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domingo, 10 de maio de 2015

A residência paroquial de Forninhos

Em tempos idos, o pároco, pastor de Cristo, tinha necessidade de estar perto do seu rebanho para conhecer cada ovelha  pelo seu nome aquando o abordavam por necessitarem de auxilio e podendo a paroquia, era construída a casa paroquial, por norma distinta pela sua imponência, da generalidade das casas térreas e o "passal"!
Ter padre fixo, era algo que carecia de ser sustentado e por tal, o Clero ainda beneficiava de pensões e uma parcela em volta da igreja, uns tantos passos geralmente 70 a que se dava o nome de "passales" e mais 12 destinados ao cemitério .



A paróquia de Santa Marinha de Forninhos e tal como as fotos a negro documentam, teve em tempos o seu auge religioso, bonita casa dos padres ali fixados e rodeados por mordomias tendo por criadas por norma primas, irmãs ou tias solteiras e  que o mais pobre para tal olhando, se sentia tão próximo da igreja ao lado, como do céu e por tal e com respeito, uma hóstia enganava o jejum da barriga que acompanhava no roncar as badaladas do sino.
Para o povo, a casa era pertença do padre e por tal passava de uns para os outros, quando na verdade era propriedade da Igreja, tal como ainda hoje.
Por entre o diminuir de vocações sacerdotais e décadas de emigração, foram acabando os padres residentes, atá a sua extinção na nossa paróquia.


 

Ficou a casa e os terrenos do "Passal", como que por ironia, demonstram as fotos a cores...ao abandono!
Abandonado ultimamente, pois ali tiraram particulares proventos do seu cultivo, até o Centro de Dia ali se ter instalado provisoriamente, porventura na antevisão de que havia uma parcela de terreno da igreja passível de ser destacada em termos de Registo Predial e tal aconteceu. Para a escritura, assinou o sr. padre e gentes da aldeia (modo que desconheço) e o Centro durante tempos foi apanhando a azeitona (da igreja) em seu proveito, deixando ao Deus Dará, os terrenos, videiras e árvores de fruto, pois afinal a obrigação era da Igreja e a azeitona bastava apanhar...
Nunca consegui ver um Centro com uma visão de gestão capitalista tão assertiva e um padre tão alheio a uma paroquia em que tanto os acorda de madrugada para a missa, que devia ser de tarde por solenidade, enfim, como não faz finca pé em prol de uma paroquia que o ajuda. Para tal um pequeno exemplo:
Existe uma propriedade pertença da Igreja de Forninhos, chamado de lameiro da Pontinha. Ali  se encontram as fossas da freguesia da aldeia, por permissão camarária, presumo. Quais as contrapartidas?
Igreja, Centro e Politica, escolham...

Nota: a 1.ª e 2.ª fotos, a negro, foram retiradas daqui:

34 comentários:

  1. Nalgumas coisas, foram belos tempos - casa cheia de padres, rodeados por mordomias e criadas e o passal bem cultivado de tudo.
    Mas...
    Perturba-me saber que enquanto os padres enchiam a barriga do bom e do melhor, alguns paroquianos passavam fome e, sem dó, nem piedade, o padre ainda recusava determinado serviço religioso se a côngrua estivesse em dívida, como se todas as famílias pudessem pagar, para seu sustento, os tais alqueires exigidos!
    Acho que ninguém no seu perfeito juízo tem saudades desses tempos, mas também chegar ao estado a que chegou a residência paroquial e o passal mete dó!
    Agora sobre essa propriedade da Pontinha, não me admira a falta de contrapartidas para a Igreja. Não foi há muito tempo que a Junta de Freguesia colocou na parede da casa paroquial uma antena wireless, quando devia e podia tê-la colocado num espaço público!
    Pergunto: a antena foi para servir quem?
    Se calhar os mesmos que apanharam a azeitona do Santíssimo, para seu proveito, deixando tudo o resto ao abandono!
    Muito mais tenho a dizer sobre esta parte do texto...mas fico por aqui hoje.
    Fotos a preto e branco como as publicadas no projecto em construção "Forninhos a terra dos nossos avós" são bonitas e fazem parte da nosso história colectiva, nem percebo o porquê da não inserção nessa publicação!

