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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Forninhos na História da Diocese

Volume 3

Já saiu a História da Diocese de Viseu, uma obra de cariz historiográfico, em três volumes. Forninhos é a freguesia mais bem representada no que tange ao número de fotografias, que o João Nunes a pedido do coordenador da obra, Doutor José Pedro Paiva, pediu para publicar, precisamente no 3.º volume da obra.  Para nós uma honra.
Mas perguntam os meus visitantes, leitores, seguidores, quem é o João Nunes? 
João tem raízes em Forninhos (os seus avós maternos eram de Forninhos) e foi meu colega na década de 1970, na escola primária, fez parte do projecto de investigação e foi do arquivo  d'O Forninhenses que escolheu umas fotos respeitantes à romaria da Senhora dos Verdes, da década de 1970 e outras relativas à Primeira Comunhão e Profissão de Fé:


cedida por Augusta Albuquerque (Joana)
cedida por Céu Guerra (Guerrilha)
e cedidas por Darcília Gonçalves.

Espero que gostem de ver/saber Forninhos numa obra deste género, imaterial como se diz agora, que será seguramente relevante para a nossa terra. Bem-hajam a todos!

domingo, 11 de setembro de 2016

Em Setembro ardem os montes e secam as fontes

Há uns anos publiquei o post "Medidas preventivas para defesa da floresta" e que se mantém hoje actual, pelo que volto ao tema, porque na altura ficara mal explicado, é que coincidência das coincidências, houve um incêndio em Forninhos, na noite dessa publicação, tendo ardido 2 casas.


Dizia na altura que "a primeira razão por que ocorrem fogos de grandes dimensões é porque não se limpam as matas e devido à existência de uma excessiva concentração de biomassa que é altamente inflamável". Dei como exemplo S. Pedro, que devido ao facto da serra não estar devidamente limpa o fogo progrediu de forma galopante e incontrolável tendo destruído toda a flora e fauna e que talvez fosse bom aproveitar o Ano Internacional das Florestas (ano 2011) para reflorestar a nossa serra...
Ora o que sabemos é que pouco se fez, e o que se fez foi plantar matas de eucaliptos (um erro histórico do presente), mas depois de acompanhar o que vai ser dito, falarei do que já foi feito para prevenir...
Os anos passados levam-me a considerar que nem tudo foi mau, pelo menos, a serra não voltou a ser castigada pelos incêndios (e já estamos em Setembro) e esta situação poderá ficar a dever-se à falta de árvores!
Mas não estamos livres...Forninhos é rodeado de pinhal e grande parte não é desbastado, nem a caruma  e outros resíduos acumulados no solo são apanhados, primeiro, porque não há necessidade, segundo, a idade avançada dos proprietários que ainda exercem alguma actividade agrícola também não deixa e, terceiro, a ausência no estrangeiro ou na grande cidade dos herdeiros, também impede ou dificulta a limpeza das matas e, assim, basta uma ponta de cigarro atirada pela janela do automóvel, por um condutor imprudente, para que o incêndio deflagre. 
Resta-nos, pois, pedir a Nossa Senhora dos Verdes que nos proteja do flagelo dos incêndios. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Os gafanhotos

Também conhecidos por saltaricos porque só se vêem quando...saltam, o gafanhoto, faz-nos sempre lembrar a praga bíblica e o milagre sucedido nos campos da nossa região.



