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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A carreta-fúnebre

"carreta funerária"

A freguesia de Forninhos é composta pela localidade dos Valagotes e como nesta localidade não há Cemitério, no princípio da década de 80, já no tempo do Sr. Pe. Flor, foi feito um peditório ao povo para se comprar uma carreta fúnebre para ser utilizada, principalmente, no transporte dos mortos dos Valagotes, pois nessa altura as agências funerárias contar-se-iam pelos dedos de uma mão e...sobrariam dedos.
A compra da carreta foi uma prova de modernidade e fez um vistão quando apareceu pela primeira vez, faz também parte da nossa história que é bom mostrar e lembrar para não esquecer.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CASTANHEIROS E CASTANHAS

Como estamos em época de castanhas gostaria de trazer, até àqueles que pouco conhecem, a árvore que dá este fruto.

Em Abril, esta árvore desponta, e como as suas folhas vem logo a seguir a flor, flor em rosário, não muito bonita, e por sinal, mal cheirosa.

E não tardam a aparecer os pequenos ouriços, pequeninos mas já agressivos, como quem quer dizer: estou preparado para proteger os meus "filhotes".

Para logo no Outono mostrarem o seu sorriso e deixarem cair os seus frutos.

E, estes sim, menos agressivos, convidam-nos e fazem-nos, como já fizeram, companhia a muitas famílias ao longo dos séculos.

Este ano, apesar do seu tímido sorriso, não quiseram deixar cair as castanhas.

Mas como o ditado diz: "Se o homem não vai ao souto, vem souto para casa".

E...assim trabalha a tenaz e o martelo,

porque a panela e o assador já esperam,

e agora, já assadinhas,com companhia privilegiada
que é a jeropiga da nossa terra.

Vamos a elas...são servidos?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que a História diz da nossa População


Tenho relido, com mais atenção, a obra do Pe. Luís Ferreira de Lemos. Como ele próprio refere, pode dizer-se, que a maioria dos habitantes é despida de ambições, mais ou menos conformada com a sua mediania.
(...) Produto do caldeamento de várias raças, é uma síntese dos defeitos e qualidades de todas elas. Mais perto de nós no tempo, os árabes terão deixado um pouco da sua resignação e conformismo, que tem feito do íncola um ser agarrado às tradições, sem espírito de iniciativa, inerte, durante muitos séculos, no marasmo do improgresso. Se por vezes é orgulhoso e assomadiço - herança visigótica - não lhe falta a ponderação e calma do sangue romano, a entroncar, pela sobriedade e valentia no mais puro cerne lusitano.
Tem passado toda a sua vida, se não foi à tropa, entre os horizontes arejados em que nasceu, da escola para os montes a pastorear, e daqui para a gleba, preso à rabiça do arado ou ao cabo da sachola, à procura do comestio, carinhosamente debruçado sobre a terrinha que já foi do seu avô. Sóbrio e modesto, o seu luxo é o fato domingueiro e o grande sonho é deixar aos filhos, melhorado, se possível, o que já herdou dos seus pais. (...).

in Penaverde Sua Vila e Termo, Pe. Luís Ferreira de Lemos

Como o leitor pode ver, o que fica dito - escrito há vários anos - está desactualizado. A partir da década de 60 o desejo de aventura aliado a uma verdadeira necessidade em melhorar "a negra vida", uns influenciando outros, muitos filhos da terra seguiram com a sua vida noutros lugares.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Rebusco

Na aldeia de Forninhos, como em muitas outras, depois das colheitas (de propósito ou sem querer) ficavam sempre frutos para trás e as famílias mais pobres saíam ao rebusco. A tradição do rebusco, era uma das mais bonitas da nossa terra, sobretudo da parte daqueles que deixavam ficar parte do pouco que tinham, pois não seriam muitos aqueles a quem sobrava alguma coisa. Não sei onde li que o rebusco tem o seu fundamento na seguinte passagem da Bíblia: «Quando tu segares a seara dos teus campos, não cortarás rés do chão o que tiver crescido sobre a terra; nem enfeixarás as espigas que tiverem ficado. Não recolherás também na tua vinha os cachos que ficaram da vindima, nem os bagos que caíram; mas deixá-los-ás tomar aos pobres e aos peregrinos.» (Levítico, XIX, Pontos 9 e 10).

Vindimas feitas e vinho modernamente armazenado,

agora é mais prático a utilização das cubas inox e é nelas que ele descansa
até, pelo menos, ao S. Martinho.

Era costume depois da vindima ir, rapazes e outra gente,
procurar nas vinhas algum cacho que escapasse aos vindimadores

Por estes dias também as aves já se foram e além dos pardais, fiéis amigos de todo o ano, só se vê um ou outro tralhão à procura da castanha ou outro fruto.

Hoje há poucas castanhas em Forninhos, porque quase não se plantam castanheiros (acho que porque há alguns anos atrás apareceu uma doença nos castanheiros), porém, houve alguns exemplares de grande porte e razoável produção e os proprietários dos castanheiros colhiam muita castanha.

