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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Apelidos e Alcunhas

Na sequência de um comentário na publicação em destaque "Baptismo de Jesus" :
"É absolutamente fascinante ver esses sobrenomes persistindo por quase 400 anos! Há algo tão reconfortante em perceber que as famílias que passam pela paróquia hoje estão ligadas aos mesmos registros de 1634. Isso realmente faz a história parecer viva" sempre digo que muitos ainda sobrevivem, é verdade, mas alguns há muito desapareceram, por várias razões: 
- muitas forninhenses casaram com não forninhenses, pelos que os seus filhos já não tomaram o nome da mãe ou avó, tomaram o nome do marido e perdeu-se o delas...
- Outros forninhenses saíram de Forninhos para terras nacionais ou estrangeiro e por lá ficaram e o sobrenome desapareceu...
- Dos que ficaram por Forninhos, perderam-se naturalmente na  sequência genética...
- Também com a morte das pessoas, sobrenomes, apelidos, alcunhas foram desaparecendo...

Baptismo de António 03-05-1758

Exemplos para me perceberem
António era filho de Manuel Alvares e de sua mulher Catherina de Veiga, moradores no Lugar de Forninhos, Igreja de Santa Marinha de Forninhos, ambos naturais deste mesmo Lugar. Os avós paternos eram Domingos Alvares e sua mulher Ana de Aguiar e os avós maternos eram António Cardoso e sua mulher Luíza de Veiga, todos naturais do mesmo Lugar de Forninhos.

Veiga não conheci nem ouvi falar 
Álvares ouvi falar, mas não conheci as pessoas
Cardoso ainda se ouve falar 
Aguiar ainda vive por terras nacionais e estrangeiro

Casamento -18-05-1874-Dona Prazeres

Dona Maria dos Prazeres Fernandes, filha de José Fernandes de Figueiredo e de Dona Escolástica Moreira de Faria, casa com José Maria Alvares Moreira no dia 18 de Maio de 1874.
Ainda conheci uma pessoa com o sobrenome Figueiredo (era sobrenome da tia Felisbela Saraiva) que herdou o Saraiva do marido e o Figueiredo acabou por desaparecer na sequência genética

Casamento de Luis Esteves Vaz e Isabel Alves -07-06-1855

Luís Esteves Vaz casou no dia 7 de Junho de 1855 com Isabel Alves, de Forninhos e tiveram um filho no dia 21 de Outubro de 1859, a quem chamaram Augusto Esteves Vaz. Afilhado de José Fernandes Figueiredo e Luís Fernandes de Figueiredo.
Vaz ainda existe
Alves desapareceu na sequência genética

Casamento 06-05-1822 de António Rebelo

Apelidos que podem ser considerados alcunhas e vice-versa

Rebelos
António Rebelo, almocreve de profissão, não sendo forninhense, casou com Ana Andrade, de Forninhos, filha de José de Andrade Janela, de Forninhos e de Ana Soares, do Souto de Golfar. 

Xabrega um apelido que passou a alcunha

Alcunhas não ofensivas que praticamente se consideram nomes e sobrenomes de famílias
Afonsos
Caraus
Cavacas 
Ferreiros
Guerrilhas
Matelas 
Rito 

Apelidos que não conheci, mas que aparecem em bastantes registros
Botelho
Chantre
Janela
Ribeiro
Tenreiro

Alcunhas que ainda perduram, algumas por terras nacionais e estrangeiro
Belezas/Casões/Charriscos/Chispas/Coixas/Graixas/Grilos/Guinarios/Mineiros/Poupas/Papas/Pêgos/Peleiras/Pilaus e Piloas/Pinchos/Pirolas/Pissotos/Ratos/Russos(as)...

Outras alcunhas que perduram, embora só para indicar quem eram os pais
Alexandre (alcunha das filhas do tio Alexandre), Cletos e Claros (apelidos que já vem de avós ou trisavós) Herodes (alcunha dos filhos do tio Herodes) Higinos (do pai Higino), Leoneis (do pai Leonel) e Picheis (é deturpação de Ismael, o pai)

Alcunhas consideradas ofensivas, só ditas na ausência do visado
Badana, Bichinha-vermelha, Caga-andar, Caga-milho, Franguinho, Luz-pa-Eira, Passa-sestas, Pitisso, Saias-curtas, Xoninha...

