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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Poemas de Natal (Fernando Pessoa)


Natal

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Visto de trás da vidraça
Do lar que nunca terei.

(Cancioneiro do Natal Português)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Conto de Natal: "A Fábrica dos Brinquedos"


Há muito, muito tempo, viveu um homem muito grande e forte mas também muito velhinho. As barbas brancas quase lhe tocavam no peito e o seu cabelo comprido estava em desalinho.
Um dia, Nicolau - assim se chamava ele - sentou-se ao pé da janela a meditar. A certa altura, olhou através da janela: lá fora nevava. Era Inverno! Os vários pinheiros do jardim estavam cobertos de um manto espesso e branco. Porém, umas pegadas na neve despertaram-lhe a atenção. Um pouco mais adiante, estava um mendigo. Esse pobre homem, que era um sem-abrigo, estava mal agasalhado, descalço e sozinho. Noel, que tinha um coração de ouro, abriu a janela e chamou-o:
- Vem cá, homem! Onde é a tua casa?
- Ah! A minha casa?! Eu não tenho casa.
- E a tua família?
- Oh! Esses…nunca os conheci. Vivia com a minha avó, mas ontem ela morreu, não aguentou o frio deste Inverno…
- Meu Deus! Mas, que vida tão triste a tua! E agora?! Com quem vives? Sozinho?
- Sim, agora vivo sozinho.
- Mas…e ... e não tens frio, mal agasalhado e descalço? Bem que precisas de um par de sapatos, de uma camisola e de um casaco! Vou pedir à minha mulher que te faça uma camisola e vou fazer-te eu próprio um par de sapatos! E sabes que mais? Se quiseres colaborar comigo!
- Oh! Muito obrigado, senhor. Que devo fazer para colaborar consigo?
- Eu vou explicar tudo: a minha mulher andava a dizer-me que eu precisava de um trabalho para me entreter. Eu fiquei um bocado confuso: como poderia eu arranjar um emprego de um dia para o outro? E então, quando te vi, lembrei-me imediatamente de um bom passatempo para nós os dois! E até fazíamos uma boa acção e tudo! A minha ideia era construirmos uma fábrica de brinquedos onde trabalharíamos todo o ano para obtermos os melhores e mais bonitos presentes para oferecermos aos meninos bem comportados no final do ano. Podíamos também dar um nome à data de entregar as prendas. Hummm, pode ser NATAL, em honra da minha mulher Natália.
- O senhor, isto é, o Nicolau tem ideias fabulosas! Para mim o senhor é um verdadeiro santo!
- Oh! Oh! Oh! Não sou nada! Sou apenas o Pai Natal! É um bom nome para quem inventa o NATAL! No NATAL, todas as prendas devem estar prontas. Treinarei as minhas renas para grandes viagens, prepararei o meu trenó e… já me estou a ver a cruzar os céus!!!!! Só tu poderás estar comigo no trenó, para levares o saco com as prendas!
- Mas, Pai Natal, quando é que vai ser o NATAL?
- Oh! Meu Deus! Não tinha pensado nisso! Mas, até pode ser no dia em que nasceu Jesus! Ele ficaria orgulhoso de nós! Portanto o NATAL é no dia 25 de Dezembro! É verdade, como te chamas meu amigo?
- Chamo-me Cristóvão.
- Muito bem, Cristóvão, vamos já contar tudo à minha mulher!
Natália ficou encantada com a ideia do marido e prontificou-se logo a chamar todos os duendes empregados para ajudarem na construção da fábrica. Estes adoraram a ideia de passar a trabalhar numa fábrica e empenharam-se mais que nunca na sua construção. Em menos de cinco dias a fábrica estava pronta!
Naquele ano todos os duendes tiveram de trabalhar em velocidade máxima, pois o NATAL estava à porta!
Todos os dias a fábrica de brinquedos do Pai Natal recebia dezenas de cartas de todos os meninos e meninas do mundo, a encomendarem os seus presentes de NATAL. A todas as cartas o Pai Natal respondia dizendo que se portassem bem.
E o prometido é devido: os duendes carregaram as prendas até ao trenó e Cristóvão pô-las no grande saco do Pai Natal. À meia-noite em ponto, o trenó cruzava o céu puxado pelas renas, carregando o saco dos presentes, o Pai Natal, e, claro, Cristóvão!
Ainda hoje, sempre que é a noite de Natal, podemos ver o grande trenó com o Pai Natal e Cristóvão, se olharmos para o céu à meia-noite em ponto …

