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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Balada da Neve

A exemplo do que fiz por esta época no ano passado, publico aqui a página dum livro de leitura da antiga "instrução primária" com um poema que, pelo menos a primeira parte todos conhecem. É uma forma de o BlogDosForninhenses entrar no espírito de Natal, um tempo fértil em tantas e boas recordações de tempos passados, especialmente aqueles em que éramos crianças e vínhamos para a rua atirar neve uns aos outros, numa euforia e alegria imensa.

clicar na imagem para ler melhor

Mas as crianças, no caso, não estão a brincar, estão a sofrer por caminharem sobre a neve com os pés descalços...

Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Os Pregões ou Denunciações

Os pregões ou Denunciações faziam-se em três domingos ou dias santos de guarda contínuos. Os que pretendiam casar informavam o pároco, antes da celebração do matrimónio, para os denunciar. O pároco, primeiramente, anunciava a intenção de contrair matrimónio dos noivos; após anunciar a futura união, o sacerdote conclamava os fiéis a que denunciassem qualquer impedimento ao casamento. 
Deixo aqui alguns exemplos dessa prática na nossa terra que obedecia às constituições do Bispado. Apesar de anos diferentes, os documentos são testemunhos dos mesmos rituais.


"O primeiro dia do mês de Dezembro de mil seis centos e sessenta e oito, feitas as denunciações conforme o Sagrado Concílio e Constituições deste Bispado recebi em face da Igreja Pedro Fernandes filho de Nicolau Fernandes e Maria João e Ana Fernandes filha de António Gonçalves e Paula Fernandes, todos deste lugar. Testemunhas Pedro Vaz e João Fernandes e por ser verdade fiz este termo e assinei, dia, mês e era ut supra."
Feitas as denunciações, faz hoje 353 anos, foi o casamento de Pedro Fernandes e Ana Fernandes. 


Mais um exemplo com 349 anos!!
"Aos cinco dias do mês de Dezembro de mil seis centos e setenta e dois annos, feitas as denunciações conforme o Sagrado Concílio e Constituições deste Bispado recebi em face da Igreja Pedro Vaz com Isabel Andrade. O Pedro Vaz eh filho de Domingos Vaz e Maria João e Isabel Andrade eh filha de Pedro Lopes e Pascoa de Andrade, todos moradores neste lugar de Forninhos. Foram testemunhas presentes desta união Manuel Dias e Silvestre João. E por ser verdade fiz este termo e assinei, dia, mês e era ut supra.
O Pároco Manuel Moreyra"


Domingo, 17 de Fevereiro de 1692, celebrou-se o casamento do Domingos e da Domingas. Já passaram 329 anos!!

"Aos dezassete dias do mês de Fevereiro de mil seis centos e noventa e dois, feitas as denunciações como manda a Constituiçam deste Bispado recebi em face da Igreja Domingas Fernandes com Domingos Gonçalves. Foram testemunhas Pedro Vaz e João Vaz com mais povo e por ser verdade fiz este termo e assinei, dia, mês e era ut supra.".

Factos reais de famílias forninhenses.

sábado, 27 de novembro de 2021

Míscaros, 2021

Tenho notícia que está a decorrer o VIII certame gastronómico do míscaro, na Vila de Aguiar da Beira, mas não tenho imagens, por isso uso duas de anos anteriores, com Forninhos representado com os seus produtos agrícolas à venda.



Às 22h00 vai atuar a artista Rosinha
A apanha dos míscaros é amanhã, 28 de Novembro, pelas 10h00 e parece que a animação vai continuar com a atuação de grupos de concertinas: "Clave Sol" "Grupo da Farra" "Os Abadenses". Também há magusto, patrocinado pela Associação de Produtores de Castanhas AguiarCast e o grupo "Raízes da Terra" encerra o dia.
Ainda bem que este ano o certame voltou, mas temos de nos acautelar, se não corremos o risco de voltarmos a não poder ter um Natal em família. 
Mas digam lá se não há fins-de-semana saborosos?

sábado, 20 de novembro de 2021

Na terra do tio Sam

A pesquisar sobre soldados de Forninhos que foram à Guerra, encontrei mais um combatente da Primeira Guerra Mundial que terá nascido em 1890, em Forninhos, Bispado de Vizeu, que se alistou no Exército Americano a pedido do tio Sam. Assina António Francisco de Figueiredo.
Na pergunta n.º 4 ele responde que é estrangeiro. Natural que fosse assim. A história diz que um terço da população da América nasceu no exterior ou os pais nasceram, pelo que quarenta e três línguas eram faladas em uma divisão do Exército criada em Nova York. Impresso na parte inferior dos cartões de pré-alistamento militar estavam as seguintes palavras: "Se a pessoa é de ascendência africana, rasgue este canto".
Olhem o cartão de registro:


