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sábado, 31 de outubro de 2015

Juventude longe de Forninhos

Há uns anos atrás era este o retrato da juventude de Forninhos.
E hoje, qual é o retrato?
grupo de teatro amador
Sinceramente, não foram coisas que deixassem muitos frutos para muitos anos, mas do nosso arquivo sai hoje esta fotografia para que os jovens de Forninhos, pelo menos os que nasceram depois da minha geração, fiquem com a noção de que com base na música e na ligação religiosa entre as pessoas, nCentro havia animação, com algumas representações de peças de teatro, onde até havia um palco, magustos, festas de Natal, Cursos onde se aprendia um pouco de tudo: cozinhar, costurar, bordar, enfermagem, tratar de recém-nascidos, aulas de religião, etc...
Ainda hoje as pessoas da época se lembrarão desses momentos.

Casa/Capela Mortuária
Mas Forninhos despovoou-se e este imóvel pertença da igreja foi reconvertido para outra finalidade: Casa/Capela Mortuária. Isto deu a polémica do costume com uns a favor e outros contra, mas prevaleceu a pior solução e só depois de benzida em 2009 e inaugurada é que "os projectistas" chegaram à conclusão que as escadas são a pique e difíceis de subir pelos idosos e não só. Assim, passou-se à fase seguinte que foi, em 2011, a Câmara ou Junta (Igreja e Poder Local sempre de mãos dadas) aumentar e arranjar as escadas, ainda assim...

carreta-fúnebre
Há uns anos atrás, jazia no rés-do-chão do Centro, hoje Casa Mortuária, a carreta fúnebre utilizada nos anos 80 no transporte dos mortos, principalmente dos Valagotes (anexa de Forninhos). Perguntam porque não fizeram a Mortuária no rés-do-chão? Devido à humidade, água que escorre com facilidade da lage da Poupeira ali ao lado. Isto é que o dizem as pessoas com quem tenho falado. 
Às vezes a crítica ou polémica existe porque a população não tem conhecimento dos projectos. Mas em Forninhos é sempre assim: Primeiro fazem. Justificam depois!

domingo, 25 de outubro de 2015

Património Popular

Abrigo semi-natural
O troglodita alapardava-se em cavernas, grutas e até árvores ocas, mas com o tempo o Homem aprendeu a dominar o meio, começando a edificar toscos abrigos, de muito precárias condições. A construção de alguns desses abrigos perdurou ao longo dos tempos e, em Forninhos, ainda há memória de estarem ligados à actividade campestre, fosse pastoreio, vigia de terrenos, caça. Em muitos casos o aproveitamento da forma de um penedo dava lugar a uma construção semi-natural. Bastava o levantamento de uma parede encostada a um penedo para se criar uma casita. 

Casa Rural
Para além dessa construção, junto a linhas de água havia (à frente falaremos das fontes) construções melhor arquitectadas, ainda que igualmente rudimentares. Algumas não eram a residência da noite, mas era onde as famílias passavam a maior parte dos dias, desde o nascer do sol até as estrelas aparecerem no céu. Ainda hoje há espalhadas ao redor da povoação de Forninhos imensas casas dessas, aguardando a inevitável derrocada. 
Mas neste 'post' não deverá ficar sem alusão a casinha rasteira de pequenas dimensões, que foi a "moradia" de muitas crianças (hoje homens e mulheres). 


