Vou deixar aqui o projecto de arquitectura de recuperação do Santuário de Nossa Senhora dos Verdes, classificado como imóvel de interesse público (decreto n.º 8 de 24 de Janeiro de 1983). Tinha por fim a recuperação e construção de 4 estruturas.
Certamente alguns forninhenses já o conheciam, mas muitos desconhecerão, mas agora podem ficar a conhecer porque já remonta a 2003 e a apresentação primeira (pública) foi feita no ano de 2004. Tive alguns amargos de boca por me opôr a alguns pontos, por ter a ousadia de ao tempo apresentar os 'prós e contras', mas já lá vai...
O ponto 1 pretendia eliminar, e bem, algumas alterações incorrectas que foram feitas nos últimos anos e outras intervenções, a saber:
1.1. alteração do alpendre: retirar o pavimento de mosaico verde e aplicar blocos de granito e retirar a estrutura que suportava o alpendre em cimento e colocar madeira (o forro do alpendre dantes era em azul com pinturas).
Hoje o alpendre já tem no chão -direcção entrada da capela - uma passadeira em granito em forma de cruz e no nicho o S. Matias em granito.
Antes do mosaico verde o chão era em saibro e parece que quando foi colocado o betão os pilares do alpendre eram mais grossos, mas na altura foram tiradas pedras para fazer de marcos em terrenos da igreja??!!! Enfim...estas coisas têm valor e hoje o valor da nossa capela seria muito superior!
1.2. Impermeabilizaçao total do edifício com a colocação de um novo telhado e dotar a estrutura de escoamento de águas;
Foi colocado o telhado que estava muito degradado e com infiltrações constantes.
1.3. colocação de electricidade na capela;
Foi bom, pois os candeeiros laterais apontam para os tectos e, assim, iluminam os caixotões decorados com elementos florais e não só.
1.4. caiar as paredes exteriores e interiores da capela;
A meu ver as paredes não foram caiadas, foram antes rebocadas de forma a "endireitá-las" e pintadas de branco.
1.5. colocação de um passeio de paralelos de granito à volta da capela;
Um trabalho e gasto, a meu ver, desnecessário. Se a ideia era impermeabizar o edifício, de modo a salvaguardar a talha interior, os anos vieram provar que os cubos de granito não evitam quaisquer humidades!
1.6. colocação de 2 cruzes que faltam no calvário junto à capela, o que foi feito e ficou bonito.
Os pontos seguintes já tinham mais a ver com a envolvente e melhor execução das festas por parte das comissões de festa vindouras, assim:
Do ponto 2 - quem se lembra?
Construção de um bar fixo!
Estava, portanto, previsto no projecto a construção de um bar fixo em granito, acho que no mesmo local onde a comissão de festas costuma fazê-lo. Segundo o projecto terá tomadas de electricidade.
Ah pois! Está agora - 2017 - a ser construído!
Ponto3 - delimitação de uma zona de estacionamento.
Era para delimitar uma zona em paralelo que ligava a estrada municipal ao alpendre da capela.
Quando fiz parte da comissão de festas - 2013 - sugeri colocar novamente as pedras que nos idos anos 60, 70 e 80 existiam, unidas por correntes, de modo a impedir o acesso de viaturas ao terreiro, que é o que fazem em muitos lugares para salvaguardar os monumentos de interesse público, a maioria não quis e o terreiro continua à mercê de toda a maquinaria com rodas!
O ponto 4 inclui a construção de um palco para eventos com casas de banho e uma sala de arrumos.
Inicialmente eram só casas de banho, mas depois decidiu-se (decidiram!!) que era necessário um palco para os ranchos e outros espectáculos. O palco era para ficar num sítio junto à mata da Sra. Mariana Vaz, que afirmaram -ao tempo- gentilmente cedeu à Fábrica da Igreja de Forninhos uma parte do seu terreno para essa construção.
Tudo isto ainda está por fazer e afinal veio a saber-se que a Sra. Mariana Vaz não cedeu à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Forninhos, parte de terreno nenhum, pelo menos, em 2013 ainda não tinha cedido a mata ou parte!
Graças ao esforço pessoal e financeiro de muita comissão de festas e muitíssimos devotos e também da Câmara Municipal de Aguiar da Beira,dig-se, à excepção da talha interior pode dizer-se que a capela levou uma volta completa: desde armação, telhado, barra de suporte, candeeiros e tomadas de luz e som no interior, colocação de um novo tecto no alpendre sacristia, paredes rebocadas e pintadas de branco, envernizamento dos bancos, portas e móvel da sacristia, imagens restauradas; na zona envolvente, a tal colocação de cubos de granito amarelo, muros exteriores arranjados e limpos, etc...
Ficam só a faltar as casas de banho exterior, palco e sala de arrumos constante do ponto 4 e ainda a delimitação constante do ponto 3.
Mas, neste momento, no Santuário já há outras coisas novas, alheias ao projecto: um chafariz e para aí uma dúzia de mesas e bancos, com que licença e autorização de quem?
Responda quem souber!