Do que consegui perceber, trabalhava numa pedreira de pedra britada "Pacific Portland Cement Company Quarry, Fairfiel, Solano Co., Califórnia, EUA" e tinha experiência militar (assim responde à pergunta 11). 
Na pergunta 9 ele declara a esposa e uma criança de 2 anos como dependentes e Jwo ? e no n.º 12 ele solicita suporte de Jow ? e família.
Jwo será de Jeová? 
Na minha terra não sei se houve outra religião, mas no Livro dos Batismos da Paróquia de Forninhos, referente a 1890 não encontrei o registo deste António, apenas consegui saber através da pesquisa feita em  https://www.familysearch.org/pt/ que faleceu em Agosto de 1970, tinha 80 anos e deixou descendentes.
Sendo natural de Forninhos, fica a dúvida se o nome "Figueiredo" é do ramo dos Fernandes Figueiredo de Forninhos, ou dos Figueiredo originários da Moradia (nesse caso, talvez o registo conste no Livro das Antas) e que casaram em Forninhos, entre eles Francisco de Figueiredo e o irmão Augusto Figueiredo, pai de Felisbela Figueiredo Saraiva que emigrou para os EUA e foi lá que faleceu.
Assim se presta homenagem a estes homens e se vai fazendo história...

terça-feira, 9 de novembro de 2021

12 Anos de Pedras Pequeninas

Saudamos o passar de mais um ano de Blog, este ano, por alturas do Cristo-Rei inaugurado a 17 de Maio de 1959, dia de Pentecostes e seu significado. Discursou o Cardeal Cerejeira, que proferiu a frase: "Este será sempre um sinal de Gratidão Nacional pelo dom da Paz".

Cristo Rei em 1959

Imagem retirada do Blog "Restos de Colecção"

A ideia de erguer o Santuário Nacional de Cristo Rei surgiu em 1934 durante uma visita do Cardeal Cerejeira, Patriarca de Lisboa, ao Brasil. Depois de ter visitado o imponente Cristo Redentor do Corcovado no Rio de Janeiro, quis construir figura semelhante a admirar Lisboa.
O despotelar da II Guerra Mundial acabou por impulsionar esse desejo.
A 20 de Abril de 1940, em Fátima, os bispos portugueses reuniram-se e formularam este voto: "Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ia sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade". 
Em 1941 o terreno foi comprado e a primeira pedra foi lançada a 18 de Dezembro de 1949 e a construção demorou 10 anos, de 1949 a 1959.
As crianças portuguesas participaram amplamente na campanha de angariação de fundos, numa iniciativa denominada "Pedras Pequeninas". 
Esta campanha durou entre 1939 e 1958 e supunha que os mais novos iam guardando, ao longo do ano, o dinheiro que lhes era oferecido, para depois o ofertarem no Presépio das respectivas paróquias, a 28 de Dezembro.
O Órgão de Propaganda do Monumento Nacional a Cristo Rei noticiava que Aguiar da Beira e Forninhos, da Diocese de Viseu fizeram um cortejo infantil, de géneros, rendendo o leilão na primeira 355$00 e na segunda 370$00.
Parabéns a Nós!

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Perto de nós, Dornelas no Natal de 1954 contribui com a quantia de 365$00 e Penaverde 50$, etc...

Fonte: "O Monumento" II Série, N.º 19, Dezembro de 1955, páginas 3 e 4.

Mesmo em tempo Covid e de condicionamentos vários, este espaço continuou na demanda de que para compreender o presente é preciso primeiro conhecer o passado.

Viva o BlogDosForninhenses!

sábado, 6 de novembro de 2021

Velhos são os trapos

Na economia doméstica antiga, nada se perdia, tudo se criava..."No aproveitar é que está o ganho" - dizia-se. Os farrapos, os restos de tecidos, reaproveitados foram uma das primeiras formas de reciclagem...
Reduzidos a tiras, mandavam-se tecer, em arcaicos teares manuais e saíam mantas que serviam para a cama, para o berço dum filho e até para apanhar a azeitona!

novelos feitos de trapos/farrapos

Tear

Manta de farrapos

Mais alguns exemplos do que se podia e pode ainda fazer com os velhos trapos:

Passadeira de farrapos

Tapete feito com trapos

O mesmo tapete, mas virado ao contrário

Clicar nas imagens para ampliar.

E como esta é a altura do ano em que mais lembramos e honramos os que já partiram, aproveito para lembrar que ligada à fiação Forninhos teve fiadeiras e, pelo menos, uma tecedeira, chamada Nazaré Esteves. Penso que era avó da Luzia, pois casou com Daniel Almeida, no dia 11-01-1897, conforme registo:


Podia confirmar com a minha tia Margarida, como era costume, se houve mais tecedeiras, mas a minha tia deixou-nos ontem e o funeral foi hoje ao início da tarde, no cemitério de Forninhos. Tinha 85 anos. 
A minha tia ajudou-me a construir a história do BlogDosForninhenses e eu não esquecerei as conversas que tínhamos ou a sua admiração, o apoio, por quem se dedicava ao conhecimento do passado. Ganhei dela uma visão do mundo e da vida que não tenho.
Obrigada tia Margarida pelo que nos deu. Será sempre lembrada.

Tia Margarida

Será rezada a missa do 7.º dia, na igreja de Forninhos, dia 13/11, pelas 16h00.