Casas de Habitação
Dormiam muitas vezes pais e filhos na mesma cama, uns virados para a cabeceira e outros para os pés. Isto não foi na antiguidade, foi neste tempo, por tal devíamos ter autoridades autárquicas que se interessassem por as preservar, mas não temos, antes temos  gente que prefere descaracterizar e destruir importantes vestígios da arquitectura popular.
Vejamos:
A partir de certa altura da história do Homem, surgiram nas povoações as fontes de chafurdo. Forninhos também teve uma, à porta do Chico da Palmira. Mais tarde foi a água encanada para o sítio do Lugar, daí o nome "Fonte do Lugar", que ali por 2005-2006 foi transferida para uma rotunda!!! Digamos que é uma fonte viajada e que deve ser uma obra única/original, pois não creio que haja outra igual. Um fontanário no meio de uma rotunda, com bancos e quatro passadeiras a convergirem para o seu centro e ainda por companhia um poste de electricidade! 
Fonte do Lugar/Rotunda
No Portugal de Salazar construiu-se também em Forninhos uma fonte ou fontanário e lavadouro, ao  estilo que o Governo definiu na época. 

Fonte da Lameira/Estilo Salazar
Mas na década de 80, a Junta de Freguesia resolveu edificar uma cobertura para abrigar as lavadeiras e servir de palco duas ou três vezes por ano. Aparentemente sem qualquer finalidade prática, em 2009 e 2011 apelamos à sua demolição, mas como há sempre alguém que diz que não podemos (nós) exigir a um autarca que acaba de chegar que proceda a demolições de obras que outros autarcas erigiram, ou seja, não se pode desfazer o que outros da mesma cor política fizeram, o fontanário lá continua enclausurado. 

Fonte da Lameira enclausurada
Estamos em 2015!
Para mim, devido à sua localização, devido à importância que teve para as gentes da terra onde nasci e sobretudo devido ao seu estilo arquitectónico, não consigo perceber porque aquando da requalificação/obras do largo da Lameira - principal largo de referência de Forninhos - o autor do projecto não estendeu a obra até à fonte/fontanário da Lameira!
Não diziam que para que haja uma mudança, tal não passa simplesmente pela demolição, mas sim por um plano mais abrangente?
Então?
Foi preferível levar a obra para o lado oposto, isto, é, edificando um parque infantil, sem método, nem crianças, que está a ser feito para servir no mês de Agosto?

Futuro parque infantil de Forninhos
Ainda sobre o largo da Lameira, não gostei da aplicação do betão junto às oliveiras. 

Obra da Lameira
Em termos comparativos, infelizmente prefiro de longe o estilo "Estado Novo" do que isto!

domingo, 18 de outubro de 2015

Património Rupestre de Forninhos

penedo das pocinhas
Seguindo para norte, em direcção ao castro, encontramos uma caverna que desde sempre se ouviu falar que foi habitada, mas que agora 'as novas pessoas' dizem-nos que não. Para melhor perceberem, até ao final do mês irá permanecer em destaque, no lado direito da página, uma imagem da caverna.
Frente à caverna, fica um penedo com pocinhas. Sobre ele têm-se debruçado historiadores, entendidos de arqueologia e curiosos, mas até hoje ninguém soube dar uma explicação definitiva, nem mesmo os autores do 'famoso livro' sobre Forninhos que, além de repetirem o que outros autores locais disseram, limitaram-se a medi-lo e dizer que "a atravessá-lo longitudinalmente, é também possível observar um largo e fundo sulco gravado com 10 cm de largura e 10 cm de profundidade". Afinal passou por aqui gente tão sábia e não se deu conta de que noutros penedos se encontram sulcos iguais!?! Enfim...Mas antes isso do que dizer que foram as crianças que enquanto pastoreavam os seus rebanhos passavam os seus tempos sentados em cima do penedo a inventar arte rupestre!

penedo nos Cuvos também com sulco gravado 
Olhando, fica a tristeza de não termos muitas mais hipóteses de sabermos o significado das pocinhas e sulcos gravados.

Da Barroqueira à Ribeira de Cabreira

corredor das loijas



Já outras cavernas, por nós conhecidas como 'as loijas', atendendo ao local onde se situam, parecem-me impróprias para habitação permanente, podem é ter servido de abrigo sazonal quando o homem ia de um lugar para outro caçar para se alimentar, mas atendendo à ventilação natural já me parece possível de serem habitadas por homens primitivos...não sei e também acho que nunca o iremos saber.
O acesso não é fácil, a menos que ganhemos alguma coragem, peguemos nuns engenhos próprios para roçar o mato e boa sorte...nunca lá fui, digo isto porque é bem evidente a quem passa pelo caminho que pela altura a que se encontram 'as loijas', pedras, mato e silvas são um obstáculo.



