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segunda-feira, 28 de março de 2016

Domingo de Ramos 2016

Devido ao despovoamento galopante já não há muita gente, mas para que se possa mais tarde recordar, trago imagens do Domingo de Ramos- 2016- que pode apreciar, se lhe interessar.



Saiu-se do Domingo de Ramos e entrou-se na Semana Santa que culminou com as cerimónias de Sexta-Feira Santa (falo de Forninhos), dia de abstinência (não comer carne) e dia em que os sinos se calaram a partir das 15h00 (hora da morte de Cristo). No Sábado da Aleluia os mais velhos ainda recordam que os sinos deviam repicar às 10 horas da manhã, mas... só repicaram no Domingo da Ressurreição: Domingo de Páscoa. Se calhar até faz mais sentido, se Cristo ressuscitou no Domingo, porque é que os sinos hão-de repicar no Sábado?
Hoje, Segunda-Feira, foi dia da visita pascal, também chamado dia de tirar o folar.

Continuação de Boa Páscoa a todos os visitantes, pois dizem que se estende até ao próximo domingo, denominado dia da Pascoela.

domingo, 13 de março de 2016

Bôla de Carne, também se faz em Forninhos

Já divulgamos os bolos de azeite na tradição da Páscoa de Forninhos , mas a bôla feita a partir da mesma massa, recheada de carne do fumeiro, em formas rectangulares ou redondas também se faz em Forninhos.


No ano passado, a minha mãe, além da chouriça e presunto, incluiu pedaços de bacon, mas também há quem ponha carne de frango.


Por cima da carne estica-se outra parte da massa



Também eu fiz a minha parte...


É hora de levá-las ao forno e esperar que cozam...


Prontas...arrumam-se para que arrefeçam e depois se provar.

sábado, 5 de março de 2016

Raízes...

Anos 60 do Século XX, anos complicados! O início da Guerra do Ultramar condicionou a vida da nossa gente, nos anos da Guerra Ultramarina a freguesia de Forninhos chorou pelos seus rapazes, choro de morte, de aflição...Mas o pulsar das populações não parou. Durante este período mantinham-se as tradições e as crianças iam à escola e à catequese; os casamentos e nascimentos aconteciam e até houve Missa Nova na Terra.
«Sim, Forninhos vive num ambiente festivo de nobreza e engrandecimento.», como escreveu Ilídio Guerra Marques no convite feito a todos os Forninhenses disseminados pelas mais distantes partes do mundo.
«Há um murmúrio alegre que desce pelas quebradas dos montes! Há um balbuciar de preces nos lábios puros e inocentes das crianças! Há lágrimas que sulcam rostos encarquilhados de velhinhas! Há um ressoar de cânticos que se eleva sublime no Céu! Algo, enfim, de supremo e grandioso enche todos os corações e os une numa amizade santa e verdadeira.».
Desta época aqui ficam umas fotos e a seguir um poema recordação dedicado à nossa Terra para ajudar-vos a recordar com mais saudade e maior devoção essa Aldeia que trazeis no coração e que foi e continua a ser Berço de todos nós.
Leia que vale a pena.


convivas, 13 Agosto de 1967


Recordações de Gente nossa, alegrias e tragédias...

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Jogo do Raminho

Hoje é dia de apanhar algumas pontas que têm ficado mal atadas nestes anos todos. Por exemplo há uns aninhos falei dos jogos que jogávamos e falei por alto do jogo 'das comadres e dos compadres',  mas afinal o jogo das 'comadres' e dos 'compadres' não era apenas um jogo ou sorteio de nomes que acabava com  os casamentos carnavalescos, o sorteio do dia das 'comadres' distinguia-se do sorteio dos 'compadres'. O jogo das 'comadres' terminava no sábado de Aleluia, em que os rapazes presenteavam as raparigas com amêndoas.
Mas acabo de saber que afinal houve um outro jogo de sugestão amorosa praticado em Forninhos, com que as nossas mães, as nossas avós e bisavós brincaram. Chamava-se o Jogo do Raminho.