Alimentam-se de folhas de vários tipos de plantas e pelo facto de se alimentarem de folhas o homem vê-os como uma praga por atacarem muitas espécies vegetais de interesse económico.
Apesar disso, os gafanhotos deixaram boas recordações e marcaram a infância de muito garoto que se divertiam primeiro a caça-los e depois na pesca, pois este insecto servia de isco para pescar peixes. São apreciados por diversas espécies de peixes e, por incrível que pareça, a espécie humana desde tempos remotos come também gafanhotos, prova disso são alguns trechos de livros antiquíssimos, como a Bíblia e o Corão. A Bíblica no Livro do Levítico, diz "...mas podereis vos alimentar dos insetos que têm pernas que saltam. Podereis comer, portanto, toda a espécie de gafanhotos e grilos. Mas todos os outros insetos que exameiam, que têm asas e se movem pelo chão com quatro pés, vós os tereis como imundos e proibidos a vossa alimentação..." (Levítico 11: 21, 22, 23).
No Corão diz o profeta: "Aquele que não come os meus gafanhotos, e de meus camelos e de minhas tartarugas, não é digno de mim.".
Ainda hoje, em vários países, há pratos com gafanhotos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A BOINA À ESPANHOLA

Gosto imenso de coisas antigas e marcantes, coisas que nos tocam, tal como a boina conhecida por basca, mas em Forninhos por boina à espanhola. A sua história está disseminada pela Península Ibérica de modo bravo ou romanceado, mas terá porventura chegado à nossa terra por volta dos anos sessenta, altura do primeiro surto migratório.
A boina, era um adereço relevante dos "passadores" espanhóis bascos, que tal usavam para passarem os "engajados" portugueses pelos Pirineus a "salto" para França.
Nem todos conseguiam a "travessia" e do fracasso faziam redobrar a esperança para novas tentativas, deixando na terra a "moda" da boina dos seus guias como reconhecimento de bravura...a moda pegou e o que começou por ser moda, tornou-se em mais uma componente de identidade e por tal não morrer no esquecimento.


A boina à espanhola, era preta com um espigo na corôa, forrada a seda ou coisa parecida, sendo que meio século atrás, na Feira Nova ou em Trancoso, o seu custo rondava os 5$00 (cinco escudos), dizem os mais antigos. Porventura caras, até porque tinha de vir mais um par de alpercatas, porque para trás ficavam os muito mais baratos carapuços altos e quentes, mas grosseiros para os mais velhos e a eles habituados desde sempre, bem como a imitação da boina espanhola sem fôrro ou as boinitas com pala que embora frias botavam figura nas festarolas.
Tive várias, segundo me diz a minha mãe.
António Carau

Eu e tantos outros da minha idade, mas pela simples razão de sermos uns "corrécios" "bandoleiros", uma tribo de tal não posso esquecer "ladrões" que de vez em quando pilhava o que estava à mão de semear e tudo entrava na boina. Traquinices que as nossas mães mais valia não verem sob pena de haver arrelia séria e por tal muitas vezes as lavávamos no rio e secavam penduradas nos amieiros para estarem lavadinhas para na manhã seguinte estarem dependuradas na nossa mão e louvarmos como imposta mocidade portuguesa, o tirano do Salazar.
Mas também não posso esquecer o meu pai e outros: tio Carau, tio Guerrilha, tio Zé Lopes, tio Forra ...que nas lides da lavoura e mesmo por detrás da rabiça do arado, não a despegavam da cabeça, a não ser aos domingos e dias de festa em que imperava o chapéu; já os rapazotes usavam-na como sedução das raparigas quando a usavam tipo rufia, gingão e malandro em alguns casamentos à espanhola...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hino de Forninhos

A Sra. Mariana Vaz, de Forninhos, fez-nos relembrar o chamado "Hino de Forninhos" que se cantava, com frequência, em honra da nossa aldeia, quando havia encontros festivos ou serões de convívio. Começava assim:

O meu distrito é a Guarda
o meu concelho é Aguiar
A minha terra é Forninhos
E a minha pátria é Portugal

I
Forninhos é terra linda
Nada tem que invejar
Fica na encosta da Serra
Vê o Rio Dão passar

Composto o refrão e música pelo Sr. Professor José Sobral, apresentou-se Forninhos no Cortejo das Oferendas com o queijo da serra e com os versos que escrevi aqui.
Mas em Forninhos, desde meados dos anos 60 (e durante todos os anos 70 e 80), um edifício da Igreja, a que chamávamos "O Centro", serviu de centro de cultura popular. Era lá que havia cursos, teatro...e nessa altura o Sr. Pe. Matos fez a nova composição do "Hino de Forninhos", de acordo com o que secularmente se produzia de modo a cobrir as necessidades locais e com a música da canção dos Cortejos.

