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quarta-feira, 28 de março de 2012

AS MERENDAS

Antigamente no Inverno, porque os dias são curtos, não havia MERENDA. Depois, chegada a hora de Verão, chegava também a hora da merenda. O acto de merendar fazia parte do dia a dia das famílias, pelo menos, há 40, 30, 20 anos atrás era assim. Está bem: ainda mais ou menos é assim, mas o termo, modo de dizer, só as pessoas mais idosas o usam, já que os mais jovens dizem "lanche" e "lanchar".


Da parte da tarde, quiséssemos ou não, era costume a família a seguir à sesta e antes de iniciar os trabalhos no campo, ainda com muito sol, comer a merenda. Aliás, a palavra merenda veio do latim memere, "merecer". Para comer algo, todos tinham de fazer por o merecer, parece. Mas o que me motivou a escrever este artigo foi a fotografia, uma amostra como há 40 anos atrás a família Carau fazia súcia, partilhava a merenda, convivia. Da esquerda para a direita o tio Zé Lopes corta o queijo com a navalha e reparem agora no colo do tio Ulisses. 
Outras iguais tenho para por aqui registar coisas nossas que um dia já foram assim, sempre com a ajuda e explicação de alguém mais velho, porque se ninguém registar as vivências e modos de dizer, hoje bem distantes e mesmo desconhecidos dos mais jovens: «bye-bye».

sexta-feira, 23 de março de 2012

As Matracas

No tempo quaresmal d´outro tempo, os padres impunham muitas restrições e obrigações e todos cumpriam. Não se cantava senão na Igreja, não se tocava qualquer instrumento, realejo, concertina, pandeireita e outros, não havia baile, tapavam-se as cruzes...era um tempo de grande recolhimento, interioridade e religiosidade.
Na tarde de Quinta-Feira Santa já ninguém ía trabalhar para o campo e na Sexta-Feira Santa tapavam-se todas as imagens com panos roxos e as janelas com panos pretos e os sinos não tocavam. Em lugar do toque dos sinos, para chamar os Cristãos para as cerimónias religiosas recorria-se às matracas, uma tábua, onde estavam suspensas umas argolas de ferro que faziam um barulho próprio - trac-trac. As matracas eram tocadas por um adulto, seguido às vezes pelos garotos, ao longo das ruas de Forninhos, para convidar as pessoas a irem à Igreja. Isto repetia-se até ao toque do sino a anunciar a ALELUIA e se proclamar "Jesus Ressuscitou Alegrai-vos".

Nota:
A fotografia das matracas tirei-a da net porque as da paróquia de Santa Marinha de Forninhos ninguém mais as viu, nem se sabe se ainda existem. Na nossa terra muita coisa já desapareceu, até os valores culturais! e tal não era necessário.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Primavera

Este é um texto do meu livro de leitura da segunda classe, sobre a Primavera.

sábado, 17 de março de 2012

Saudação à Primavera

Por Março ou Abril, consoante, começa a faina agrícola. O manto verde que cobre a terra, agora pintalgado de malmequeres brancos e amarelos, começa a virar-se do avesso para abrigar as primeiras sementes das batatas temporãs. As árvores vão florindo, abrunheiros, pessegueiros, as cerejeiras timidamente...depois as vinhas, os castanheiros. Aqui e além alecrim, andorinhas, estorninhos, pardais, ferreirinhos, pintassilgos, rouxinóis, melros, rolas, um cuco, no "cruto" daquela árvore um ninho. Também a giesta branca inunda os caminhos com pequeninas porções de "neve", dizem que estraga o leite, mas alinda a paisagem, os rosmaninhos, mais tarde o salpor e "milhentas" flores sem nome. Pois é...a Primavera está mesmo a chegar e, sendo assim, vamos recebê-la no nosso blog:


Sê Bem-Vinda PRIMAVERA!

A Margarida Albuquerque foi quem colheu e enviou as fotografias do seu jardim. OBRIGADA!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cultivo do Linho

Quando eu era pequena, em Forninhos já ninguém cultivava linho e procedia à sua fiação, mas lembro aqui alguns dos nomes de quem mais o cultivava e melhor o trabalhava: a minha bisavó Maria "dos matelas"; a minha bisavó Casimira (conhecida como a tia Caniça); a tia Eduarda; a tia Ana Catrina; a tia Maria da Lameira, a tia Adelina Guerra e a melhor tascadeira a tia Patrocínia Beleza.