O jogo consistia no seguinte:
Aos domingos e dias Santos, depois do almoço, quando não havia baile, as raparigas juntavam-se em lugar abrigado ou ao sol e aí pegavam num raminho qualquer, malmequer, oliveira, alecrim, loureiro, sabugueiro...
A moça do ramo passava-o então à parceira do lado e dizia:
- Toma lá este raminho e adeus que eu me vou.
E a outra respondia:
- P´ra onde vais?
- Vou acarta do meu amor que tu não me dás.
- Dou, dou...
- Quem tu me dás? E encostava a boca ao ouvido da parceira, segredando-lhe:
- Dou-te F...
Novamente se repetia a lenga-lenga e se passava o raminho à moça seguinte e se dizia ao ouvido o nome dum rapaz e assim continuavam até se darem 5 voltas ao grupo, dando-lhe um namorado de cada vez.
Depois cada uma das participantes era convidada a dizer qual dos 5 nomes que lhes segredaram ao ouvido era preferido ou com qual ficava.
A escolha era assim, a primeira perguntava à segunda:
Quem te veste? Fulano, um dos cinco.
Quem te calça? Fulano..
Quem te dá comer?
Quem te leva a passear?
Quem te leva para a cama? Ela citava o nome e claro era este o eleito.
Feitas as confissões o jogo terminava.
Esta simples brincadeira foi com certeza veículo de alguns casamentos, pois constituía de certa maneira o primeiro passo a dar no caminho do namoro.

(Informante: M.ª Augusta Guerra da Fonseca).

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Mães de peito

Pintura de David Gerard
Noutro tempo havia muitas mulheres paridas e muita gente mal nutrida, assim, apesar de seios avantajados, faltava o nutriente para os rebentos. Havia muitos meninos e pouco leite. Recorriam então a quem lhes pudesse dar o peito para mamar por "esmola", sendo que eram considerados "filhos da esmola".
A tia Clementina teve três filhos e não dava leite, mesmo a vizinha, poucochinho, quase nada, mal dava para os dela, mas lá se amanharam e sobreviveram.
Uma mulher que bem conheci, teve sete filhos, quatro foram para os anjinhos de meningite ou o que quer que fosse, havia tanta maleita, sobreviveram três dos seus e  outros mais, entre eles a Clementina Pega e a Adenera que por as ter amamentado a chamavam de "mãe".
Outra mulher houve que tenho tido a filha, era muito abundante de leite e por tal ainda sobejava para dar de mamar a uma criança, hoje uma mulher  ainda robusta e trabalhadora.
Houve ainda quem na precaridade da vida, houvesse sido criado a café de cevada...
E aquele que diziam que nasceu de sete meses, nesta aldeia do fim do mundo, e a parteira para ele olhando, descrente, duvidou por estas palavras que ele fosse avante "as camisas que rompesse, não as pagavas tu...". Condenado pelo correr trágico da vida.
Mas havia mais. Quem pudesse, ainda se podia valer em quase extrema necessidade de chá de flor de laranjeira, mas pouquinho, apenas para limpar a boca da criança e do leite de vaca, havia que ter cuidado por se tratar de leite grosso.
Por tal e muito mais, sofriam as progenitoras. O trauma de poderem falhar na sobrevivência dos filhos, findo mais de meio dia de terem parido e o leite não escorrer. Não pensem em médicos, pois nem estradas havia, mas uma ou outra mezinha ou saberes ancestrais, tal como senhora mãe que quis provar por si se fulana tinha ou não tinha leite e dela mamou. Não tinha, nem uma gota! Foi salvo o rebento de uma coisa estranha, o leite em pó, naquelas latas do pós-guerra da Caritas...
E estas mães de peito, podendo, para se nutrirem a si, aos seus e dos outros, bebiam o segundo litro de leite cru de vaca, da ferrada da ordenha. O das ovelhas era sagrado para o queijo e o sustento.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Forninhenses em terras do Brasil