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    1. Sempre ouvi dizer "Casamento Apartamento" , quero com isto dizer que as Instituições devem estar separadas, quer na gestão, quer os seus bens. Mas em Forninhos não é assim, tudo ao molho e fé em Deus. Fui uma das pessoas que questionei um membro da Junta porque não se separavam as "coisas". Resposta pronta: O Povo não é só um? Á partir daí desisti.
      Agora a casa do padre, dádiva do povo, assim como terreno anexo.
      Agora pergunto, porquê o corte das videiras das latadas? Porquê o retiro dos pilares de pedra? É fácil, saber para onde foram, logo se fica a saber o porquê. E mais, foram a custo zero? É que o povo suou muito para os cortar e lá os colocar. Enfim, em Forninhos é assim.

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    2. Quando uma aldeia em pleno seculo XXI, continua amarrada ao seculo XIII, algo vai de muito mau!
      De uns escassos anos para ca, andam muito em voga as feiras medievais, quase todas parecidas pelas vestimentas de Clero, Nobreza e Povo.
      Os Nobres pelejam pelos seus interesses, o Clero reza pela vitoria destes, na ansia e antevisao de que um bom bocado lhes ira cair no regaco da batina ou na arca da sacristia.
      O povo, coitado, amua mas nao recua, pudera, morriam em pecado e assim era um pouco na idade media, quem podia mandava no corpo e no espirito.
      Hoje e aqui, continua exactamente igual, melhor, quase igual para pior. Sem fardas e habitos, sao mais perigosos por tentarem passar disfarcados, ignorando que os dejectos cheiram mal em qualquer rua ou caminho.
      O Clero ficou transformado num oficio ao qual tirando a agua benta, em muito se assemelha ao funcionalismo publico, mas com poderes acrescidos e remunerados de gestao de Centros, os mesmos que garantem estatuto social e compadrios por quem por eles da a cara.
      Uma igreja e um Centro no mundo rural, tem um poder tremendo, acreditem.
      Isto de democracia nada tem, parece mais um triunvirato do tempo dos romanos, sendo que o povo na sua passividade morreu.
      Precisa do padre para o funeral e pouco mais pois as missas ficam vazias, as criancas nao nascem e casamentos eram no seculo passado. Por tal e ainda na tradicao em que foram educados, tambem de modo educado em ajuntamentos, do padre falam bem e por detras ele ouvindo, jamais voltava, nem pelo ordenado conjunto das paroquias.
      Do Centro, uns precisam, outros nem por isso e outros aproveitam, nao para amparo dos seus mas conforto deles proprios, basta ver os filhos do centro.
      A Nobreza (os nossos politicos locais), no seu porte fidalgo e vaidoso, espalham sobranceria e dispoem a bel prazer do patrimonio comum.
      Uns pagam, outros sao agraciados sabemos por quem e quais sao, curiosamente amigos e familiares, sem o povo, por promessas ou temor (sim, que tal existe), ser capaz de tais coisas desmascarar.
      Quando o Pai e o Espirito Santo se unem, pobrezinho do Filho...
      Nao se iludam quanto a casa do padre e ao passal.
      Basta o Centro, a casa funeraria ao lado, a igreja e mais abaixo o cemiterio.
      Bate certo!

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    3. Sr. Francisco Almeida, eu Henrique dos Santos Lopes" tiro o meu chapéu" ao seu supra comentário. Global e na totalidade do meu parecer sobre o "ser" da nossa aldeia. Não vou dizer muitas, mas algumas pessoas de Forninhos têm a mesma opinião mas retraem-se com receio de, sabe-se lá o quê. Em Forninhos, ou se é da cor (politica) ou então, desprezo para não dizer lixo. Já comentei, neste Blog, tempos atrás, que em Forninhos, há gente filha de Deus e outros da senhora e se for preciso, provo-o aos governantes da aldeia com factos, não um, mas dois ou até três. Quem, até aqui, seguiu os meus comentários anteriores, sobre a minha aldeia, pensará que serei uma pessoa revolucionária, não, não sou, estou é indignado com certas pessoas estarem a manipular gentes da terceira idade, e parte do povo menos culto. É verdade pura, e se as pessoas, que veem esta realidade, também não se manifestarem e não acabarem os caciques da aldeia, o terceiro mundo reinará. O nosso património, está a degradar-se de ano para ano. O nosso relógio mecânico em bronze da torre da Igreja com seus martelos a bater as horas nos dois sinos, S. Pedro, Serafins, Santos laterais da capela de N. S. Verdes, a Via Sacra de prata das paredes da igreja, órgão musical de fole, e, e etc,. Qualquer dia, desaparece a cruz de prata, custódia e, povo sereno. Há que fazer chegar o 25 de Abril a Forninhos e acabar com a ditadura (política e social) implantada. Só para exemplificar, a direcção da Junta de Freguesia de Forninhos, os três principais, são primos entre si (Presidente, Secretário e Tesoureiro). Em Forninhos é assim, tudo em família, ou será a família em tudo??? QUE TRANSPARÊNCIA???