Depois de colhida a castanha, ficavam sempre alguns frutos nas árvores (ouriços) ou escondidos pelas ervas e folhagem. Os proprietários autorizavam aqueles que não possuíam castanheiros de ir ao rebusco da castanha.

Também a azeitona que alguns anos atrás não chegava para o consumo,

para poupar o azeite, todos molhavam as batatas num prato de barro, sendo que o azeite era muitas vezes misturado com água, agora muita fica nas oliveiras, pois a idade já não ajuda, os custos que comporta a sua colheita são elevados e já não se encontra quem a queira varejar.

Antes, viam-se ranchos na vareja que alegravam o trabalho com cantigas e risos, hoje, aqueles que já não têm forças para a apanhar, para não a deixarem nas oliveiras, optam por a dar de terças ou meias, mas ainda assim também há dificuldade em encontrar quem o queira fazer.

Depois da colheita da azeitona também os mais desfavorecidos saíam ao seu rebusco. Munidos de um cesto, balde ou lata, juntavam quilos de azeitona. Era um trabalho duro e pouco produtivo, mas era a única maneira daqueles que não tinham oliveiras ter alguns litros de azeite.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Velhos aliados

Com o passar dos tempos assim se vão mudando as máquinas que temos ao nosso dispôr. Aqui fica um pequeno apanhado dessas máquinas que ainda há bem pouco tempo se podiam ver nas ruas de Forninhos e outras nos arredores:


As carroças hoje em dia só assim se conseguem ver
ou então como ornamento de algum jardim

Também as máquinas já bastantes usadas e desgastadas pelo uso
acabam assim, mas fazendo lembrar quanto úteis
foram aos seus proprietários.

Outras porém permanecem no seu lugar,
parecendo dizer que estão prontas para o serviço.

Estes últimos exemplos foram retirados há bem pouco tempo, do lugar a que estava-mos habituados a ver, deixando agora um lugar vazio.

Outras porém sendo também antigos, mas acopulados aos da nova geração,
continuam a prestar o seu serviço, basta para isso uma boa manutenção.

sábado, 8 de outubro de 2011

Fornos: Património Popular


«Haja Saúde e Coza o Forno e o Pão que seja nosso». Uma frase que no passado o povo dizia. Em verdade, a importância maior para o povo era a Saúde e o Pão, alimento de todos os dias, mas para haver pão na mesa, tinha de cozer o forno. No Forninhos antigo, havia o forno da tia Purificação, o da tia Esperança, o da tia Geménia, o do tio Luís da Coelha e o do Sr. Amaral. O forno do Lugar e o forno Grande (na Lameira) eram do povo. Cada família tinha o hábito de ir cozer ao forno mais próximo e/ou por simpatia com o dono do forno. Em muitas terras, os fornos "comunitários" com proprietário, embora de livre acesso, os utilizadores tinham de pagar a «poia» (paga por fazer pão no forno). Na nossa terra nunca se pagou por fazer pão nos fornos particulares. O espírito comunitário sempre foi um traço vincado que marcou o povo forninhense. Curiosa era a prática de emprestar o fermento. Uma malga com fermento rodava pelos vizinhos, que tinham obrigação de devolver novo fermento. Era também prática corrente emprestar pão ao vizinho ou vizinha até que este(a) cozesse e devolvesse o pão que tinha pedido emprestado e ninguém regateava o tamanho ou o sabor do pão, reforçando desta forma os laços de comunidade.




O que diriam os antigos proprietários e utilizadores destes fornos se deparassem com o cenário que estas fotos documentam?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Acordo do Estrume

carro-de-bois na Lameira carregado de caruma

Forninhos é rodeado de pinhais e desde sempre se utilizou a caruma, fetos, giestas e tojos para estrumar as lojas do vivo (gado), pátios particulares e até alguns caminhos mais lamacentos. Deste modo, se curtia o estrume para as terras e era/é o melhor adubo, por ser natural. Grande parte dos lavradores têm estrume em propriedades suas, mas antigamente também cortavam muito estrume nos baldios e aqui, pelo menos, desde os anos 40 até 60/61 do Século XX, havia o "acordo do estrume", em virtude do qual, os moradores, antes de S. Francisco - 4 de Outubro - eram proibidos de o cortar nos baldios. Não pude averiguar a origem deste acordo, mas segundo me informaram pessoas antigas o motivo era porque como, antes daquela data, havia um certo aperto de serviço e os que menos tinham que fazer cortavam e açambarcavam mais do que os que andavam mais atarefados no trabalho das colheitas, se "acordou" em que ninguém cortasse estrume antes daquela data. Hoje já se não respeita esta convenção, nem se controla as saídas dos pinhais, e grande parte das matas não são limpas. Hoje a falta de conservação da floresta portuguesa tem sido a grande falha no combate aos incêndios dos últimos anos.

Foto: Cortesia da Luísa