As minhas pesquisas sobre o passado de Forninhos, factos, pessoas, estórias, seguem a bom ritmo. O material existente é já vasto e em grande parte inédito.
Desta vez fui em busca dos dois filhos dos meus bisavós Teresa e Eduardo que emigraram para o Brasil (António -nascido em 26/04/1902- e Ilídio de Albuquerque), etc...e entre pequenos avanços e grandes recuos, becos onde se não vislumbrava qualquer saída, enfim, um pouco de tudo, eis que de repente encontro o cartão de registo da filha do Ilídio de Albuquerque e Aurora de Jesus. 
O irmão mais novo do meu avô Cavaca tinha na altura - 1936 - uma única filha com 6 meses de idade de nome Alice, e decidiu com a sua mulher Aurora, partir para o Brasil, deixando a bebé com os meus avós, Zé Cavaca e Maria Coelho, conhecida por Maria Coelha. Este registo permitiu-me chegar a outros forninhenses em terras do Brasil, gente que partiu para lá entre 1920 e 1960 em busca de uma vida que fosse para além do trabalho agrícola de sol a sol e que muitos de nós não conhecemos:


Mais tarde a Alice foi viver com os avós maternos para Moreira, freguesia de Penaverde e o seu pai, Ilidio de Albuquerque, faleceu ainda novo em terras do Brasil, sem que tivesse voltado à sua pátria. Já foi em idade casadoira que a Alice foi chamada para o Brasil pela sua mãe Aurora.


José Marques Coelho, filho de José Marques Coelho e Emília Coelho, nascido em Forninhos a 20-01-1906.


José dos Santos, carpinteiro, filho de Francisco de Almeida Esteves e de Alice dos Santos Marques, nascido em Forninhos a 08-04-1930.


António Gonçalves, filho de António Gonçalves e Patrocínia de Jesus, nascido em Forninhos a 15-02-1924.


Maria Filomena Carreira de Almeida, filha de António de Almeida e Albertina da Silva Carreira, nascida em Forninhos a 06-01-1935.


António Coelho de Almeida, filho de José Coelho e Justina de Almeida, nascido em Forninhos em 11-01-1901.


Américo dos Santos Melo, filho de José Ferreira de Melo e Aurora de Jesus Pires, nascido em Forninhos em 13-05-1920.


António Vaz de Melo, filho de Américo dos Santos Melo e de Ermelinda da Conceição Vaz. Nascido em Forninhos em 03-01-1953.


Maria Augusta de Almeida Esteves, filha de Daniel Esteves e de Ana de Almeida. Nasceu em Forninhos a 08-01-1934.


José Augusto Esteves, filho de Alípio Batista e Júlia dos Prazeres, nascido em Forninhos a 23-01-1902.


António Augusto, agricultor, filho de pai icógnito e de Maria da Graça Fernandes. Nasceu em Forninhos em 28-01-1918.


José dos Santos, filho de António Marques e Maria de Albuquerque Moreira. Nasceu em Forninhos em 22-04-1920.


Armando de Almeida, agricultor, filho de Diogo de Almeida e de Luiza dos Santos, nascido em Forninhos a 19-10-1921.


Rosa Craveiro, filha de António Paulo Craveiro e Esperança de Jesus. Nasceu em Forninhos a 22-02-1909.


José Urbano, pedreiro, filho de Maria Urbano, nascido em Forninhos a 20-01-1908.


Maria Adélia, filha de Francisco de Almeida e de Etelvina Fernandes. Nasceu em Forninhos a 29-11-1929.


Maria Augusta Batista, filha de Luiz de Almeida Nunes e Maria Batista dos Anjos, nascida em Forninhos em 07-01-1917.



Adenera Augusta, filha de Manuel Ferreira Urbano e Palmira Fernandes, nascida em Forninhos a 20-08-1918.

Gentes Forninhenses.

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Um agradecimento especial ao Aurélio Fernandes, filho da Alzira e neto da Etelvina Fernandes que me ajudou nesta pesquisa.
Colaboração: XicoAlmeida.