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  2. Pois parece que por todo o lado há vendilhões, que se aproveitam da fé dos outros em proveito próprio.
    Um abraço e uma alegre e saudável semana

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    1. E ladroes descarados, amiga Elvira e isso incomoda.
      A atitude pacifica e acomodada como as pessoas se deixam manobrar, do tipo "quero ficar no meu canto...".
      Mas e desculpe o desabafo, um ladrao que rouba descaradamente durante o dia e a vista, nem "pinta " tem de ladro, apenas um chantagista reles que incomoda pelo poder que as pessoas nao sabem
      que espremido resulta em zero.
      Um abraco.

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  3. Excelente e belo trabalho gostei do contraste fotográfico entre as fotografias antigas e as modernas.
    Um abraço e uma boa semana.

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    1. Bem haja, Francisco.
      Pena me mete que as fotos antigas nao estejam resplandecentes nas cores da modernidade e ali, naquele local, algo estivesse como motivo de orgulho de uma paroquia em vez de um "cemiterio" moribundo.
      O dinheiro por ali "voa como o feno". Para a politica!
      Um abraco.

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  4. É de lamentar que a burocracia e a má vontade impeçam de recuperar património como o vosso!
    Boa semana!!!

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    1. Pois, Graca.
      O problema nem chega a ser burocratico, nao chega por incrivel que pareca a esse patamar.
      Morre logo ali nas maos "dos senhores guerras, ou da guerra".
      A "coisa" esta estruturada e enraizada e nao dando uns cobres aos responsaveis por via indirecta, o melhor e deixar andar.
      O recuperar pressupoe dividendos.
      Boa semana tambem para si.

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  5. Pena que as coisas boas vão sumindo gradativamente, Aqui, mais um caso.Belas fotos! Linda semana! bjs, chica

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    1. Boa semana Chica e que pelo menos essa seja gozada com alegria.
      Quanto a estas coisas que vao sumindo, tambem vao "somando" na indignacao popular...
      Beijos.

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  6. Desconhecia que a essa parcela de terreno junto da igreja se desse o nome de Passal. Por acaso até acho que os cemitérios junto às igrejas até tinham razão de ser, tanto em termos de fé, como em questões de fácil "logística", digamos assim...
    Belíssimas as fotos antigas, da igreja e da casa do parde, uma esplêndida casa, de facto.
    Quanto à situação actual, tudo o que dê algum trabalho é uma grande chatice, e parece que a Política e a Igreja gostam de andar sempre de mãos dadas, para o melhor e para o pior.
    O comentário da Paula fez-me lembrar um caso de não pagamento da côngrua, relatado há umas semanas numa reportagem televisiva, Um idoso a quem foi negada assistência religiosa no enterro precisamente pela falta de pagamento da dita côngrua! É por estas e por outras que eu com padres e igrejas, geralmente não me entendo.
    Um post, para mim, muito instrutivo.
    Boa semana para todos!
    xx

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    1. Desculpem ter escrito "parde" em vez de padre. :-)

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    2. Laura, acredita que o relatado há umas semanas numa reportagem televisiva, passou-se lá para as nossas bandas?!
      Que igreja é esta que recusa um enterro por falta de pagamento da côngrua?
      Por estas e por outras é que a religião católica está a perder devotos e e cada vez há menos católicos praticantes!
      Obrigada, boa semana tb.