 
II
É cercada de oliveiras
Esta aldeia, sem rival
Produz bom milho e centeio
Não lhe falta o bom pinhal
III
No concelho é a primeira
Na produção do bom vinho
É uma terra hospitaleira
Tem de tudo um bocadinho.

O pinhal (as matas) para além de prover o forno e o lar, oferecia resina.
Dos cereais panificáveis só o centeio e milho é que se produzia em quantidade apreciável. O trigo, mal chegava para as sementeiras, revertendo o sobrante para as filhós e bolos de azeite.
Não se usava pão de trigo, a não ser para as morcelas.
Já o azeite há 50 anos não chegava para os gastos. Mas isto, claro, observam os de idade e saber.
O forte da agricultura em Forninhos, segundo o hino, era o vinho. Pois. Era o vinho.



Para além do que se produzia, o Sr. Pe. Matos, Pároco de Forninhos de 1962-68, classificou ainda o património da freguesia, assim:

IV
Na parte nascente fica
Branca ermida da Senhora
Nós dos Verdes Lhe chamamos
Por ser deles protectora.
V
No topo da freguesia
Como anjos, a velar
Fica a Escola e o Centro
E a Igreja Paroquial

Desde essa época, de vez em quando, canta-se isso, para lembrar o nosso lindo torrão natal, fielmente e sem erros...
Mas em Julho/2016, a Sra. Mariana Vaz alterou os  III  e V versos/quadras e acrescentou mais dois versos/quadras.
Peço que cliquem nos documentos para ler algo como isto:

No topo da freguesia
Como anjos, como anjos, a velar,
Fica a escola e o centro
Fica a escola e o centro
Para todos ajudar


Tem fornos comunitários
E fontes, e fontes, com tradição
Onde o povo se reune
Onde o povo se reune
Partilhando Amor e Pão.

Etc. e tal...

Será que a Sra. Mariana Vaz quer intitular-se autora do hino escrito há 50 anos? Estranho não é?

sábado, 20 de agosto de 2016

Festa da Assunção de Nossa Senhora

Pus-me a pensar que muitos dirão que os post´s que faço sobre as festas são sempre a mesma coisa, mas quem me conhece e gosta de me ler. mesmo que critique, sabe que não, pois o tempo passa pelas pessoas e também pelas coisas e todos os anos, sendo o mesmo, é diferente. Basta ver:


Os guiões 'flutuam' ao vento que desafia quem os transporta.


Cumpriu-se a tradição, com Nossa Senhora voltada para a frente, como deve ser no 15 de Agosto. 


Forninhos evoca no dia da Assunção, Nossa Senhora dos Verdes


Missa Campal no Santuário de Nossa Senhora



A Banda de Manteigas, veio dar música ao acto litúrgico,


 tornando-o muito mais bonito!


Encostados à sombra dos Cruzeiros também assiste-se à missa


Diz a lenda que certo dia, uns caminhantes detiveram-se para matar a sede numa fonte e enquanto bebiam repararam numa bonita imagem de Nossa Senhora, como colocada ali ao lado ler maisTalvez em vez da fonte, fosse um ribeiro, o ribeiro que corre na parte de baixo da Capela, seja como fôr e tendo em conta a lenda (ou não!)...muitos anos depois o Santuário ganhou uma fonte, por iniciativa da Junta de Freguesia de Forninhos.


Um grande Bem-haja aos mordomos que, com trabalho, motivação e muita vontade, cumpriram o seu objectivo e a todos o que colaboraram para o bom êxito da maior festa de Forninhos.
Que os próximos mordomos consigam dar continuidade à tradição!