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sábado, 16 de junho de 2012

O CORNELHO


« Junho foice em punho»


Numa seara de centeio, algumas espigas continham o cornelho(1) que era muito procurado por adultos e crianças desde que as espigas amadurecessem até às malhas, pois vendiam-no bem caro. Depois de colhido passavam por Forninhos uns homens munidos com uma “balança de dois braços” para o comprar e pagar. Não só passavam em Forninhos, mas certamente em muitas terras, onde o centeio era uma das principais colheitas da região. QUEM TEM LENTICÃO PARA VENDER? Assim diziam em voz alta. 
No tempo que o dinheiro não abundava houve com certeza muitas pessoas que apanharam bastante e nele fizeram dinheiro para comprar a roupa e os sapatos da festa.



(1)O cornelho é um fungo que se desenvolve no centeio.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

1758 - Memórias Paroquiais de Forninhos

Já antes trouxe as memórias paroquiais. Trata-se, como já escrevi, de respostas às perguntas dos Serviços da Monarquia orientados pelo Marquês de Pombal. O Cura Baltazar Dias respondeu por Forninhos a 20 de Junho de 1758 a 14/15 das 60 perguntas e nota-se que, por um lado, não levou a sério a importância das suas respostas, quer para os objectivos do Reino, quer para benefício da «sua» terra e, por outro, a partir da pergunta n.º 13 nota-se que a tinta falhou. Mas hoje trago aqui as perguntas, para quem quiser seguir e conhecer o que se procurou saber da nossa terra, serra e rio e o que havia:



I
1. Em que província fica, a que bispado, comarca, termo e freguesia pertence? R:   Fica na província da Beyra, hé Bispado de Viseu, comarqua de Linhares, termo da Villa de Penaverde, freguesia de Santa Marinha, pertence o mesmo povo de Forninhos.

Um apontamento:
Nesse tempo não havia freguesias. A divisão de base da organização territorial religiosa sempre foram as paróquias, como se sabe. Mas o padre escreve «...pertence o mesmo povo de Forninhos» (povo aqui significa claramente aldeia) então a localidade já se chamava Forninhos (no canto superior lê-se perfeitamente "Forninhos").

2. Se he delRey, ou de donatário, e quem o he ao presente? R:  Hé do infantado do Sereníssimo Infantado Dom Pedro, que Deos guarde.
3. Quantos vizinhos tem [e o número das pessoas]? R: Tem esta freguesia noventa e seis vizinhos, duzentas e trinta pessoas mayores e quarenta menores. 
4. Se está situada em campina, valle, ou monte, e que povoações se descobrem dela, e quanto dista? R: Estamos num vale cercados de uns montes do Nascente. (?).
5. Se tem termo seu, que lugares, ou aldeas comprehende, como se chamam, e quantos vizinhos tem? R: É termo da villa de Penaverde confrontando.
6. Se a paróquia está fora do lugar, ou dentro delle, e quantos lugares, ou aldeas tem a freguesia, todos pelos seus nomes? R:  A paróquia está próxima ao povo. Hé orago de Santa Marinha, tem o Altar mor e dous colaterais.
7. Qual he o seu orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem irmandades, quantas, e de que santos?

Uma nota:
O padre inclui na resposta n.º 6 a resposta à pergunta n.º 7 também. Sobre se a terra tem irmandades, quantas, e de que santos «Nada».

8. Se o pároco é Cura, vigario, ou reytor, ou prior, ou abbade, e de que apresentação he, e que renda temR: O Párocho hé Cura, hé apresentado pelo Reytor da igreja de Nossa Senhora da Purificaçam da Villa de Penaverde, tem de renda vinte mil réis.


9. ...
10. ...
11. ...
12. ...
13. Se tem algumas ermidas, e de que Santos, e se estão dentro, ou fora do lugar, e a quem pertencem? R: Tem uma Capela de Nossa Senhora dos Verdes fora do povo próximos pertence a mesma Igreja, tem mais uma Capela de Santo António esta da quinta dos Valagotes.
14. Se acode a elas romagem, sempre, ou em alguns dias do anno, e quaes são estes? R: São obrigados à Capela de Nossa Senhora dos Verdes várias procissões em alguns dias do ano principalmente nos dias Santos do Espírito Santo.
15. Quaes são os frutos da terra que os moradores recolhem em mayor abundância? R: Os frutos sam pam e vinho, cereja azeite e castanhas. 

Um apontamento:
Quanto a mim, escreveu “cereja”. Esta referência às cerejas, deve ser porque respondeu no tempo delas (Junho). (?)

16. Se tem Juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual he estaR: Nam. Juiz esta sujeito ao Juiz ordinário do concelho da villa de Penaverde.
17. ...
18. ...
19. ...
20. Se tem correyo, e em que dias da semana chega e parte; e, se o não tem, de que correyo se serve, e quanto dista da terra onde ele chega? R: Nam temos correyo. Servesse pelo correyo de Viseu.
21. Quanto dista da cidade capital do Bispado, e quanto de Lisboa, capital do Reyno? R:  Dista da cidade de Viseu capital do Bispado cinco léguas. E da Corte de Lisboa cinquenta duas. (??)

Um apontamento
Entendi que o padre diz que de Forninhos a Lisboa são cerca de «sessenta  legoas» e a Viseu «cinco legoas» (1 légua = 5Km) ou estava mal informado ou faziam naquele tempo um caminho diferente para Viseu. (?)