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    3. Amiga Laura (para si o desabafo).

      Bem haja na eloquencia
      Meu modo de agradecer
      E responder
      Aos que nos olham de lado
      Tao triste o nosso fado
      De ao aqui escrever
      Ser tomados por diabos
      Aquela coisa medonha
      Que incomoda
      A Sra. tem razao
      Nem sei se escrevo bem
      Se a escrita ate mudou
      E quem atras leu
      Com a razao perdida
      Por desdem
      Ajuda oh minha mae
      Desse teu alto saber
      Se o novo esta moribundo
      Ou o velho esta a morrer
      Se ladrao esta inocente
      Nos roubos de sacristia
      Se o crente nao e crente
      O choro tem alegria
      Juntemos uma oracao
      No adro, junto ao passal
      Esperando o funeral
      O padre tem excursao
      Normal...

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  7. Boa tarde, sem querer ser um critico do bota abaixo, penso que assenta bem o, "muda-se os tempos, muda-se as vontades" as vontades e a seriedade de uns não são as dos outros, sempre foi e assim sempre será.
    AG

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    1. Concordo em absoluto, caro amigo.
      O problema "aqui" continua o mesmo, basta adaptar o refrao em conveniencia e o sol brilha na noite escura da ignorancia...
      E ainda cantam com voz de tenor
      "Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
      Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.".
      E trocam as voltas a bel prazer, trocando a idade pela data de nascimento.
      Ardilosos!
      Um abraco.

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  8. Por essas e por outras estou afastada da igreja e não da minha fé. Gosto de ir à igreja, quando me apetece Vou quando está vazia para me sentir a sós com a minha fé.

    Beijinhos..

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    1. Por "aqui" fazem reparos a quem vai ou deixou de ir.
      Nao estando doente, algo se passa...
      E comentam em voz sibilina a eventual razao e tudo vem "a baila", as coisas mais surrealistas, desde a missa que o padre nao quis dizer, quem devia enfeitar os altares e mesmo sem confissoes (a coisa que mais gozo da...), la vao de mao no peito receber a hostia sagrada.
      Fulano e fulana comungarem...em heresia, digo eu, se bem que nao todos!
      Falo apenas dos figurantes da vida civica e religiosa da minha aldeia.
      Querendo nomes, de bom grado!
      Beijinhos

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  9. Este não era o lugar do comentário/resposta, mas não tem importância!
    Henrique:
    É verdade que o 25 de Abril ainda não chegou a Forninhos (esteve quase...) e que a direcção da Junta de Freguesia de Forninhos é constituída por três primos, que também são meus, mas que fique bem claro que eu, hoje mais do que nunca, não me revejo nessa Junta, nem estou metida em nada ;-)
    Mas já que dizem que o povo é só um (pasme-se!) vou agora falar da abandonada casa paroquial e passal. Porquê a Junta aceita em troca dos pinheiros cortados (sem autorização, dizem!!!) portas e janelas para o salão de festas/sede da Jf e nada fez para estender tão "generosa oferta" à casa paroquial???
    De pertença da igreja não havia nada para trocar?
    E, o que se passou com os pilares de pedra que vemos nas fotos a preto e branco, passou-se no terreiro da S. dos Verdes com as mesas das doceiras. Alguém me dizia há dias que é uma pena que o nosso Património seja tão mal tratado e é bem verdade! Sou uma que desconhecia que a torre da igreja teve um relógio mecânico em bronze com seus martelos a bater as horas nos dois sinos!!! Como é que um adereço destes desapareceu?
    Antigamente as coisas desapareciam da igreja se calhar porque nesse tempo toda a gente trabalhava no campo, toda a gente cultivava os seus bocadinhos todos, portanto, não tinham tempo livre para pagear os padres; hoje a maioria passa o seu tempo livre a pagear os caciques da aldeia (presencialmente e virtualmente) e não querem entender que o nosso património está há anos nas mãos de quem tudo arrebanha para proveito próprio!

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    1. Pois...
      Alguns por ali continuam, ate os vejo comungar.
      Apenas nao percebo que sabendo quem levou tantos pilares e mais, nao sejam chamados a razao. Porque?
      Vamos ter de chamar "os bois pelos nomes", doa a quem doer...