Origem de algumas alcunhas ofensivas
Caga-milho: tornou-se alcunha porque o barulho da mota quase parecia o som duma malhadeira
Luz-pa-Eira: quando os moradores do Bairro da Eira não tinham luz nas ruas e casas, um deles durante um comício (eleições autárquicas anos 80) pediu alto e bom som "luz pa Eira" - 
Passa-sestas, talvez por dormir/adormecer de tarde
Saias-curtas, creio que por usar saias curtas

Espero que ninguém leve a mal, mas a realidade é que por um motivo ou por outro quase toda a gente tem alcunha.

Alcunhas conhecidas da pessoa e aceites
Branco
51
Cristo
Cuco
Fôrra
Farrió
Gigas
Melias
Rancho
Raposo
Tabitas

Alcunhas geográficas que conheço
Alentejano 
Bragança
Brasileira 
Urgueira

Desapareceram algumas alcunhas, ainda conheci algumas pessoas ou ouvi falar delas
Caniça - por ser alta (era minha bisavó)
Catrina e Catrino
Casaquinha
Cobra
Manecas - uma corruptela de Manel
Micas
Moca
Mosca 
Malanga
Passarinha
Penaverde
Pitinha

Tal como acontece com os apelidos, muitas das alcunhas vão acabar por desaparecer...

14 comentários:

  1. Um belíssimo cavalgar no tempo, um registo a ser guardado, penso eu.
    Claro que das muitas alcunhas, teriam com o passar dos tempos, arreigadas, se tornassem apelidos e mesmo registadas, fazendo parte dos nomes próprios e dos sucedâneos, outros, a maioria, continuam a perdurar conosco por memórias e vivências daquilo que ouvimos contar.
    Vasculhando o passado, todos esses nomes tinham uma razão de ser,
    uns mais sérios e respeitosos outros mais sarcásticos e galhofeiros, não sendo ou querendo ser perniciosos, mas era bom ter cautela a quem eram ditos e nos modos.
    Mas claro que os visados sabiam como eram falados e cada qual o aceitava à sua maneira.
    Convenhamos que olhando para a listagem presente, quase que dava uma comédia do La Féria...
    Passarinhas, pitinhas, ratas vermelhas, afinal, uma aldeia feliz!
    E até para gaudio pitoresco, também havia uma ratinha seca
    Isto aqui presente, é algo valioso.
    Parabéns!



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    1. Obrigada!
      Mesmo que não chegue a ser registrado/guardado até porque poderia deixar muita gente de fora (são muitas as alcunhas), devíamos todos tentar lembrar de mais algumas:
      - CARILHAS, que era a alcunha de um irmão da tia Adélia.
      - XELIM, que era a alcunha de um irmão da minha avó paterna.
      Mas Forninhos devia pensar qual a melhor maneira de fazer a sua genealogia e se calhar agregar-lhe as suas alcunhas.

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  2. This is a fascinating look at how names, nicknames, and aliases survive or disappear—through generations. It really brings the history of Forninhos to life, showing how family identity evolves over centuries. The distinction between official surnames, enduring nicknames, and those that vanish due to marriage, migration, or genetics makes it clear that family history is both fragile and resilient.

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    1. It's natural that many more nicknames and epithets will disappear in the coming years.
      People come and go, but the village remains.

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  3. Nunca tinha dado grande atenção a esse tema. Obrigada por partilhar.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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    1. Noutras terras, não sei como é, mas Forninhos tinha e tem uma alta imaginação de apor alcunhas, não só a todo o nativo, mas também a todo o estranho que entre em contato com a comunidade.

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  4. Na minha aldeia também há apelidos e alguns bem engraçados! Bj

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  5. Anónimo3/08/2026

    Boa Noite
    Blog de Forninhos

    Verdadeiramente pela dignidade dos nossos ante-passados jamais poderíamos ter permitido que as
    "alcunhas" caíssem no esquecimento.
    Não podemos esquecer as nossas origens. Nem devíamos permitir que as " nossas " aldeias sejam lugares estranhos só porque os nossos filhos e enteados lá não têm internet ..e por isso preferem que ali sejam lugares para esquecer..

