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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Celebração dos Dias 1 e 2 de Novembro

No Dia 1 de Novembro, Dia de Todos os Santos, festejamos todos aqueles e aquelas que a misericórdia de Deus admitiu na sua presença, na entrada do seu Reino. Mas em Portugal este Dia não acontecerá mais, pois o feriado religioso foi retirado e as pessoas já não terão este dia disponível para recordar os seus mortos mais queridos e muito se deve, diga-se, às inacreditáveis negociações da Igreja com o Estado Português.


No dia 2 de Novembro, Dia de Recordação de Todos os Fiéis Defuntos, é o tempo da oração, por todos aqueles que partem com a necessidade de algumas purificações além-túmulo. E este dia, o “Dia dos Finados”, foi criado devido a Igreja Católica ter declarado o “Dogma do Purgatório” depois do concílio de Trento no Século XVI, em oposição à Reforma Protestante, denominado por isso também de "Concílio da Contra-Reforma" passando a haver, assim, um estado intermédio para as almas das pessoas falecidas. Em vez do céu para os bons e o inferno para os impuros, aparece um local aonde durante algum tempo as almas ficariam a “purificar”. Surge, então, entre o povo cristão a crença no Purgatório e surgem no nosso país monumentos, marcas de religiosidade popular, à beira de caminhos e principalmente nos cruzamentos destes – "as alminhas", a suplicar esmolas e rezas. Ó VÓS QUE IDES PASSANDO/LEMBRAI-VOS DE NÓS/QUE ESTAMOS PENANDO.
Entraram em declínio estes monumentos nos princípios do Século XX. Ainda há três exemplares em Forninhos, nenhuma se encontra datada, mas sou de opinião que duas já foram mandadas construir no Séc. XX. Já esta que vos apresento, embora não conheça nenhum facto relacionado com a sua construção, suponho eu que deve ser a "alminha" mais antiga de Forninhos e que talvez por causa da construção da parede da casa onde está hoje incorporada, pode ter sido deslocada do lugar original.

Ó MORTAL QUE ME VÊS,
REPARA BEM COMO ESTOU
EU JÁ FUI COMO TU ÉS,
E TU SERÁS O QUE EU SOU.

Este post é em memória de todos os falecidos, que especialmente são lembrados nos dois primeiros dias de Novembro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Outono, tempo de castanhas

Desde o Paleolítico que o castanheiro e o seu fruto, a castanha, acompanha o Homem e pode-se mesmo afirmar que na Península haveria castanhas antes da chegada do milho em 2.500 A.C.. A castanha era utilizada na alimentação dos homens e dos animais e, em muitos casos, era o pão dos mais desfavorecidos.


Tudo começa pelo plantio. Dizem os entendidos que há dois tipos de castanheiro: os bravos (produção de madeira) e os mansos (bravo enxertado para produção do fruto) e que o castanheiro começa a dar fruto aos oito anos, mas só vinte anos depois é que a frutificação passa a ser regular.
E qual a idade estimada do castanheiro?
Aquilino Ribeiro homenageou o castanheiro ao dele referir: “trezentos anos a crescer, trezentos em seu ser, outros trezentos em morrer”.
Deve haver leitores que nunca viram um castanheiro a não ser na Internet, mas o castanheiro é das árvores mais bonitas que conheço, em qualquer altura do ano, mesmo quando está totalmente despida de folhas.
De Abril a Junho floresce e os seus frutos amadurecem de Outubro a Novembro. Portanto, começa agora a apanha das castanhas [estou a escrever como se ainda houvesse apanha em Forninhos, atenção: não há]. Mas existiu. Creio que os mais velhos ainda se lembram do "castanheiro do Senhor". Uma fotografia dele era bem-vinda para publicação.
Depois do ouriço abrir, desprende-se da árvore e cai libertando as castanhas, que se comem quase de todas as maneiras, cruas, secas, assadas ou cozidas, que adoro desde miúda. A preparação, essa, é ancestral. Passam-se por água para tirar algum pó ou impurezas que tragam e secam-se num pano. Dá-se um golpe com a faca sobre a parte mais clara da castanha e cozem-se em água a ferver com sal, por cerca de meia hora. As castanhas podem ser na quantidade que quiserem e a água tem de ser a suficiente para que cubra as castanhas, o sal é a gosto.
Agora castanhas cozidas com erva doce:
Basta juntar erva doce a gosto [eu uso uma colher de sopa ou pouco maisna água a ferver, com sal. Comer ainda quentinhas. 
Mas as castanhas digerem-se melhor se forem acompanhadas de um copo de Jeropiga, de água-pé ou de um cálice de Vinho do Porto.
Já agora fica a dica que também se pode fazer chá com a erva-doce, também conhecida por “funcho”, que para além de saboroso é muito saudável.

