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sábado, 19 de maio de 2012

O raminho da "espiga"

Para complementar o Post anterior fotografei a banca onde comprei o meu colorido raminho, que decerto nem todos sabem como é,



e para completar pedi à minha prima Maria se podia enviar o dela, que eu gostava de ver o pão atado:

Tradicionalmente o ramo deve ser apanhado pela manhã e depois pendurado atrás da porta e durar até ao dia da Espiga seguinte, para termos fartura durante todo o ano,

mas como andei arredada muitos anos desta tradição arrumei-o na minha lareira.
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma flor deste tempo

Recordo-me em criança ver por este tempo na minha terra os campos e todos os montes pintados de amarelo dos malmequeres e das giestas, o roxo dos rosmaninhos e outras flores selvagens de múltiplos tons, no entanto, papoilas havia poucas. 
Já por aqui, o vermelho das papoilas sobressai no fundo verde dos “semi-campos” e no “Dia da Espiga” é prática colher pela manhã espigas, ramo de oliveira, papoilas, malmequeres e com elas formar um raminho, que é vendido para guardar dentro da casa ao longo do ano até ao Dia da Espiga, do ano seguinte. O costume em Forninhos é a bênção dos primeiros frutos e não é prática apanhar “a espiga”, mas como alguns forninhenses residem em municípios portugueses e países como França, Alemanha, Suíça, onde Quinta-Feira da Ascensão é feriado, achei interessante escrever sobre a tradição do ramo a que se chama de “espiga” e fotografei a flor que representa o sangue das 5 chagas de Cristo, para todos os amigos bloguistas que nos visitam aqui.

Boas Colheitas.

sábado, 12 de maio de 2012

História Antiga: O NOSSO VINHO

A produção de vinho é em Forninhos uma arte secular, se não mesmo milenar. Querem saber porquê?


Temos desde épocas muito remotas alguns exemplos de lagaretas/lagares talhados em rochas graníticas, que se destinavam provavelmente à pisa da uva pelo pé do homem. Estes lagares constituídos por piso pouco profundo (pia rectangular) e pio (orifício ou bica que deixa escorrer o mosto) devem ter sido o modelo base.
E, já há mais de meia dúzia de séculos, a produção do vinho nas nossas terras era referida a par de outras produções, isto escreveu o principal informador das Inquirições de D. Afonso III (1258) no seu relatório.
F. Dominici disse darem de jugada uma taleiga de trigo e três de centeio os homens de Fornos, de Dornelas, Casais de Moreira, Mosteiro e Fim de Moreira e Queiriz que eram aldeias de Penaverde. E quem tivesse vinhas e colhesse delas cinco moios devia dar um puçal; se não tivesse cinco moios nada pagaria.

Et homo qui haberet vineam et colligeret de ea quinque modios debeat dare I pugal et si non haberet quinque modios nihil debate dare.

Mas Forninhos é, ou, não é, terra de produção de vinho, de boa pinga? Não haverá agora ninguém dos da "velha guarda" que não recorde aquela cantiga da nossa terra:

No concelho é a primeira
Na produção de bom vinho
É uma terra hospitaleira
Tem de tudo um bocadinho


Em qualquer aldeia da nossa região, a vindima era uma das tarefas que com mais prazer se fazia, diria mesmo que o dia da vindima era um dia de festa em cada casa. Mas desde o cultivo à ingestão do próprio vinho, muito trabalho há que fazer e os que me estão a ler melhor do que eu sabem como se faz toda a faina do vinho. Plantar videiras; tratar delas; podar com sabedoria (são poucos que a sabem fazer mesmo a sério); atar; descavar, a cava, que era feita no dia 25 de Abril, porque no S. Marcos os bois não trabalhavam e escolhia-se este dia para cava das vinhas; enxofrar/sulfatar com a enxofradeira, lembro-me falarem do míldio como uma verdadeira praga; espoldrar; curar. Depois parece que até à vindima não se "toca" mais na videira a não ser, se calhar, para tirar alguma folhagem para facilitar o trabalho aos vindimadores.


A uva dantes era colhida para os cestos/canastros e daí para a dorna e para o lagar, mas num passado recente podia ser pisada só na dorna, com os pés descalços e bem lavados (digo eu).


Em todo o caso, o vinho depois disso ferve e limpa tudo. 


De seguida era metido nos pipos e nas pipas e assim ficava nestas vasilhas por umas semanas. Mas regra sagrada:no dia de S. Martinho, vai à adega, fura o pipinho e prova o teu vinho.


O que sobra é o canganho, que vai servir para fazer no alambique a aguardente bagaceira. Esta tarefa cada vez se faz menos, mas ainda se vai fazendo.


E não podia terminar este artigo sem me referir à ASAE, uma polícia que tanto tem destruído e continua a destruir o que sempre foi feito com sabedoria - fazer boa aguardente, por exemplo.