Nas margens do ribeiro ou ribeira o desleixo não é menor. Mato e silvas começam a impedir o acesso 'às Caldeirinhas' e 'às Dornas' e a autarquia nada faz para tornar este belo local visitável.


Mais adiante encontramos num baldio de Cabreira um outro abrigo cuja pedra da cobertura parece a cobertura de uma anta. Não sabemos se é ou não é, mas primeira constatação: o baldio não está limpo; segunda: seria interessante a autarquia encomendar uma escavação, pois é muito provável existirem ali ainda restos arqueológicos, que poderia provar a sua utilização em tempos muito antigos!
Foi tão fácil concluir que numa terra fértil, haveria uma quinta agrícola romana e é tão difícil fazer todo um trabalho de investigação e limpeza no campo?!?

domingo, 11 de outubro de 2015

O almejado "filão" do turismo

Forninhos tem duas casas de turismo rural e estas casas de turismo de aldeia surgiram com o apoio das autarquias, por serem uma mais valia, mas não sei porquê os autarcas não apostaram na atractividade da freguesia, de modo a torná-la visitável. Não é matéria nova, porque já escrevi estas linhas noutras ocasiões, mas já dizia Vergílio Ferreira «Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam».
Em cada semana, ao domingo, vamos trazer um pouco dos "atentados" ao património deste nosso recanto beirão.


Então, temos um Castro que não é nada mais, nada menos que o antepassado do Castelo, correspondendo a uma comunidade/aldeia rodeada de muralhas defensivas. 
Embora difíceis de identificar por se tratar de simples amontoados de pedra, temos ainda em S. Pedro, vestígios de casas da antiga aldeia, construídas antes da chegada dos romanos: eram casas redondas, feitas em granito, sem argamassa; vestígios de um cemitério paleo-cristão e há ainda a memória de um "templozinho medieval" que chegou quase aos nossos dias. 
Mas ao longo dos anos, este local tem vindo a ser alvo das mais diversas delapidações, desde a destruição da capela e das casas que dizem foram sendo destruídas pelas crianças que pastoreavam os rebanhos e que brincando se entretinham a estragar essas habitações (??), à abertura de um caminho rural por parte da Junta de Freguesia que destruiu parte do cemitério, plantação de eucaliptos por parte de particulares, "ataques" de pedreiros e de "caçadores de tesouros"...
Desde o início  d' O Forninhenses que alertamos as entidades competentes da importância deste sítio para a identidade de Forninhos. Há muito, registamos, situações anómalas como desaparecimento dos sarcófagos e recolha de pedras. Até hoje, acho que não estou enganada, não ligaram importância.
Dado tudo o que já aconteceu e de modo a evitar mais destruição, está mais que na hora de a Junta de Freguesia de Forninhos proteger "O Castelo" começando pelo levantamento do cadastro dos proprietários para levar a efeito, se necessário fôr, um processo de expropriação das parcelas das respectivas áreas a serem expropriadas.
Afinal nos tempos mais recentes, a Junta de Forninhos, tirou ao povo o que a este pertencia, ou seja, vendeu ilegalmente a particulares uma grande área de baldio e recebeu uns milhares de euros que acho podiam ser investidos pelos seus representantes na aquisição dos terrenos particulares. É que agora não há a desculpa de falta de dinheiro ou há?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Outras histórias da aldeia

Melhor, estórias do demo. O borborinho!