Nota sobre o Post:
Repeti [+ou-o assunto de há um ano porque se mantém actual, o Outono continua a ser sinónimo de castanhas e outras iguarias.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Forninhos, terra de emigração

O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. Mas já antes, entre 1920 e 1960, da minha aldeia, partiram para o Brasil famílias inteiras que criaram raízes até à 4.ª geração. O Brasil foi dos primeiros destinos para muita gente, muito antes de França. Nos anos 2o, dois irmãos da minha bisavó Casimira foram para o Brasil e infelizmente por  circunstâncias da vida não tiveram oportunidade de um dia voltar; e nos anos 30 foram dois filhos dos meus bisavós Teresa e Eduardo, o primeiro a lançar-se na aventura da emigração foi o meu tio António, que depois no ano de 1936 'chamou' o meu tio Ilídio, que parte e deixa com os meus avós paternos a sua única filha, Alice, de 6 meses de idade. Estes tios e prima Alice não os conheci, julgo que porque nunca cá vieram. Mas este "post" eu dedico a todos os emigrantes que rumaram a uma nova vida num país estranho e que já mereciam um monumento simbólico.

Corria o ano de 1958 o Albano, a Céu e a Aldina chegam ao Brasil no dia 5 de Julho, e deixam para trás os seus pais, Ana Gonçalves e José 'do Albano' e irmãos mais novos, Emília, Semerina, Rosária, Rosa e Armando, mas levam-nos no seu coração, assim como levam gravada na memória as ceifas e as malhas, o sol escaldante de Julho, as ruas e casas de pedra, amigos, familiares e a Senhora dos Verdes, de Forninhos. Para os que partiram, como para os que ficaram, não foi fácil, as saudades da família são mais que muitas, dias e noites a chorar, se tivessem dinheiro para de imediato voltar, com certeza teriam regressado à sua querida terra natal. 
Quantos pais viram os filhos partir em busca de regalias que a aldeia nega? Eram tempos difíceis como já tenho mostrado. Havia produtos da agricultura para a sobrevivência, mas não havia moeda. 


Mas o Albano, a Aldina e a Céu não vêem a hora de ter junto de si os pais e irmãos mais novos, que 'mandam ir'. Quantos adultos naquela altura partiram com os seus filhos pequenos com o desejo de melhorar de vida? As famílias sabiam que a continuar aquela linha de vida o destino dos filhos era repetir o próprio destino.
Mas sete meses após a chegada ao Brasil falece o pai, o tio José 'do Albano'. A dor da família é a dor de toda a nossa comunidade, pois nessa altura os valores da amizade eram muito fortes na nossa aldeia. Dos filhos, também já faleceu a Aldina, Rosária e o Armando.
Publico estas fotografias que recordam como era duro e dramático emigrar e foram muitas as centenas de beirões (e não só) que emigraram.
Fotografias: Cortesia da Darcília Gonçalves.
Aproveito a oportunidade para agradecer ao Sr. Albano, Brasil, pois sem saber, cada vez que me dizia que lia o blog e me falava da saudade e das 'coisas' que eu publicava, eu cada vez mais ficava com vontade de saber como foi deixar Forninhos. O meu abraço forninhense para si, Sr. Albano!



Fizeram-me chegar também um escrito de autorização e responsabilidade. "Eu António dos Santos de Andrade dou a minha autorização que a minha filha Felisbela dos Santos...Durante o tempo que ela esta nos Estados Unidos da América, dou a responsabilidade dela a Ernesto Saraiva."Doc. Autorização e Responsabilidade: Cortesia da família 'Carau'.
*
Há ainda gente que pode contar histórias reais, de como foi o início de uma vida nova no longínquo Brasil ou na América e cujas lembranças deste pedaço de chão ficaram para sempre no coração. Mas sem dúvida, foi a emigração para França que mais marcou os anos 60 e 70 das nossas aldeias, não esquecendo a África e a Guerra Colonial que também determinou algumas partidas dramáticas de jovens em fuga da tropa.
Presentemente em pleno Século XXI, Portugal volta a revelar que não apresenta condições para manter uma grande parte da sua mão-de-obra no nosso território, como não oferece condições de regresso aqueles que foram obrigados a partir um dia. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Moínhos: Património Popular

