou a designar-se por Janeiro.


Então chegou Janeiro e com ele as Janeiras. Assim era na nossa terra, de porta em porta íamos cantar/pedir as janeiras e os reis também. Após escutarem os versos que lhe dedicava-mos, os donos da casa presenteavam-nos com algumas iguarias, tal como o menino o foi pelos reis magos com ouro, incenso e mirra.
Pelo que fica dito, é evidente que o costume de cantar os reis ou as janeiras, prende-se com a tradição cristã do nascimento do menino Jesus e das  oferendas feitas pelos reis magos quando estes se dirigiam à lapinha de Belém. Mas, à semelhança do que sucede com as demais festividades de índole cristã, também esta possui raízes bem mais profundas que remontam ao paganismo primitivo e que se relacionam com as festividades solsticiais que ocorriam precisamente na mesma altura a que foi atribuído o nascimento de Jesus. É, com efeito, o começo do ano solar, ou seja, os primeiros dias que se seguem ao "nascimento do sol" e os raios solares crescem de novo, passando o seu tempo de duração a aumentar de dia para dia, reiniciando-se o percurso que leva invariavelmente aos nascimento da natureza e dos vegetais com o entrudus da Primavera. A nossa civilização cristã mais não faz do que assimilar tais costumes antiquíssimos, conferindo-lhes uma nova interpretação mais consentânea com os seus ensinamentos bíblicos.
Em breve chegará o entrudo e com ele a entrada da Primavera. Até lá que se cantem as janeiras e os reis, que agora a Igreja Católica comemora no próximo domingo.

Encontrei a foto aqui.