Veste vários nomes conforme a região, sendo que muito parecidos e por tal aqui impera na nossa aldeia de Forninhos o "bolobrinho".
Afinal o que é? Um normal redemoinho de vento que pelo seu misticismo convém recordar, por fazer parte da cultura ancestral.
Levava com ele as almas penadas dos que haviam feito mal nos campos a outros agricultores e agora sem modo de se redimirem. Outros, acreditam que anda no ar o diabo ou as bruxas ou qualquer coisa ruim, sendo que quando ele se levanta, vai um diabo em cada folha...
E depois do Credo e Abrenúncio, o alívio do dizer de ...lá vai o bolobrinho!
Se quiserem "escutar", relato aquilo que ouvi dos poucos que procurei, pois falar de coisas de medos, ainda por cima quase segredos...mas cá vai o relato fiel.
Uma vez nas fraldas da serra de S. Pedro, a ceifa do centeio havia terminado. Mulheres e garotada rumaram para a aldeia ficando apenas os homens a fazer a meda do centeio depois dos molhos atados. Eis senão quando...vê-se um bolobrinho a formar e um dos homens disse "qualquer palavra mal dita" do que os outros não gostaram e por tal lhe taparam a boca - porventura o que lhes valeu - pois o bolobrinho ergueu pelos ares um molho de centeio e como que por magia o assentou direitinho no mesmo lugar!
Outra vez e esta mais pessoal, andava o meu pai na várzea da Ribeira, encostada ao rio Dão e esta parcela tinha dois poços de água, sendo que eram tirados a balde através do picanco, para o regadio, isto antes dos motores de rega. O outro que estava com meu pai, era o ti Luís, filho do ti Eduardo Bento. No entretanto, do outro lado do rio, na estrada que vem de Dornelas, surge um bolobrinho e o meu pai aflito grita para o outro que lá vinha o diabo e "este" arremeteu direitinho a ele sendo que o que o salvou foi ficar bem agarrado na vara do picanço, senão teria voado...
Também uma vez, andava um grupo nas lides do campo e eis que na hora da piqueta por ali passa um pouco ao lado, o bolobrinho. O dono da safra, pouco incomodado, atira para o meio do redemoinho de vento a faca com que cortava o pão e o conduto e trabalho feito foram para casa.
Dias passados, o compadre dele que ali tinha andado foi a sua casa e convidado para uma mastiga, vê em cima da mesa a faca que havia sido atirada. Estranhou e comentou que não se deve meter com quem lá vai. Quem lá vai, lá vai... e durante anos cismou no que se havia passado pois porventura o compadre podia fazer parte daqueles mistérios e medos.
Quem dizia que os bolobrinhos se formavam nas encruzilhadas dos caminhos, com certeza estaria a confundir tal com o lobisomem, este sim, outrora passava frente a casa da tia Adelina, onde foram criados os Pulhas, batendo fortemente os cascos...dizem que era da Matela, mas fica para outro dia...

domingo, 4 de outubro de 2015

Aquele Outono


Aquele Outono de outrora
Ai... vai perecendo.
É o celebrar das colheitas
Cantadas por tantas eiras
De receitas para maleitas
Alívio da pequenada
Aquelas mezinhas caseiras
De ervas do quase de nada
Enfim... coisas que só vendo
 Que mais quero e não entendo.

Calmo o frenesim do verão
Folguedos e romarias
Entre coisas para regar
Beldades para catar
Depois da escanada
Que um dia dariam vidas
Não houvera um senão
Pois outras dariam nada.

E já lavados os cestos
Aguardente para fazer
Pouco havia para ir
Nem ajudar o vizinho
Panelas tinham os testos,
Já limpos e areados
Para aquilo que provir
Arrumado estava o vinho
Pendurados os arados
E maus olhados.

O malandro do Outono
Tinha duas meias cores
Uma  com restos de vida
Outra que não tinha dono
Para os mais velhos com dores
Tinha a morte apetecida
Era falsa esta medida
E as duas tão tamanhas
Vendiam a alma ao diabo
Por meia dúzia de castanhas.

Inédito, Outono de 2015, XicoAlmeida.