Fui procurar saber um pouco mais sobre as principais operações que o linho sofre no amanho e fiquei a saber coisas como:
- Sementeira - monda - quando tem aproximadamente 5 cm de altura;
- Rega - quando a precisa. Desde que deita a flor ainda cresce em média um palmo: «da flor à baganha um palmo apanha.»;
- Amadurece;
- A arranca;
- É ripado - no ripanço;
- É atado em molhos;
- Vai para a água para curtir - durante 8 dias;
- Enxuga-se em estendedoiros;
- É maçado com maços - nos maçadoiros;
- É amuçado - esfregado sobre uma pedra para tirar-lhe a casca rija e fazer as "amuças";
- Tascado - no cortiço com espatelas;
- Vai ao sedeiro - para separar a estopa. O linho em "fêvera" fica na mão da tascadeira e a estopa cai no chão. Depois destas operações ficam em "estrias" ("estrigas" como diziam) que passam à
- Fiação - na roca, com o fuso, que imagino, seria como na imagem:


Desta operação resultam as maçarocas. Várias maçarocas são postas no sarilho para dar as "meadas". Estas são cozidas, barreladas e coradas, passando depois à dobadoira, para fazer novelos que vão ao tear, donde sai o pano que, depois de corado, serve para o bragal, isto é, enxoval.

A tradição de cultivar linho, proceder à fiação e fazer ou mandar fazer a respectiva tecelagem nos teares simples de aldeias ou vilas já acabou. Ficaram peças costuradas e as cantigas:

O linho é poeta e faz versos
como eu jamais fui capaz
Os versos que eu vou tentar
é Ele o linho que os faz

Ninguém esqueça na vida
um fio, com outro fio
dão as velas dos moínhos
mai´las cordas do navio


Fotos: Linho, cortesia do Contribuidor ed santos.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Forninhos nos anos 20 do Séc. XX

Nos primeiros tempos deste blog, prometi procurar fotografias antigas para melhor retratar Forninhos Antigo, os nossos familiares e amigos, a fim dos mais jovens conhecerem o que foi o nosso passado, mas como é evidente que nem os mais "antigos" deverão recordar a aldeia dos anos 20, do Séc. XX, parece-me bem mostrar a todos a imagem de um Forninhos completamente desaparecido.
A fotografia tirada ao meu avô Zé Cavaca e tio Zé Ferreiro, terá pelo menos 85 anos. O Zé Cavaca e o Zé Ferreiro eram grandes amigos e quando esta fotografia foi tirada na rua da casa dos pais do Zé Ferreiro, ambos estavam solteiros.
O nome de baptismo (Lameira) nunca perdeu razão de ser para os forninhenses, mas a artéria é hoje conhecida por "Rua de S. José". Acho que não preciso enumerar as diferenças entre o passado e o presente, neste caso, uma imagem vale bem mais que mil palavras.


Hesitei na etiqueta a colocar-lhe..."Ruas e Lugares"..."Memorial da Nossa Gente"...mas parece que fica bem...simplesmente "MEMÓRIAS".

segunda-feira, 5 de março de 2012

Forninhos 2012 - III Festas das Arrematações

Aqui deixamos as fotografias, da III Festa de Arrematações de Carnes e Enchidos, que decorreu como estava previsto no Domingo Gordo. Como as imagens abaixo mostram, a afluência foi boa, levando a que o leilão se processasse a um bom ritmo:


As panelas de ferro e as brasas já estão "a-postos"


Os Organizadores: Ricardo, Zé Ferreiro e João Luís, também


Os Srs. Adriano e Luís "Gigas" sempre participam
com alegria nesta Festa das Arrematações


O Ismael, sobrinho do tio Agostinho


51, dão o seu contributo para a Irmandade
... e para o convívio


Chouriças cortadas aos bocados e são...deliciosas.
Bom Apetite!


À volta da mesa aproveitaram para conviver e saborear
as carnes, variedades de enchidos e o excelente vinho da região


Ao som da concertina, Os Entrudinhos animaram a Lameira


E os Entrudos adultos recordarão com agradável saudade
este dia muito simpático


Parabéns a todos os Participantes e Organizadores.

As Fotos foram enviadas pelo Ricardo Guerra, que dá assim este belo contributo para a nossa galeria de "Convívios". Esperemos pelo novo Domingo Gordo e a Festa das Arrematações voltará.

sexta-feira, 2 de março de 2012

As Papas Doces de Ralão


A base das papas doces de ralão é o milho esmagado, mas provavelmente porque são feitas quase da mesma maneira que o arroz-doce, a quem não as conhece são apresentadas como as primas direitas do arroz-doce.
Nos dias e na vida que vivemos, tudo é mais fácil e compra-se o milho já preparado, pelo que será cada vez mais difícil encontrar quem ainda leve o milho ao moinho para obter o ralão, mas em tempos antigos o milho era esmagado pela mó do moinho e as donas de casa lavavam o ralão em diferentes águas para sair o casculho (esta operação era muito importante) e punha-se então a cozer com um pouco de água, juntava-se de seguida o leite e o açúcar e coziam até ficarem bem cremosas. Eram e sempre foram servidas como uma sobremesa.
Bom Apetite!

Foto: "papas-de-ralão": Cortesia da minha prima direita Maria (Contribuidora M.Jorge).
P.S.- Obrigada à m/ prima Maria e às m/ tias: Natália e Margarida, que contribuíram e ajudaram na publicação desta "postagem".