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domingo, 20 de dezembro de 2015

Boas Festas, Feliz Natal

Para complementar os meus posts sobre as 'tradições de natal' e 'tradições em extinção' trago uma foto de um grupo de cantadores de janeiras que foi cortesia do Sr. João Albuquerque, pois não estou a imaginar hoje um grupo de homens juntar-se e percorrer a aldeia de porta em porta a cantar as janeiras. 


Cantavam durante 4 ou 5 minutos e acabada a cantoria, lá vinha um copo, uma chouriça e às vezes umas fritas (ninguém falava de 'rabanadas' como agora querem impôr-nos), mas claro o principal objectivo da 'troupe' de cantadores de janeiras era desejar às pessoas da casa muito Boas Festas através dos seus cantares. Se tiver interesse pode aceder aqui e ler as cantigas desse post.
Se em Forninhos ainda cantam as janeiras? Só se fôr por conveniência da Junta de Freguesia e isso a acontecer é com espírito partidário, infelizmente as Janeiras com o tempo transformaram-se em adereço político. Só um milagre conseguia instalar novamente a tradição com o espírito de antigamente!

******BOAS FESTAS ******FELIZ NATAL ******

FELICIDADE para todos os bloguistas, pois não pode haver sentimento mais abrangente que este...Se estivermos felizes é porque tudo o resto está bem. 

Voltamos a postar em Janeiro de 2016.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As árvores da saudade

Nesta Quadra de Natal é devido que dirija uma prenda especial a todos os nativos de Forninhos. As árvores da saudade...imagens de um Forninhos desaparecido.


Podemos ver as árvores: da fonte e da Lameira (que havia)


e uma fonte sem 'coreto' (que não havia) 

Bem-Haja, Dr. Ilídio Marques por partilhar estas relíquias.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Natal em "Terras do Demo"

Aquilino Ribeiro é um escritor que adoro, não só porque é natural da nossa região, mas porque tão bem retratou a terra que o viu nascer e exprimiu nos seus livros a verdade e a dureza regional, usando muitos termos nossos.
Deixo-vos um excerto genial sobre o presépio da aldeia (das Terras do Demo que englobavam mais ou menos os concelhos de Sernancelhe, Aguiar da Beira e Vila Nova de Paiva)...como ele amava e recordava o Natal em "O Livro do Menino Deus":


«Ia nascer o Menino Deus. Já a beata Clarinha mai'lo João Lájeas armavam a cabana, côlmo de palha, chão de musgo e uma manjedoira para a burra e para a novilha, que era mocha, salvo seja. Em guisa de paredes punham velhos chamalotes, e em tôrno do berço zagais com anhos às cavaleiras, magos de bornal farto e a rude malta dos caminhos. A Clara pernóstica todos os anos mandava cortar à Glorinhas, que tinha muito boas mãos, uma camisa nova para o Menino: cóscora de goma, colarinho à marialva, e ele que era mesmo um torrão de açúcar ria, ria, nem que lhe estivessem a fazer cócegas no umbigo. E assim fagueiro, nas sombras esvaentes, da missa do galo, à luz de vela poucos maiores que pirilampos, o dava a beijar o senhor padre, murmurando:
- Venite adoremus
Lá fora, lutando com as trevas, a fogueira enorme do adro deitava, nas colhidas do vento, labaredas que esanguentavam os muros e vinham laivar, como água-tinta duma profecia aziaga, a carne rósea do Menino. Todos tocavam com os beiços gretados pela intempérie os membros envernizados da imagem e na bandeja depunham o óbulo: um tostão novo, um vintém reluzente, melápios, uma pera morim. E rompia a cantoria estrídula, que os anjos pela certa acompanhavam no Céu em seus arrabis e sanfonas de prata:

Pastorinhos do deserto,
Levantai-vos que é dia;
Há muito que o sol é nado
No regaço de Maria.

Deixai cajado e manta,
Vinde todos a Belém
Adorar o Deus-Menino
Nos braços da Virgem-Mãe.

Leva arriba, pastorinhos
Leva arriba, maltesia,
Já lhe está a dar a mama
Sua mãe Virgem-Maria.»

sábado, 5 de dezembro de 2015

Searinhas de trigo do presépio

No dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, em Forninhos, à semelhança de outras aldeias do país, era dia de semear os canteirinhos de trigo para o presépio (= sementeiras ou searas do Menino Jesus). Era um belo trabalho feito com dedicação pelas mulheres solteiras que se dedicavam às práticas da Igreja e da Religião Católica.

presépio da igreja - ano 2011
Merece aqui especial menção a tia Augusta Saraiva e a tia Augusta 'velha', a tia Cecília e a tia Anunciação e sua irmã Luz, que durante muitos anos os colocaram no presépio da igreja.
Porque em Forninhos não se dá continuidade a este costume ou tradição? 
Durante o ano enquanto comungam até cantam tantas vezes O "meu pão sagrado". Depois existe tanto terreno no adro da igreja para receber esta sementeira que chegado o dia de Reis (6 de Janeiro) até podiam transplantar as searinhas para a terra, pois parece que nem palhinhas suficientes há para adornar a cabana onde nascera o Menino Jesus.

Meu pão sagrado

Procurei-te todo o dia
Mas não Te encontrei
Busquei-Te no irmão,
Mas não te amei.

Meu pão sagrado
Corpo de Cristo
Jesus está em mim.

Convidas teus filhos
Banquete Divino
Na mesa Teu Pão 
Na mesa Teu Vinho.

Refrão

Espiga de trigo
Unidos no amor
Seara madura
És vida, És sol.
(...)

Ainda vão a tempo de semear, nos pequenos pires ou num vaso o trigo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Filhóses de pão

Tento a meu modo transmitir aquilo que as pessoas mais velhas vão ditando carinhosamente no que ainda lhes resta de memórias, no seu genuíno modo peculiar de nos tender nos seus tempos como outrora faziam com a massa do pão (centeio) e do qual sempre sobrava um bocadito para meter na sertã com azeite, pouco, pois a vida era de carestia e afinal a massa já vinha levedada e havia que aproveitar. 

a imagem tirei-a da net, agradeço à autora do blog 'sonhos da su'

Pequenas bolas, mal amanhadas, mas que a canalha devorava derretida pela gulosa prenda que as levava a lamber os restos de açúcar. Por altura do Natal era um pouco diferente, quase toda a gente moía um pouco de trigo, mais não fosse para as morcelas da matação e as filhoses natalícias. Era afinal a celebração de tudo a que foram ensinados pelos seus ao longo de vidas. Dar, receber e agradecer as divindades que a terra lhes atrouxera e por tal pagavam mais cara a moagem do trigo nesta altura por tal ter de ser feito na mó alveira que produzia a farinha mais fina, a mesma que os fidalgos utilizavam todo o ano, até para o centeio e cujas filhoses já levavam ovos, coisas sagradas para os seus rendeiros que os guardavam para a doença ou troco de sardinha na sardinheira ou coturnos para aquecer os pés.
Curiosamente e para que conste, até a cevada semeada para o gado depois de moída servia para fazer bolos deliciosos com o mesmo método: os bolégos, a que agora mais guarnecidos, chamam de sonhos. 
Provem as filhoses de massa de pão...e imaginem a ansiedade das crianças inquietas, agarradas aos aventais das mães, pois a massa do pão nunca mais estava finta.
Eram o seu bolo rei!