Era uma vez um país
Onde entre o mar e a guerra
Vivia o mais infeliz
Dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
Vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era liberdade.
Quem o fez era soldado
Homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Foi essa força viril
de antes quebrar que torcer
quem em 25 de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis...
Do Poema "AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU" de Ary dos Santos.
O 25 de Abril que ficou na história como a Revolução dos Cravos - o cravo simbolizou a Revolução sem sangue - marcou o final da ditadura e abriu as portas à Democracia e à Cidadania. Hoje podemos escolher quem queremos que nos governe ou represente, hoje qualquer um pode eleger e ser eleito, hoje todos podemos manifestar a nossa indignação relativamente aos políticos que nos governam, mas nem sempre foi assim.
Em Portugal comemora-se depois de amanhã o
DIA DA LIBERDADE