moínho do Salto
Eram raras as aldeias da nossa Beira, que não tinham moinhos de rodízio, mas porque nunca se olhou para este património popular com olhos de ver, temos perdido esses testemunhos deixados pelo povo simples e anónimo, eregidos à medida das suas necessidades, em sítios isolados, mas mui pitorescos. Um desses exemplos é o moinho da Carvalheira, que já aqui foi referido mais que uma vez, mas existem outros moinhos na aldeia de Forninhos, ao redor dos cursos de água, em Cabreira e junto ao lagar de azeite do Sr. Luísinho e no Salto, abaixo da ponte da Carriça, que foram também importantes para o povo de antigamente. Apresento, assim, aos que não conhecem, esses moínhos construídos junto ao rio e ribeira, aproveitando as águas das levadas ou açudes, só que até a água foi-se também perdendo, sem ninguém com isso se importar ou indagar as causas!!!


moínho da família Bragança



moínho de Cabreira



moínho da Carvalheira


O único que ainda lembro funcionar é o moinho da Carvalheira e se calhar porque foi o último a ser desactivado ainda lhe resta o rodízio. Para além destes moinhos, sei que houve também uns moinhos nas Caldeirinhas e outros junto ao lagar de azeite da Eira, ao tempo pertença do Sr. José Baptista, que se desmoronaram pela força da corrente. Mesmo que deles não existam ruínas, acho justo lembrá-los, assim como acho necessário fazer-se um levantamento e registo deste nosso património popular de reconhecido valor no tempo em que a cultura e colheita do nosso pão era feita pelas mãos dos homens e mulheres e o pão cozido nos nossos fornos, que podem ver aqui e aqui
*
O Moinho da Carvalheira, faz parte real da minha meninice, qual território sagrado dos Incas, onde a natureza se agitava naquele local recôndito, impregnado de lobos, corujas, raposas e aves de rapina, procurando o alimento para as crias, tal qual íamos esmagar o grão para o pão-nosso de cada dia. Adiante, os Cuvos, que mal produzia um raquítico milho, mas saborosos chicharros. Subindo a encosta para o lado direito, lá estava o imponente Castelo e do outro lado o Castro.No meio da encostava havia uma nascente que não secava, de dia para o homem de noite para os bichos.
Junto ao moinho, as Dornas e a sua gruta de água cristalina, aonde se sentia o mundo na sua perfeição absoluta! Chegava com o meu pai, as vacas arrastando o carro, chiando sobre o peso do grão e o difícil trilho.Teria seis anos de idade, mas a expectativa de passar o dia e a noite neste local mágico, acelerava o coração. Carro descarregado e vacas a pastar na orla da ribeira com o coaxar das rãs e o bailado das libelinhas, era hora de ir roubar umas ameixas ao Sr. Daniel, cá mais abaixo, encher os bolsos e a boina.
A seguir, uma vara de amieiro, um fio de nylon mais um anzol ferrugento com gafanhoto a servir de isco, sempre se apanhavam umas bogas tontas que se viam a olho nu; numa água que era brilhante. As maiorzitas serviam para grelhar e ajudar a bucha da noite, na fogueira acesa no canto esquerdo interior da moinho, enquanto a mó carrasca, esmagava o grão, chiava, esmagava, acompanhada pelo piar do mocho ali ao perto.
Enquanto o meu pai vigiava toda a noite a tarefa, eu aconchegava-me junto a fogueira, enrolado numa manta trazida de casa, e adormecia a sonhar com as mouras encantas ali tão perto.
Manhã cedo o meu pai acorda-me, carro já carregado com as taleigas da farinha, vacas junguidas, prontos para abalar, apenas faltava o caldeiro de lata que pendurou num fogueiro. O chiar do carro sobre as pedras na subida, faziam levantar as perdizes matinais, acordar os melros na ribeira e alvoroçar os tajasnos. Já em cima, um coelhito atarantado, apenas se desviou das vacas, pois eu ia sentado na frente do carro e o meu pai nas traseiras. Se tivesse uns custilos e tempo, aqueles tajasnos e mais que fora, não escapavam.
Mais a frente cruzamo-nos com outro carro de bois, que vinha para a moagem, era o dia que lhe pertencia em sortes (não me recordo quem era). 
XICOALMEIDA
Ainda bem que há quem nos dê tão belos contributos. Bem haja amigo Xico.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Tribunal do Santo Ofício actuou em Forninhos