    É como o nosso médico perguntar como foi a saúde dos nossos pais e avós e se bebiam ou fumavam.
    E de que mal morreram...
    É a natureza das coisas...
    Mesmo que tivessem apanhado cadeia. Morto alguém .
    Sido Condenado ( s ) ..
    Os nossos avós , bisavós dos nossos netos são os nossos. Ponto Final.

    Eu sou neto de Francisco " Mandioca"
    E disso me orgulho.
    Na 2 Guerra Mundial trocava mandioca por alfaces e batata para matar a fome aos filhos...
    Só por isso valeu a pena este magnífico apontamento.
    Recordar e VIVER.

    Honra vós seja feita.

    Abraço a todos
    António Miguel Gouveia

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    1. Eu acho que há um certo orgulho nas alcunhas não ofensivas que vêm de avós e ditas no trato pessoal. Existem casos em que os apelidos desapareceram e as alcunhas mantiveram-se até hoje, como se fosse apelido de família.
      Já as ofensivas...é compreensível que se desapareçam com a morte das pessoas.
      Bom domingo!

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  6. Boa noite!
    No teste de ADM que eu fiz no MyHeritage saiu alguns nomes interessantes, ao ver uma correspondência de um primo de 5° grau de sobrenome Alves de Souza ele me apresentou uma lista comparativas de sobrenomes. Na Lista desse primo o sobrenome Chantre aparece em duas versões, Chantre e Rodrigues Chantre:

    Acquesta (Brasil)
    Alves bezerra
    Alves dos santos (Brasil)
    Alvez
    Ambrosi (Itália, Brasil)
    Anselmi
    Bernarda (Portugal)
    Bezerra
    Califano (Brasil, Itália, EUA - NY)
    Caputto
    Chantre (Portugal)
    Da conceição
    Da costa (Portugal)
    Da costa fidalgo
    Da cruz
    De amaral
    De oliveira (Brasil)
    De souza (Portugal, Brasil)
    Elizabeth-anna
    Favino (Itália)
    Ferrante
    Francelino de oliveira (Brasil)
    Francisca
    Haderspeck (Áustria, Hungria, Sérvia, Brasil)
    Lopes (Portugal)
    Lorenzani
    Maria angela tegnani pistoso
    Mathes (Hungria, Sérvia, Brasil)
    Nunes (Portugal)
    Nunes fernandes
    Pistoso (Brasil)
    Rogrigues chantre
    Sommer
    Stopka (Áustria)
    Szabó (Hungria)
    Tagalha (Portugal, Brasil)
    Tegani
    Tereza de jesus

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    1. Boa noite Aurélio!

      O nome "Adelino Fernandes Chantre" aparece na cronologia dos Executivos da Freguesia de Forninhos da 1.ª República até ao ano de 1926-1927.

      https://onovoblogdosforninhenses.blogspot.com/2021/07/os-mandantes-da-aldeia.html#comment-form

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  7. Marta Alves3/14/2026

    Olá boa tarde,
    Gostei muito da publicação "Trajes da Beira Alta", acho uma viagem fascinante pelo nosso património cultural e gosto de me debruçar sobre estes temas do nosso Portugal.
    Alguém me sabe dizer que tipo de chinelas, tamancas ou chinelos eram usados pelas donas de casa nessa zona?

    Obrigada,
    Marta

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    1. Bem-haja pela visita comentada.
      Numa altura em que os sapatos não eram para todos, as mulheres (não digo donas de casa, porque na nossa aldeia as mulheres desde sempre repartiram a vida entre o "governo" da casa e os trabalhos do campo) usavam tamancas ou socas que eram um tipo de chinelas femininas, feitas em couro natural, havendo-as também pintadas de preto. A base era feita de pau, normalmente de amieiro (matéria prima em abundância nas zonas ribeirinhas da nossa região) por ser um tipo de madeira leve e moldável e também por ser um material quente e seco principalmente para os meses de inverno, muito severo nesses tempos de antanho.

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