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  10. CASA DE SONHOS E MEDOS
    Era aqui de modo estranho
    Por debaixo destas paredes de granito
    Que nos, criancas
    Bebemos aquilo que davam
    Sofrimentos e alegrias do antanho
    Gritos sufocados por ansias
    De angustias e miserias
    As senhas para o leite em po
    Mais as barras de manteiga
    Resquicios do tempo de guerra
    Rostos que metiam do
    Das gentes da minha terra

    O tempo foi navegando
    Como era lindo o Passal
    Tal como a gente medrava
    Com a escola ao lado
    Sendo que levavam a mal
    O simples roubar das cerejas
    Do sr. padre
    Ele nao via, mas viria a saber
    Por tal, na catequese ministrada
    Viamos a alma a arder
    Diziam que tambem arde
    E a gente acreditava
    E olhava para as lanternas
    Nas paredes encostadas
    Os santos de olhar sisudo
    Mais estandartes estranhos
    Tantas coisas afinal
    Por dentro destas paredes
    Cada um ficava mudo
    Apenas tremiam as penas
    Neste juizo final

    Um dia chegou a televisao
    Ali mesmo, pois entao
    E a miudagem atras da ilusao
    Da novidade
    Aventuras da idade
    Sabendo que um outro dia
    O padre por caridade
    Ali nos recebia
    E connosco vinha a ventura
    Da serie consumida e batida
    No Lugar ou na Lameira
    Por entre um soco bem dado
    Pedras por todo o lado
    Por vezes uma certeira
    E uma cabeca partida

    A casa tinha tesouros
    Quer por dentro
    Quer por fora
    E agora
    Vai aguentando o vento
    Quase esventrada, sem nada
    Saqueada a cada a hora
    Bem escolhido o momento
    Sem perceber a razao
    Tal nao explica o ladrao
    Nem o que fica na porta
    Mais houvera
    Pudera que a malandragem
    Nem deixaram uma imagem
    Esses que vivem tao bem
    Quem dera
    A casa que se erga sozinha
    Que eu estou remediado
    Mas penso na avozinha
    Que ali ia
    E pela sua alegria
    A corja va pro diabo!

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    1. Que belo poema!
      Um retrato fiel da casa paroquial do teu tempo!
      Mas recuando no tempo...
      Sabemos que pelos Tribunais do Santo Ofício passou um Padre-Cura da Igreja de Santa Marinha de Forninhos (natural de Fornos de Algodres, mas morador em Santa Marinha de Forninhos) que foi acusado da prática de concubinato...vamos imaginar (só imaginar) o que entre as paredes da casa se passava ;-)
      Será que em 1617 (a data da acusação é 16 de Abril de 1617) já existia a casa paroquial das fotos?
      Ou, a exemplo da igreja matriz os moradores de Forninhos, reedificaram a casa do padre "tanto de paredes como de armação..."?

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  11. A palavra passal, veio ao meu encontro numa noite fria e triste de Inverno nos anos 50 quando, privado de radio e televisão, subia ao sotao, acessível por uma escadaria que partia da cozinha, e por là encontrava livros de leitura antigos. Encontrei um dia uma "lição" que metia em "cena" um padre que depois da missa, resolveu interpelar os paroquianos mais ou menos nestes termos: Ora, este ano tive muitas nozes no passal, e dou um saco delas àquele que me provar que nao anda a mando da mulher. Como diz o outro: em casa do Gonçalo, manda mais a galinha, do que o galo. (Sintomático das mentalidades da época, mas era assim.) No fim da missa, apresenta-se em sua casa um homem com um saco na mao, dizendo: O senhor sabe que em minha casa nao é como em casa do Gonçalo. Eu queria trazer um saco maior, mas a minha companheira disse-me que trouxesse um mais maneirinho.
    - Eu disse que dava as nozes a quem nao andasse a mando da mulher,- responde o padre; vai-te embora, que daqui nao levas nada.
    Perdoem-me as mulheres, mas antigamente seria mesmo assim?
    Evidentemente fui muita vez à missa, nao so ao Domingo, mas também, porque quando era em latim, fui durante vários anos sacristão na minha aldeia e se esqueci a confissão em português, ainda nao a esqueci a outra. Quanto a palavra passal, nunca mais a ouvi.
    Relativamente a Abril, este continuara cinzento por muitos anos.

