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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Cantilenas de maio e o trigo de sacho

Confesso que me meti por caminhos mal explorados, mas valeu a pena.
O tema veio simplesmente por respeito a costumes antigos, como em tantas aldeias, para "defender a nossa". Mesmo em coisas parecidas , sabe bem sentir que as nossas gentes tais tinham, mais...



Procurei saber. Pelo que tinha pesquisado era quase tudo parecido naquelas lenga lengas bonitas, floridas por serranias com amores madastros com cheiros de maias, umas brancas outras amareladas.
E os nossos contos, claro, que acarretam cantigas de outrora, cantadas pelas ceifas, desde os "dois namorados", as "putigas" e tanto de tantas coisas...
Mas o Maio?
Tive respostas.
Gentes antigas que deste tempo me falaram, alem das tradicionais trovoadas do campo e suas actividades, que era o que me interessava.
Das sachas da batata e milho e daquelas coisas que tenho de aprender do serôdio ao temporão e qual deles tem de ser semeado mais cedo. depois alguém me diz que semeavam o centenico nas terras mais secas. Conto como apanhei o relato de uma garganta de quase noventa, mas acredito, sobretudo aquando me fala no trigo do sacho. O trigo tremês...
Colhido maduro por alturas de Julho e depois malhado a mangual para moer. Antes tinha de ser lavado, esfregado e colocado ao sol, antes de ir para o moinho dos moleiros que recebiam em dinheiro ou por maquia, naqueles tempos de fome.
Senti o saborear das palavras pausadas, degustando cada silaba, vivendo momentos.
Dali vinha a farinha mais fina, para uma doença ou para cozer os bolos de azeite pela Páscoa.

Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a lareira , anda todo o ano em canseira.

sábado, 23 de abril de 2016

Mestres-Pedreiros de Forninhos no séc. XVIII

Há já algum tempo escrevi um artigo que intitulei Forninhos: Terra de Pedreiros, mas não sei se todos os forninhenses ficaram conscientes de que fomos mesmo uma terra de mestres-pedreiros, por isso hoje trago-lhes um documento que testemunha quão importantes eles foram para esta região no século XVIII:


António Ferreira do lugar de Forninhos comarqua de Linhares bem assim António Esteves do mesmo logar de Forninhos comarqua de Linhares...eles oficiais de pedreyros tabaliam em fazerem a obra da capella de sam Miguel sita em o termo desta mesma villa ao cimo do povo (...).


Capela de S. Miguel da Matança; esta obra foi feita por mestres-pedreiros de Forninhos! Uma capela bem mais bonita do que a de Santa Eufémia (mais acima) que gostamos de visitar em dia de romaria, mas estou convencida que depois deste 'post' quem é forninhense vai querer visitar esta capelinha na primeira oportunidade.

Contributo: João Nunes.

terça-feira, 19 de abril de 2016

A verdade da mentira


Sobre Forninhos, directa ou indirectamente, em 02-v-931 o arqueólogo viseense José Coelho, no seu caderno de notas, sua fl. 57, em resumo, escreveu que "Numa grande área existem abundantes ruínas de construções, cujos alicerces são bem evidentes..."
"Vêem-se a meio do povoado ainda ruínas da cap. medieval de S. Pedro..."
"Ver na folha sgte ara de sacrifícios?"
Estas notas inequivocamente datadas de 1931 referem-se ao Castelo dos Mouros, do sítio medieval de S. Pedro, em Forninhos; a ara de sacrifícios é o que nós forninhenses popularmente chamamos de a forca.
Agora como é que se explica isto?

imagem inserida na pág. 30 da monografia
Como se explica a data de 2-V-932 inserida na fl. 58 do Caderno de Notas de José Coelho?
Afinal José Coelho visitou este local a 2-v-931 ou 2-v-932?
Talvez  alguns números e letras estivessem tão claras que deu jeito as reescrever de forma legível. De facto, basta observar atentamente a imagem da pág. 30 da monografia de Forninhos, a terra dos nossos avós, para ver que alguém manipulou o escrito do Dr. José Coelho e ainda acrescentou um ponto de interrogação (?).
Por debaixo do "Penedo de sacrifícios?" está escrito, a maior, "Penedo de sacrifícios" sem qualquer pontuação. A interrogação existe na fl. 57, mas na fl. 58, a existir, seria +ou- por baixo do 8 e não do 5.
Cliquem na imagem, observem bem e digam-me afinal o que a EON&Cp.ª ganharam com isto?
Eu digo: ganharam mais um peso na consciência se é que a têm. 

Forca, com o Castelo dos Mouros ao fundo

Por se assemelhar a uma lagareta, definiram este penedo como sendo um lagar rupestre destinado ao fabrico do vinho e azeite, mas se o é...porque então o povo chama a este monumento medieval a forca e não lagarinho ou lagariço como chamam a outros lagares encontrados por perto?