Lembrete:
Vai acontecer em Forninhos, no dia 12 de Agosto de 2012, a "Rota do Azeite e do Vinho Dão" inserida na actividade denominada "Caminhadas na Natureza". 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Memórias de outros tempos: As Excursões III


Esta geração vivia com muitas limitações e as excursões serviam de bálsamo para estes homens e mulheres que todos os dias trabalhavam as terras, tratavam dos animais, cuidavam dos filhos e da casa. Noutra excursão aqui já editada a Yayá disse-nos que as pessoas antigamente não sorriam em demasia nas fotos. Esta tirada em Braga (numa excursão) confirma bem esse detalhe, mas conhecer um lugar diferente certamente era muitíssimo agradável e dentro do autocarro os momentos eram de muita reinação como ilustra a fotografia seguinte:


Diz a minha tia Margarida que a foto tirada ao meu avô Cavaca e à Rosinha (de Dornelas) foi dentro do autocarro em andamento. A Rosinha está com o casaco e chapéu do meu avô e ele está com o casaco e acessórios dela. A minha tia ajudou-me a reconhecer a Rosinha, mas da foto a Braga pede-nos ajuda para identificar as pessoas. Eu reconheço algumas mulheres, mas não consigo identificar nenhum homem, mas reparei que apesar das apertadas liberdades da época, o sexo feminino estava em vantagem. 

sábado, 5 de maio de 2012

A sacha do milho


Depois da sementeira do milho há sempre que fazer, sachar, regar, etc…por mais cuidada que a terra esteja, cresce sempre ao mesmo tempo que o milho as ervas daninhas e a sacha serve para arrancar essas ervas. Para este trabalho/tarefa lá iam ranchos de pessoas com os sachos ao ombro, que durante horas sachavam e arrancavam as ervas.
Mas…a primeira tarefa da sacha do milho era arralar, um trabalho mais ou menos leve, pois o mais difícil era não arrancar o pé de milho certo, depois era pegar no sacho e juntar-se ao rancho.
Esta fotografia tirada nas Corgas mostra precisamente um rancho de pessoas a sacharem milho e também o feijão/chícharros e abóboras que eram semeados no meio do milho. Hoje é uma mata de carvalhos americanos. Mas, neste terreno das Corgas num ano era semeado centeio, no ano seguinte, milho. Regra geral era assim em todas as terras, mudando de cultura, descansa a terra. 
Nota-se que o calçado das mulheres é aberto, a mulher de escuro e lenço na cabeça até parece estar descalça, o que era vulgar, mas convém destacar que nesses tempos apareciam muitos lacraus. Seria interessante a descrição do lacrau (escorpião) e histórias vividas. Quem quiser ou tiver vontade de deixar de ser um leitor passivo, pode e deve fazê-lo.
*
Foto: sacha do milho nas Corgas, cortesia da D. Augusta Joana
Da esquerda para a direita: o seu pai: tio Armando; o seu tio João; sua tia Rosária; a tia Esperancinha; Joana; Alfredo; tia Ana (sua mãe); a rapariga com a bébé ao colo é a sua prima Teresa e a bébé é a Manuela (filha do casal Alfredo e Joana). 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tradições: Voto, Procissão de Ladaínhas à N.S. DOS VERDES

A Senhora dos Verdes de Forninhos, advogada dos frutos e sementeiras, sempre teve muitos devotos em todas as freguesias dos concelhos à volta e duas romarias no ano: Segunda-Feira do Espírito Santo e 15 de Agosto. Segundo a tradição oral conta, houve em tempos uma praga de gafanhotos que comiam os campos. Os lavradores desesperados com a situação fizeram uma promessa a Nossa Senhora para afastar a praga dos campos, o que veio acontecer. Como agradecimento, os lavradores todos os anos lhe faziam uma romaria em sua honra, em que as ofertas era sempre os melhores produtos que colhiam na terra. O ex-Voto, Quadro do Milagre, é um testemunho dessa realidade e tem a seguinte inscrição:

MILAGRE QVE FES N.S. DOS VERDES EM AS SEARAS DESTRUVIDAS DOS BICHOS E FAZENDO HVA MVI DEVOTA PROCIÇAM OS MORADORES CIRCVM VEZINHOS, FOI NOSSA SENHORA SERVIDA QVE SE APLACASSE ESTA PRAGA. ERA DE 1720.


Dia 3 de Maio, é o Dia de Santa Cruz, uma data que os forninhenses ainda preservam em respeito à própria memória e à dos seus antepassados. Assim, amanhã, pelas 09 horas, o povo de Forninhos irá em Procissão de Ladainhas, cumprir o Voto à Senhora dos Verdes e para abençoar os campos para que a peste, a praga, trovoada, não entre nos nossos campos e a fome na nossa casa, durante o ano, colocam uma cruz nos campos semeados. Em tempos idos, segundo as falas dos mais antigos, a cruz era colocada só nos campos de centeio.
No Espírito Santo é também costume ir ali em romaria a Procissão das freguesias de Esmolfe, Sezures (?) Penaverde, assim como a de Dornelas. Sei também que em tempos bem recuados todas as freguesias do extinto concelho de Penaverde, bem como as freguesias do antigo concelho de Algodres eram obrigadas ali ir em procissão cantar as ladainhas com a cruz alçada e o respectivo Pároco, precisamente no Espírito Santo. Depois o Prelado diocesano proibiu a actuação de outros padres, que não o Pároco de Forninhos, mas as freguesias continuaram a comparecer na mesma e cada uma por sua vez “cumpriam o voto” fazendo a romaria e cantando a ladainha a Nossa Senhora dos Verdes ou outros cânticos marianos. Foi assim ao longo dos tempos e ainda não se perdeu por completo esta tradição.
Não sei dizer-vos desde quando estas ladainhas têm existência, mas provavelmente terá sido no Século XVIII, depois do milagre ocorrido nos campos da região.

Nota Pessoal:
Dia 28 de Maio de 2012 é Dia do Espírito Santo e a única coisa que sei é que o impasse "administrativo" das nossas festas continua por resolver.