A inquisição foi estabelecida em Portugal, em 23 de Maio de 1536, a pedido do Rei D. João III, em principio destinada a combater a heresia no seio da Igreja Católica. Com este post pretendo melhor conhecer a História e o papel desempenhado pelo Santo Ofício e a mentalidade social da época, bem assim a problemática das divisões então existentes entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Capa do Processo da Inquisição de Lisboa do  Sol. Manuel Nunes


Pelos Tribunais do Santo Ofício passou um membro do  Clero, Paulo Pais, Padre-Cura da Igreja de Santa Marinha de Forninhos, natural de Fornos de Algodres, mas morador  em Santa Marinha de Forninhos, o qual foi acusado, em 16 de Abril de 1617, da prática de concubinato, de que se livrou com castigo não averbado no processo em Dezembro do mesmo ano e um soldado, natural do lugar de Forninhos, freguesia da Villa de Penaverde, bispado de Viseu, mas morador na cidade de Lisboa, de seu nome Manuel Nunes, acusado de ter contactos forçados com herejes quando foi feito prisioneiro pelos holandeses e de cujo processo consta apenas a confissão de suas culpas e informações com especial interesse para a sua carreira militar. 
Manuel Nunes era cristão velho,  solteiro, sabia ler e escrever e era filho de Pedro Gonçalves, lavrador, e de sua mulher Maria Nunes, naturais e moradores em Forninhos. No processo, constituído por 32 folhas, não menciona os nomes dos avós paternos, por os desconhecer, embora diga que eram lavradores, naturais e moradores em Forninhos. Quanto aos avós maternos, também lavradores, refere que só sabe o nome do avô materno, António Nunes, natural das Antas, concelho de Penalva, bispado de Viseu.
O soldado Manuel Nunes tinha 26 anos de idade a 10.10.1658, quando se apresentou voluntariamente na Inquisição de Lisboa, perante o Inquisidor Rodrigo de Miranda Henriques, para confessar as suas culpas. Da sua confissão constam as seguintes informações com especial interesse para a sua carreira militar: treze anos atrás (1645), embarcara em Lisboa com destino ao Estado da Índia. Chegando à cidade de Goa, quatro meses depois mandaram-no para a ilha de Ceilão para servir como soldado, onde permaneceu cerca de doze anos. Nessa altura, os holandeses acabaram de tomar o que faltava por conquistar da dita ilha e acharam a ele réu na fortaleza de Caleturé (?), aonde foi cativo e levado à cidade de Jacataria (?) aonde residiu onze meses, e por o meterem logo em prisão apertada enquanto não havia embarcações para o passarem à Holanda, foi obrigado dos trabalhos em que se via para melhor ter liberdade a assentar praça de soldado dos ditos holandeses, como com efeito assentou, e recebeu seu soldo nos ditos onze meses acudindo as sentinelas e às mais obrigações como os mais soldados holandeses. Manuel Nunes declarou também “que por alguns meses no dito tempo fez saídas ao campo a pelejar com os mouros, porém nunca pelejou com católicos, nem o determinava fazer, porque logo quando assentou a dita praça declarou que era com condição de não ser obrigado a pelejar com católicos cristãos.”.
Declarou ainda que sendo forçado a conviver diariamente com os soldados holandeses no baluarte da cidade onde viviam, assistia todas as noites às “suas rezas e orações”, embora não as entendesse nem participasse delas. Disse também que nesse tempo “comeu carne nos dias proibidos, porque não tinha outra coisa para comer”, etc...
Finalmente, informou que antes de regressar à cidade de Lisboa esteve na Holanda, onde conviveu com todo o tipo de pessoas. Ao longo da sua confissão, refere que nesses anos teve como companheiros outros 11 militares portugueses, igualmente presos pelos holandeses e a quem também serviram como soldados, os quais eram naturais de outras terras portuguesas.
Declarou ser católico praticante, baptizado na igreja de Santa Marinha, do lugar de Forninhos, pelo Padre António Nunes, Cura do dito lugar e já defunto, sendo seu padrinho Jácome de Almeida, do lugar das Antas. Disse mais que foi crismado na igreja de Santa Justa, em Lisboa, pelo Arcebispo de Lisboa.
Considerando que a confissão foi voluntária, estava arrependido e pedia perdão. Linitou-se a sentença de 12.10.1658 a adverti-lo a não reincidir nas culpas confessadas e a manter-se um fiel católico, cabendo-lhe pagar as custas do processo. 