Quem era José Coelho?
Professor, historiador e arqueólogo, José Coelho notabilizou-se pelos seus estudos de história e arqueologia regional.
Ao longo da sua vida foi recolhendo e juntando na sua Casa da Via Sacra um interessante espólio arqueológico. Após a sua morte (7 de Abril de 1977), os seus filhos, ofereceram, em 1979, a coleção de peças e apontamentos (Cadernos de notas Arqueológicas) à Câmara Municipal de Viseu, que se comprometeu a expô-los. Esta coleção esteve patente em várias exposições temporárias desde essa altura, encontrando-se expostas desde 1980 na Casa do Miradouro.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SAUDADES DOS CEGOS PAPELISTAS

Para que nao morra definitivamente no esquecimento. 
Ainda vive na nossa aldeia quem se lembre dos folhetos vendidos e cantados por feiras e romarias. Eram os cegos que acompanhados por bandolim ou concertina, traziam e contavam histórias trágicas, verdadeiras ou inventadas que as aldeias tomavam como suas ou pelo menos parecidas e por tal relevavam nas suas cantorias... 


Ainda hoje se ouve, tal como ouvi na Páscoa a "Coitada da Maria Alice" cantada e como que chorada entre amigos numa romaria ou feira quase deserta, como que revivendo aqueles tempos do nosso triste fado.

"Coitada da Maria Alice
 Foi levada pela doidice
 Para a casa da desgraça
 Seus pais à procura dela
 Lá a viram numa janela
 A dar beijos a quem passa

 Um homem que era seu tio
 Nunca teve tal desvio
 De naquela casa entrar
 Ao ver a sua sobrinha
 No meio de tanta menina
 Nem um beijo lhe quis dar

 Sobrinha rica sobrinha
 Tão amada como eras
 Abandonaste os teus pais
 Mais te valeria a morte
 Do que andar pelos jornais

 Que fizeste aos teus vestidos
 Tão bonitos e compridos
 Um bocado lhe cortastes
 Foste viver para a viela
 Com tuas pernas à vela
 E teus pais abandonaste".

Curiosamente, cada terra guarda ainda estas cantorias a preceito conforme lhe convém aquela com que mais se identificavam e cantavam pelos campos, não sendo raro adaptarem letras de desvarios locais.
Estes cegos cancioneiros, acompanhados normalmente por mulher, e por vezes crianças...ou cão, não passavam pelas aldeias, por estas passavam os pobres pedintes.
Por tal, as gentes de Forninhos e outras como iguais, aquando iam vender os seus queijos, porcos e mais haveres às feiras circundantes de Aguiar, Fornos, Feira Nova, Castendo e  a extinta feira da Parola de Dornelas, tal como agora com o Seringador, não esqueciam esta literatura de cordel, os folhetos dos cegos.
Sem rádio nem televisão, o mundo vinha ali escrito numa desgraça infinita que depois cantados em ceifas ou vindimas, ficava virado ao avesso.
Mas com muito mais desgraças...

sábado, 9 de abril de 2016

Cruzeiro do Porto (Forninhos)

Apesar de ser um dos mais bonitos cruzeiros da freguesia de Forninhos não foi este cruzeiro objecto de um rigoroso e monográfico estudo. A monografia de Forninhos, a terra dos nossos avós descreve este cruzeiro como "Cruzeiro/Alminhas do Porto" e  diz-nos que data do séc. XIX/XX (fonte??). 
É óbvio que não são umas alminhas e desconhece-se a sua exacta cronologia, assim como pode discutir-se se o local onde se encontra corresponde ao original.


Estilisticamente, o cruzeiro distingue-se em partes distintas: a base quadrangular, a coluna com três cavidades e a secção onde assenta a cruz com as extremidades decoradas com flores tipo rosas.





Já muito diluído, as cavidades aparentam ter restos de ocre avermelhado; a ser ocre este cruzeiro deve ser muito mais antigo "os mais velhos ainda se lembram" aqui recitar o responso final aos defuntos dos Valagotes, seguindo depois em "acompanhamento" para a igreja. 


No século XX a base do cruzeiro foi elevada e adaptada ao suporte/coluna do cruzeiro e ao coroamento deste, em cruz. Este trabalho em cimento já devia estar corrigido há muito...e à volta do mesmo não devia haver vegetação alguma, mas como duvido que mandem cortar a vegetação, que coloquem então o baseamento no local original. 


Pág. 138, da monografia de Forninhos: Cronologia - séc. XIX-XX. "Cruzeiro/Alminhas em granito de perfil esguio emoldurado sobre um pedestal de secção quadrangular. A parte superior é composta por um pedestal onde repousa uma cruz de secção losangular e a terminação dos braços sugere uma decoração vegetalista."
Toda a razão, apresenta uma decoração vegetalista, mas não é só na terminação dos braços!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

CAMINHOS BASTARDOS

Deixado para trás, por motivos políticos, demorou o caminho dos Moncões quase uma eternidade a ter a dignidade merecida. Condigno, agora se apresenta com saneamento e alcatroado, mas creio que os moradores do alto da Estrecada, pelo menos um casal, jamais irá esquecer o motivo de tal abandono.

