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segunda-feira, 9 de abril de 2012

No Forno Grande: bolos de azeite

Na aldeia de Forninhos, tal como noutras localidades da nossa Beira é costume na época da Páscoa as mulheres fazerem os bolos de azeite, assim, para que todos possam ver ou simplesmente recordar escolhi estas imagens:

Nestes dias as nossas ruas ganham vida
também se fazem bolas 
de azeite e carne
O forno é aquecido pelos homens
com conhecimento de experiência feito

A receita é simples, leva fermento, farinha, ovos, sal e azeite 
O nosso azeite é de muito boa qualidade
 e os ovos também são caseiros,
 pois a cor da gema é melhor, mas
para mim, o segredo está na massa e maneira como é amassado.

20 comentários:

  1. A tradição já não é o que era!
    Os mais velhos contam que dantes toda a gente cozia bolos em Forninhos e os fornos estavam a cozer de dia e de noite. Espero que gostem de ver e lembrar como se vivia este período nos fornos da aldeia.

    As fotografias foram tiradas por mim e pelos Contribuidores João Seguro e Maria.

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  2. Que apetitosos parecem!
    Aqui tambem fizemos, bolos e bolas, mas com ovos de aviario e com azeite sabe-se la de onde, nao tem o mesmo paladar!
    Mas servem para matar saudades da ultima Pascoa ai passada, caramba ja foi a 31 anos!
    Estou velho!!!

    Um grande abraco e, "Boas Festas Corporais e Espirituais, Aleluia, Aleluia!

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  3. Mas que rico aspeto. Vejo que a Páscoa foi recheada. Dá vontade de confirmar se é bom ou não (apenas confirmar :)). Mas escapou-se-me uma coisa: onde é que se escondeu a carne, ou não era suposto levar carne??

    Um abraço
    António

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  4. Paula,

    Que tradição linda! Imagino a delícia que ficam esses bolos de azeite.
    Concordo. O azeite de vocês é maravilhoso. Acho que é o melhor do mundo.
    Gostei de ver como é feito. E, mesmo tendo mudado um pouco, o importante é que a tradição se mantem viva.

    Beijos

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  5. Noutro tempo o cheirinho dos bolos estava presente em todas as casas, mas é como diz a Lucinha, hoje apesar de poucas famílias cozerem, o importante é que a tradição ainda se mantém viva e com vontade de repetir para o ano que vem.
    Soube mesmo bem comer dois pedaços de bolo no forno e foi excelente este convívio.
    As bolas feitas com a massa do bolo de azeite só as provamos no Sábado, porque na 6.ª F não comemos carne. Só que de cinquenta e tal fotos não é fácil escolher com rigor só meia dúzia, pelo que inseri agora +2 onde se vê os tabuleiros com a carne e as bolas já cozidas na banca do forno.

    Abraço Grande p/ Vós

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  6. Para a nossa gente, Páscoa sem Bolo de Azeite não é Páscoa! Daí que ainda são muitos os que nesta altura, mesmo longe, cozem um bolo para matar saudades, feito tal e qual como referido pelo caríssimo amigo A.Cardoso.
    O Bolo de Azeite é o nosso símbolo pascal e muito há para dizer sobre esta receita centenária e como o fazia a nossa gente.
    Antigamente, por exemplo, sobre a pá forno colocava-se um pouco de farinha (creio que de milho), agora sobre a pá coloca-se um papel, que além de ser mais higiénico torna a base do bolo mais macia.
    O forno também era aquecido mais com lenha de urgueira, acho.
    E quantas pessoas não cozeram à luz de candeeiros a petróleo ou mais rigorosamente “querosene”?

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  7. Devem estar uma delicia esses bolos visto as imagens,com uma fatia de bom queijo,ainda melhor sabe, isto para quem gosta de queijo,não é Paula héhé.Pois se estes bolos estão com este bom aspeto,é claro que para isso,é preciso esse nosso azeite,delicioso,os ovos caseiros,farinha mas o amassar é muito importante tambem,tem que levar aquelas voltas,que nem todos as sabem dar,digo isso ,porque até eu jà exprimentei ao lado da minha mãe,mas abandonei ràpido. Confesso que a olhar para essas bolas,antes e depois de estarem cozidas,dà mesmo vontade de atacar nelas, agora imagino voces,olhar para elas a sentir aquele cheirinho,que eu tambem conheço bem, e não as poderem comer,pois era sexta feira SANTA.Mas sabado penso eu ,que levaram um bom desfalque LOL,parabéns a todos,gostei muito de ver a familia CARAU,sempre presente.

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  8. Boa tarde.Que bonitas estão estas senhoras comendo o famoso bolo de azeite , parece estarem mesmo bons e bem amarelinhos .Mas como já foi dito o amassar conta muito ,ainda me lembra ajudar a minha Mae mas nao era fácil . Que saudades da Páscoa em Forninhos e do cheirinho dos bolos saindo do forno .Estas fotos fazem recordar o passado .

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  9. Espero que todos tenham passado uma boa Páscoa; por aqui bem se passou, com alguns contratempos, mas tudo se hade recompor.
    Estes bolos que se apresentam são bem apetitosos, mas como não há Páscoa sem bolos de azeite, mesmo não estando em Forninhos, cá se fizeram uns bonitos bolos de azeite, já que mais não sendo pra relembrar a tradição e a minha terra.

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  10. Só queria perguntar ao João Seguro? onde escondeu ele as carnes que se vêem nos taboleiros, pois assim esse bolos seriam mais apetitosos.
    Goloso.....