Custas Finais do Processo
À excepção destes dois processos que decorreram na Inquisição de Lisboa e de Coimbra, não passou pelo Santo Ofício nenhum forninhense acusado da prática de judaísmo, mas aproveito para lembrar que a comunidade judaica também teve uma assinalável presença em Forninhos, pois já vi algures escrito que a freguesia de Forninhos possui marcas cruciformes em ombreiras de portas, só que creio que foram destruídas aquando de alguma reconstrução, pois já percorri Forninhos "de ponta-a-ponta" e não encontrei quaisquer gravações. Mas não digo que não haja, digo que acredito mais que já não há.

Fonte: Torre do Tombo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Argolas às portas das tabernas/vendas


Argola na parede do que foi uma taberna/venda


Argola na parede da venda que foi dos meus avós maternos


As argolas situavam-se geralmente às portas das tabernas/vendas, mas sei que houve casas particulares que também as possuíam.  A utilização destas argolas prendia-se com a comodidade que representavam para os latoeiros que iam a Forninhos e homens que vinham trocar "farrapos à loiça", picar gadanhas e seitouras, comprar lenticão ou vender pão e aí prendiam  o cavalo ou burro. Ou, até para beber sossegadamente um copo na taberna.

nota pessoal:
Esclareço que a argola na taberna que foi dos meus avós maternos é do tempo do meu bisavô Maximiano, que tinha um cavalo e comprava e vendia nas feiras tecidos em fazenda. Sempre houve ocupações diversificadas na minha terra e como se vê, Forninhos mexia muito. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vindimas, a festa da família e dos amigos

Acabada de vir de Forninhos, trago ainda comigo o seu ar fresco e puro, o cheiro dos pinheiros e plantas, o doce sabor das uvas e as cores da paisagem. Mas para quem não pode regressar neste tempo outonal para ajudar os parentes na tarefa das vindimas, deixo aqui um cheirinho da vindima da família Carau para recordarem o tempo em que também andavam à volta das videiras de tesoura e balde na mão:


Para que o vinho seja de boa qualidade é importante que as uvas 


cheguem inteiras e não amassadas



O tractor transportava as uvas reluzentas que íamos cortando


e a 'dureza' do trabalho é compensada pelo convívio e partilha





mas é a piqueta que retempera as forças para continuarmos a tarefa...




e, foi na 'Cerca' que encontramos um miminho da época, um tortulho,


que cortamos, deixando a 'raíz ' no solo, claro!



Quando o trabalho campal acaba, inicia-se o trabalho caseiro, no lagar, usa-se o esmagador eléctrico e, mais tarde, pisam as uvas com os pés descalços (e bem lavados) para aquecer o mosto. Mas primeiro, vamos à feijoada:


Gosto imenso do Outono e uma das razões prende-se mesmo com a vindima, a beleza das cores das vinhas e os sabores da época. Depois...tudo isto me faz recordar a minha infância em Forninhos. Felizmente ainda vivo dias parecidos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Frutos de Outono: Tortulhos

tortulhos

Os tortulhos são os primeiros cogumelos a aparecer, vêm com as primeiras chuvas outonais e apanhá-los é um regalo. Depois de serem apanhados, são lavados, abertos ao meio e torcidos num pano de cozinha como quem torce a roupa (no passado), e temperados com uma boa pitada de sal. De seguida são colocados numa grelha bem quente, que é posta directamente nas brasas da fogueira para ficar bem quente e logo vão libertando água, pelo que se necessário tira-se a grelha e volta-se a repetir o processo. Por fim, o sal é sacudido e podem pegar num pedaço de pão centeio e servir os tortulhos acompanhados de uma jarra de vinho da adega. Tem um sabor, que não se assemelha a nada, mas é bom.
Agora que fica aqui 'a receita' e a imagem, podem ir apanhá-los nas vinhas e outros locais frescos, são fáceis de identificar,  ao contrário de outras espécies capazes de serem confundidas com cogumelos venenosos, mas lembrem-se que, se queremos dar continuidade à espécie, nunca devemos arrancá-los, mas sim cortá-los, deixando a raiz no solo.
Bom apetite.

Lembrete:
Há cerca de dois anos já publicamos um post com o título Outono: Tempo de Colheita quem apreciar pode voltar a ver o que de bom o Outono nos dá.