22. ...
23. ...
24 ....
25. ...
26. Se padeceu alguma ruína ao terramoto de 1755, e em quê, e se está já reparada? R: Nam padeceu ruínas no terramoto de 1755.
27. ...
Aos mais interrogatórios não tenho que dizer…
Vinte de Junho de mil setecentos e cinquenta e oito. 
Pe. Cura Baltazar Dia

Uma nota: 
À pergunta n.º 22 sobre se esta terra tem alguns privilégios, antiguidades, ou outras cousas dignas de memória, o padre não responde. 

II
O que se procura saber desta serra he o seguinte:
1…
2…


Ao que se procura saber da Serra “Se há na serra minas de metais, ou canteiras de pedra, ou de outros materiais de estimação?” “Se há na serra alguns mosteiros, igrejas de romagem, ou imagens milagrosas? «Nada».
Sobre o Rio desta terra “Como se chama, assim o rio, como o sítio onde nasce?” "Se tem pontes de cantaria, ou de pao, quantas, e em que sitio?" “Se tem moinhos, lagares de azeite, pizoens, noras, ou outro alguns engenho?” «Nada».

Nota Pessoal:
Eu não sou historiadora, nem tenho conhecimentos de paleografia, pelo que fiz a transcrição das «memórias paroquiais" por semelhança e a seguir passo a passo as perguntas, mas reparem que coloco algumas interrogações. Outras poderão ser colocadas por aqueles que se interessarem por estas coisas. Já agora digo-vos que quando se tem curiosidade e vontade de escrever a nossa verdadeira história descobrimos documentos, vestígios, provas, indícios e muitas coisas da tradição.

domingo, 10 de junho de 2012

Diferentes...em quê?

Para os mais velhos aqui vai, para recordar o passado, uma fotografia tirada há mais de 40 anos, no dia 15 de Agosto, na S. dos Verdes:

Quem se reverá ou encontrará nesta foto?

Para os mais novos, aqui vai, para compreenderem o presente, uma fotografia tirada na S. dos Verdes, no dia 15 de Agosto de 2008: 

Recuar no tempo e recordar o passado é compreender o presente, e estas duas fotografias, espaçadas no tempo, cerca de 40 anos, tiradas na S. dos Verdes no dia 15 de Agosto, são a confirmação do espírito forninhense.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

CEREJAS

Fruta da época
CEREJAS
Esta é uma fruta que agrada a muita gente.

flor da cerejeira

cereja ainda a começar a crescer

cerejeira em flor
Uma cerejeira preta uma das 3 variedades que existe em Forninhos:

cereja preta

cereja comum (rosa)

a nossa bela cereja
e...cereja branca
Uma qualidade menos conhecida de muitas pessoas e embora tenha um sabor ligeiramente diferente,  é muito saborosa. Já agora, são servidos? 


 Mas também temos os morangos:

belos e saborosos morangos
da horta do tio Samuel e tia Ema

terça-feira, 5 de junho de 2012

Tradições do Divino Espírito Santo

Tradição levada para os Açores pelos primeiros colonos, a festa do Espírito Santo terá sido fruto da devoção que a rainha Santa Isabel dedicava ao Divino Espírito Santo, sendo que a ocorrência de catástrofes naturais, o isolamento das ilhas aliado à fama dos milagres operados pelo Espírito Santo, contribuíram para o que culto ao Divino se desenvolvesse e fosse levado pelos emigrantes açorianos para terras distantes e está de tal modo entranhado no viver e no sentir das gentes açorianas que aqui deixamos meia dúzia de imagens enviadas pela Natália, que também usa "M.D." para se ter uma ideia do prestígio da Festa do Espírito Santo nos EUA (Rhode Island), onde ainda hoje são repetidas as antigas cerimónias com muito fervor pelos emigrantes devotos católicos:


Como símbolo da Terceira Pessoa da Trindade, a  coroa é objecto de culto, 


mas de um culto paganizado, 


onde a Igreja desempenha um papel reduzido,


 limitando-se a abençoar  a casa do "Imperador"


 Converte-se em altar o espaço, armado de cetins, flores, velas,  coroas 

e  bandeira do Espírito Santo

Como podem ver, o dia do Pentecostes é festejado popularmente, todos os distintos visitantes da casa cantam canções ao Espírito Santo, toca-se e baila-se. Estas festividades têm características diferentes de ilha para ilha e até de povoação para povoação,  mas todas  têm em comum a coroação do "Imperador".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia da Criança, Excursões da Catequese ao Buçaco, Nazaré e à Serra da Estrela

Dizem que hoje dia 01 de Junho é o "Dia da Criança" e por isso resolvi deixar aqui, nesta data, as fotos antigas das excursões da Catequese ao Buçaco e à Nazaré, que prometi aos que me lêem:



São imagens como estas que nos fazem perceber que é cada vez menor o número de crianças nas nossas aldeias, pois se colocarmos uma imagem dos passeios da catequese de hoje...como tudo é diferente, meu Deus!




Durante anos a catequese foi muito importante na educação e formação das crianças e de certa forma os bons catequistas desse tempo foram quem nos incutiu carácter e valores cristãos, mas a verdadeira base da catequese, acho eu, que é em casa, pois são os pais que devem dar o exemplo. E eu sinto orgulho por ver nestas fotos aqueles que viriam a ser os meus pais e a minha madrinha de baptismo.


Estas fotografias terão sido tiradas no ano de 1965(?)...e as crianças e os jovens catequistas hoje têm +47 anos (por aí...). Quem conhecer os jovens e algumas crianças envie os nomes para os comentários.

As fotografias foram tiradas do albúm, de:
Natália (m/ madrinha);
Sr. Pe. Matos (m/ padrinho);
Meus pais: Samuel e Ema.

Um Grande Bem-Haja pelo Contributo!

P.S. AFINAL A ÚLTIMA FOTO FOI TIRADA NA TORRE DA SERRA DA ESTRELA. Agradeço à Natália a correcção.