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  12. Ainda cá volto para dizer que no terreiro da S. dos Verdes está lá há anos um depósito de água, construído pela Junta ou Câmara, de que a igreja também nada recebe; depois queixa-se a Igreja que não tem dinheiro!

    Gostei muito da história das nozes do passal. Pelo menos esse padre não teve a brilhante ideia de mandar cortar a nogueira!! É que houve um padre, residente em Forninhos, na casa paroquial há cerca de 30 anos, que mandou cortar uma cerejeira no passal só porque as crianças e jovens iam lá comer as cerejas!!

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  13. Belo exemplo de Cristianismo, mas se ainda nao leu, leia o sermão de S. Antonio aos peixes. Eu inseri-o no blogue (viagensnaminhaaldeia), mas certamente outra maneira de o encontrar. Obrigado. Bom fim de semana.

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    1. Voltei a ler o sermão de Santo António aos peixes. Muito bom!
      No caso da cerejeira, no entender do pregador da altura, estava lá para incentivar o pecado da gula! Mas em vez de cortá-la deviam ter arrancado a árvore pela raíz, porque o que hoje vejo é que afinal o passal estava completamente contaminado, tudo o que ali se (im)plantou cresceu doente!
      E mesmo podadas ou enxertadas já de pouco adianta, continuam árvores doentes porque estão plantadas na terra contaminada.
      Agora, S. Leitão, é tempo das cerejas e quando se começa a comê-las, não se consegue parar.
      Um abraço e bom fim de semana.

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  14. Curioso el nombre, debido a sus orígenes, dado a los "Passales".
    Desde luego que la Iglesia tiene muchas cosas que confesar y, por supuesto, que rectificar dentro de su seno.
    Las fotos son magníficas y excelentes en su contenido y contraste de épocas.
    Abraços.

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  15. Xico e Paula, adorei ver vocês junto com Emília e Anete lá nos blog dela! valeu! Lindos momentos,não? abraços,chica

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    1. Valeu muito tê-los conhecidos em "carne e osso"!
      Não há palavras...
      Beijos&Abraço.

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  16. Boa noite Paula e Xico,
    Venho cumprimentá-los e dizer que foi um prazer conhecê-los pessoalmente!
    Momentos muito bons passados ontem em Lisboa com a Anete e marido!
    Sobre este artigo que poderei dizer?
    Lembro-me de, apesar de ser muito criança, da "veneração" ao Sr. Padre da freguesia;)) e muitas mordomias prestadas lá na minha aldeia! O termo "Passal" desconhecia, talvez porque a casa paroquial não tinha quintal, embora fosse próxima da Igreja!
    Ao mesmo tempo lamento que Forninhos ainda não tenha tido uma Autarquia capaz de a projectar no tempo, não descurando o passado no que respeita principalmente à recuperação do vosso valioso Património!
    Beijinhos e bom fim de semana.
    Ailime

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    1. Estou muito contente por tê-la conhecido pessoalmente também :-)
      O "passal" no fundo era uma porção de terreno à volta da igreja para sustento do Clero, além da côngrua que recebiam!
      Em Forninhos, uma parte está ao abandono, mas numa parcela do passal foi construído um centro de dia para idosos (devia ser só para idosos, mas de facto não é!).
      Havia depois terras pertencentes à igreja e não aos clérigos, essas iam mais longe que os "passales", i.é., ficavam distantes da igreja. O terreno do texto (lameiro da Pontinha) já não faz parte do passal, por exemplo, mas das terras chamadas da igreja, ainda hoje o pároco podia tirar rendimento para a igreja; podia estabelecer uma renda à autarquia, mas o desinteresse dele, confesso, é muito estranho!
      Algo vai mal...ou então é porque vai na onda dos que dizem que o povo é só um!
      Beijinhos e bom fim de semana tb.

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  17. Oi, Xico, vi as fotos do encontro de vcs, Ailime, Paula, Anete e o marido dela. Lindas fotos. Muito bom não é encontrar pessoas que só conhecemos pela internet tive o privilégio de conhecer Anete e o esposo. E pude comprovar. Eles são maravilhosos. Um abraço

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