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  11. Lembro-me de um miúdo que saltava de susto ao mínimo barulho. Para lhe talhar o medo foi sentado numa pá como esta e, na boca do forno, ia ouvindo sem perceber as rezas da anciã que o pai se esforçava por repetir. Se funcionou ou não já é outra história.

    Paula, os fornos são mesmo peças com muita história, dos Forninhos a Aljubarrota, diria.

    Boas fornadas.
    AL

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  12. Ainda irei até aí para experimentá-lo, deve ser delicioso. Um abraço, Yayá.

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  13. Gosto bastante dos comentários anteriores. É isso que me incentiva e… quando se trata de incentivar o nosso povo já dizia: “Haja saúde e coza o forno…”.
    E nestes dias em que se falou de registar as nossas tradições (a maioria “sem pôr, nem tirar” iguais a toda a nossa Beira), estou sempre a recordar-me que na área da gastronomia se há alguma coisa nossa típica a destacar e que tende a acabar são a feitura e qualidade dos bolos de azeite e dos enchidos, em especial, as morcelas de Forninhos.
    Só para completar:
    Os fornos são mesmo pedaços de história com muita vida e que só esperam o nosso atento olhar, nem a nossa terra podia ter tido o topónimo Forninhos (fornos, antigamente), se não houvesse fornos de cozedura, embora no caso do nome, de cozedura de cerâmica/telha, penso, mas disso já falamos em entradas anteriores.

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  14. Já não passava a Páscoa em Forninhos há muitos anos, este ano fui lá e foi um fim de semana muito bem passado, foi pena estar ainda muito frio, ao longo dos anos tenho comido bolo de azeite, mas como este ano que o comi ainda quente nunca tinha comido é muito bom, só lá faltou a caixa da manteiga, mas para se apreciar um bom bolo de azeite deve-se comer o bolo simples sem conduto.

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  15. Olá a todos, Paula a tradição ainda se mantem só não tem aquela azafama de autrora, hoje são poucas as pessoas que o fazem, outras porém compram o dito bolo de azeite nas padarias que a unica coisa que têm em comum é o aspecto, que trataram à semelhança de tantas outras quadras tirar partido para fazer lucro com a pouca vontade que alguns têm.
    Como é delicioso comer um bom bolo de azeite, feito com azeite puro e ovos caseiros, sabores autenticos que os comprados nos supermercados não conseguem igualar.

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  16. Amigo Pires, se reparares bem, pelo menos foram feitas duas bolas de carne, vou ter que te receitar uns óculos, mas essa vieram para Lisboa, o bolo que foi saboreado foi a mãe da Paula e tia Ema que o partiu mesmo ali no forno e que a todos deliciou, fôfo e leve com o bom sabor do azeite e ovos, já fiz muitos mas nada que se comparem a estes, porque quem sabe, sabe e não esquece, fica com as fotos e tenta saborear, um abraço.

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  17. Claro, João. Para muita gente é mais fácil encomendá-los e comprá-los nas padarias/pastelarias, por isso, há Bolos e Bolos! E sem desprezar os de outras pessoas, como os da minha mãe não há, são feitos com uma boa farinha, o nosso delicioso azeite e os ovos são todos caseiros e o mais importante de tudo, a minha mãe sabe amassar bem, dosear o tempo e os ingredientes. Podem acreditar que, mãos assim já não há muitas em Forninhos. Depois o meu pai sabe devidamente aquecer o forno.
    Depois de cozidos a minha mãe abriu um bolo quentinho e eu ainda abri outro e como já referido comeu-se bem sem conduto e, ao mesmo tempo, "provamos" ainda memórias saborosas e quentes do pão centeio cozido nos nossos fornos noutro tempo.
    No Sábado só vos posso dizer que o meu pequeno-almoço foi um grande pedaço de bola de carne com uma caneca de café que em Forninhos tem um cheiro e sabor únicos.

    Continuação de uma boa semana de Páscoa e façam bom proveito dos Bolos e Bolas que têm em casa.

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  18. Parabéns aos donos dos bolos .Ficaram muito bonitos .Agora há muitas qualidades de farinha, nu meu tempo a farinha era do trigo que os meus pais cultivavam. Avia uma peneira especial só para peneirar a farinha de trigo , era peneirada duas ou três vezes para ficar bem fina .Quando estava frio demoravam a fintar a minha mãe ponha-lhe uma braseira de brasas por baixo da maceira era remédio santo vinham logo. Era verdade que os fornos coziam de noite e de dia e não havia luz eléctrica era com os candeeiros de torcida a petróleo. o meu trabalho quando era garota era segurar o candeeiro junto a boca do forno para alumiar dentro do forno .Ainda bem que muitas coisas mudaram e pra bem .


    M. D.

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  19. Cada vez que a minha tia Natàlia comenta ,tenho um prazer enorme em ler o que ela escreve,a que se lembra de tudo e ao pronemor,dos momentos passados em forninhos,isso quer dizer,que ao estar longe,a sua terra continua sempre perto de si.Fiquei tambem a saber mais como era antigamente a cozedura dos bolos, e pelo que li,não era nada fàcil,mas tenho a certeza que nunca ficaram por cozer. Bom fim de semana.

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  20. Subscrevo por baixo.
    A participação e colaboração da tia Natália valorizou muito este blogue. As fotografias dela e de todas as pessoas que cederam a este blogue outras, ajudam-me a preencher todos os dias este espaço de verdadeira história.
    Ontem comentou como se peneirava a farinha e se fintava a massa dos bolos de azeite no tempo em que não havia luz elétrica. Hoje todas as ruas e casas têm luz eléctrica, mas nem sempre foi assim.
    A luz eléctrica só chegou a Forninhos em 1959 e aos Valagotes apenas 23 anos depois!

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