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domingo, 26 de fevereiro de 2012

1734 - Visão da Igreja de Forninhos

Como já antes escrevi, a Igreja Matriz de Forninhos, foi reedificada ao lado da velha capela-mor, que ficava ao lado da Igreja nova. "1797 - Forninhos - Os moradores do Lugar e Freguesia de Forninhos, anexa a Penaverde, reedificaram a sua Igreja - «tanto de paredes como de armação...e da mesma sorte a CAPELA-MOR com a sua TRIBUNA nova, asseada com toda a decência».Durante as obras de reedificação, os fregueses serviram-se da velha capela-mor, que ficava ao lado da igreja nova, na qual não cabia a quarta parte do povo da freguesia.".
E quando parece que já nada mais de concreto há para descobrir sobre a nossa história, não porque não haja passado, obviamente, mas por não haver documentos, vestígios e outras provas, eis este fabuloso documento de 1734:


"He cousa pouca não convem estar ali igreia pode ir a Ornelas, ou a Matança - Dandose algua cousa pellos currãres, mas não a Ornelas por serem Abbas anexas a Pena Verde.".
Do que leio, embora Forninhos ao tempo não tivesse uma boa igreja, assim como não haveria grande coisa, já era sede de paróquia, e como os seus moradores reedificaram a sua igreja, em 1797, suponho que não fosse preciso ir a Dornelas ou à Matança, mas fica sempre a incerteza, claro está, dada a falta de outra documentação que se conheça e falta de investigação do passado longínquo de Forninhos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os jogos que jogávamos

Andar "ao" arco era um desporto popular. O objectivo era correr o mais possível com a roda (arco) e com o gancho para impulsionar.


Depois do Carnaval cessavam quaisquer demonstrações de alegria, porque na Quaresma não se cantava senão na Igreja, nem se tocava qualquer instrumento, muito menos dançar! Até às crianças se proibia o simples assobio. Os miúdos e juventude entretinham-se somente com alguns dos jogos sempre iguais de há décadas.
Armava-se o pelão que era uma pedra espalmada levantada a pino e com a face mais lisa virada para o campo de jogo (jogo que já vinha da Alta Idade Média). O lugar escolhido era a estrada da oliveirinha. Escolhia-se os elementos de cada grupo. Um grupo ficava junto ao pelão, o outro "ia acima". Julgo que para se escolher qual dos grupos ficava primeiro junto ao pelão deitava-se uma moeda ao ar e perguntava-se: «cara ou coroa».
Cada parceiro do grupo atirava, i.é, jogava a bola de péla diante de si, com a esquerda e batia-lhe com a direita para "os de cima". Se algum a "acanava" - apanhando-a sem a deixar bater no chão - ganhavam os de cima 3 tentos. Senão jogava-a rasteira para o pelão. Batendo neste era "mão morta"; caso contrário era 1 tento para os de baixo. Quando os de cima tivessem morto a mão de todos os de baixo, alterava-se a posição dos 2 grupos.
Acho que era assim.
-/-
O Jogo da "Reza" começava na Quarta-Feira de Cinzas e acabava no Sábado de Aleluia e consistia numa espécie de acordo celebrado entre duas pessoas. Uma delas propunha à outra: «Queres andar à Reza comigo?». Aceite, quem primeiro avistasse a outra gritava-lhe: «REZA!». Isto tinha de ser ao ar livre, porque debaixo de telha não valia. Originalmente, só se deitava a reza 1 vez por dia, depois da luz da rua acender (antes de haver luz eléctrica deitava-se a reza depois do sol se pôr), mais tarde já podia ser quantas vezes quisessem e até se podia andar com um caco de telha na cabeça. Era muito engraçado. Quem ficasse com a Reza no Sábado da Aleluia perdia o jogo e tinha de oferecer à outra as amêndoas. Também havia as "Bodas da Reza".

Por se enquadrar perfeitamente neste tema, ao que jogávamos e com que brincávamos nós mais?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

E o Carnaval acabava

No Carnaval da década de 80 era costume grupos de rapazes meterem ao longo do Largo da Lameira os carros dos bois (tipo comboio). Os carros desapareceram, mas a tradição de "enfeitar" a Lameira ainda foi o que era até há meia dúzia de anos atrás (+ou-). Para conhecer um pouco mais do Carnaval na nossa terra, a Cila enviou-nos as fotografias seguintes:




Saudações carnavalescas e voltamos a encontrar-nos por aqui na Quaresma.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

As Festas-Concurso do "Queijo da Serra"!

Em seguimento da entrada do dia 9 de Fevereiro, aqui tem o que foi o regulamento do concurso de queijo, que se realizou em 1980 em Fornos de Algodres:


Creio que este modelo de feiras continuou pelo menos uma decada, mas depois foi substituido e ainda gostava de saber porque?
Mas: ..."mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... ja assim dizia o nosso grande "Camões"!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os Entrudos


Esta fotografia foi tirada no Domingo Gordo de 19--? num dos bancos de pedra junto à Venda do Sr. José Bernardo (hoje a casa é do Sr. Paredes) e esteve esta relíquia guardada no baú da minha tia Margarida que a enviou para nos dar a conhecer como se vestia a geração de 30 e 40 no Entrudo, que é o nome correcto para o que agora se denomina de Carnaval. Os Entrudos para não serem conhecidos tapavam a cara e vestiam-se de forma trapalhona e o mais disfarçada, cómica ou assustadora possível...e era já nesta semana que, à noite, assim percorriam as ruas e visitavam as casas de amigos, vizinhos e familiares.
Quem serão estes 5 Entrudos? Difícil de identificá-los, não é verdade?
Neste dia de Domingo Gordo havia também um hábito, um gesto, que consistia em levar aos lares pobres mais chegados, daqueles que não "matavam", uma malga de papas de ralão com carne. Por isso se dizia na nossa terra que o Entrudo morreu cheio de carne e de papas. Tudo agora é diferente...mudam-se os tempos...mudam-se os hábitos.
O fim desta festividade terminava com o enterro trágico do Entrudo e as pessoas "choravam" de forma dramática "o Santo Entrudo".

Um bom e divertido Entrudo a todos!