Caminho dos Moncões
Recordo vagamente os Regedores de Freguesia e os "terrores" de quando aparecia intempestivamente a Guarda, tempos da "Velha Senhora", mas quem diria que tantos anos depois, os filhos ou mal nascidos da terra trariam tanta vingança...
Nunca Forninhos teve gentes tão vaidosas no proveito do seu ego; jamais se enganou tanta gente, analfabeta ou semi de tal; jamais houve tantas festas; jamais se humilhou de forma sórdida quem tinha uma visão diferente.
Mas a verdade vem, tal como o azeite, sempre ao de cima e os favores aos poucos vão-se descobrindo.
Mas vejamos as actas...


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No dia 27 de Setembro de 2015, o Presidente da Assembleia, Ricardo Guerra, começou a reunião a apresentar uma moção que intitulou "PELA RESOLUÇÃO DE OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO E DE ACESSO A FORNINHOS" que resumiu em 3 pontos (clique na imagem para melhor entendimento) e após lida (a moção) foi levada à votação e foi aprovada por unanimidade, tendo sido ainda decidido dar conhecimento ao executivo da Câmara Municipal e deputados da Assembleia Municipal de Aguiar da Beira.


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Sobre esta moção o senhor Presidente da Câmara reconheceu a sua legitimidade e o direito que as pessoas têm de se manifestarem e a forma de o fazerem. Lamentou, no entanto, que o senhor Presidente da Assembleia de Freguesia de Forninhos, não se tenha lembrado destas situações, quando era Presidente da Junta de Freguesia de Forninhos!!!
Mais...e porventura a melhor!

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Sobre esta situação o senhor Presidente da Câmara deu conhecimento de uma carta que recebeu do advogado representante de duas senhoras, em que diz ter tido conhecimento por parte do senhor Presidente da Junta de Freguesia, que é pretensão do Município de Aguiar da Beira alargar e alcatroar o caminho, anexando parte do prédio de que são proprietárias, opondo-se terminantemente à ocupação e invasão do referido prédio!
A resposta ao advogado foi que o Município não pretende nem tenciona ocupar o terreno em causa, por não ser necessário.
Não é necessário, mas se fosse?
Há uns anos atrás houve pessoas, forninhenses, mais que duas, que ofereceram património para alargar o caminho da Pardameda; outras...estranhamente...nada querem oferecer à freguesia!
Sendo que no entanto, a senhora Presidente da Junta de Freguesia de Forninhos sobre a carta enviada pelo advogado, disse ter tido uma conversa com as senhoras, mas nunca lhes disse que o caminho dos Moncões iria ser alargado nem que iria ser necessário ocupar o terreno "nunca lhes disse que o caminho iria ser alargado.".
Que senhor Presidente de Junta de Freguesia terá informado aquelas senhoras duma pretensão que nunca existiu?
Quem andou a enganar quem?
Quem mentiu a quem!
pág. 2 da Acta de 27 de Setembro de 2015

A Sra. Presidente informou ainda da intenção de uma dessas Sras., Sra. Isabel Matos Santos adquirir uma pequena parte de terreno que está junto à habitação que adquiriu recentemente.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Seiva é Vida!



Pelo caminho dos Moncões e de acesso à Estracada, atentos à degradação causada pela colocação do saneamento por parte do Município e indiferentes à aragem fria, capaz de nos enregelar os ossos, a seiva que das videiras brotava, resultante do corte das vides (ramos), despertou em nós uma observação bem mais atenta, sim, porque afinal esta seiva que, não é mais que o equivalente ao sangue dos animais, é Vida - é o líquido que circula por toda a planta para alimentar as suas células.
De regresso a Lisboa trouxemos as imagens e soubemos que iniciou-se esta semana, por iniciativa da Câmara Municipal de Aguiar da Beira, a requalificação do caminho dos Moncões. Terminado o Inverno, é norma regressar aos arranjos dos caminhos rurais da aldeia. Desta vez um longo troço do caminho dos Moncões.
Não sei se estão no caminho certo...mas pelo menos a Câmara agiu "em conformidade com os interesses e na defesa de todos os forninhenses", parafraseando o constante no Ponto 3, Período antes da ordem do dia, da Acta n.º 10 da Reunião da Assembleia de Freguesia de Forninhos realizada em 27 de Setembro de 2015, de uma moção que o Sr. Presidente da Assembleia, Sr. Ricardo Jorge da Costa Guerra intitulou "PELA RESOLUÇÃO DE OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO E DE ACESSO A FORNINHOS".


Agora há que esperar que o clico de rejuvenescimento se conclua, de modo a que as folhas de Verão e os frutos de Outono continuem a gratificar quem tão bem cuida das videiras.