Contributo: XICOALMEIDA

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Feliz Natal


O Novo Blog dos Forninhenses deseja a todos Votos de um Natal repleto do melhor que esta Quadra possa proporcionar e que 2010 concretize os sonhos e ambições pessoais e profissionais ****

Feliz Natal!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tradições de Natal

Na quadra natalícia usa-se uma culinária especial, conforme os costumes das diversas terras. Na nossa consoada, o costume é o bacalhau com batatas, a couve...e o nosso bom azeite.
Consta que o bacalhau foi introduzido na alimentação inicialmente pelos portugueses, que o descobriram no século XV, época das grandes navegações. Desde então faz parte da tradição dos portugueses.

Na doçaria temos as filhóses, as fritas, o pão-leve, o arroz-doce e o bolo-rei que apareceu mais tarde.

Diz a lenda que, quando os Reis Magos foram visitar Jesus para lhe oferecerem presentes, a alguns quilómetros do presépio tiveram uma discussão: qual deles seria o primeiro a oferecer os presentes?
Alguém estava a escutar a conversa e propôs uma solução. Ele faria um bolo em cuja massa incorporaria uma fava. Repartiria pelos três. Aquele a quem calhasse a fava, seria o primeiro a oferecer os presentes ao Menino. Ainda hoje, quem ficar com a fava terá de dar um presente.

O Natal da minha Aldeia: Forninhos

(Cepo-Noite de 24.12.2008 - Largo da Lameira)

Para descrever o Natal da minha Aldeia, aquilo que pessoalmente me emociona nesta altura do ano, é chegar a Forninhos e assistir à ausência do consumismo. Os vizinhos levam uns aos outros presentes, fruto do seu trabalho na terra. Alguns oferecem umas nozes, um frasco de mel, outros oferecem couves a quem não tem e ainda aquela garrafa de azeite que as tempera, uma garrafa de jeropiga ou de vinho que aquece o coração dos homens. Reparar que a preocupação principal das pessoas está mais virada para a preservação dos costumes, das tradições por vezes seculares, o que faz com que aqueles que estão longe (como eu), sintam motivação para lá estarem nesta altura, pois isso fará recordar tempos já passados.
A razão principal que hoje me levou a fazer este artigo é conhecer melhor a tradição da Quadra que agora se cumpre: O Natal. Porque quando é altura de festejar, há também muito a ensinar.
O desafio é dar a conhecer o Natal antigo, aquilo que o distingue do Natal de hoje.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

" CEIA DE NATAL COM A COMUNIDADE"

No seguimento dos anos anteriores (2007 e 2008) irá realizar-se uma Ceia de Natal, com a comunidade Forninhense, no próximo dia 19 de Dezembro, pelas 18H00, na Sede da Junta de Freguesia. Este ano a ideia partiu do Sr. Padre Paulo em colaboração com a Junta de Freguesia de Forninhos, a quem não posso deixar de elogiar por esta iniciativa de promover o convívio e o bem-estar social entre as suas populações, neste jantar alusivo à época natalícia que se avizinha.
Será, pois, também uma oportunidade de todos aqueles que por ordens várias, sejam elas políticas, ideológicas ou de qualquer outra natureza, se juntarem a este convívio, pois as diferenças devem ser colocadas de parte e se possível, para os restantes meses do Ano!

Programa:
18H00: Entradas
18H30: Auto de Natal da Catequese
19H00: Jantar, composto por Bacalhau, batatas e couves
Sobremesas: arroz-doce, filhós e bolo-rei
Sumos, Vinho e similares
O preço por pessoa é: € 7,50 (adulto), o qual será pago no acto da inscrição até ao dia 17.12.2009 (Quinta-Feira), junto das Catequistas, Centro de Dia e nos Cafés da Aldeia. A receita reverterá a favor da Igreja.
As crianças não pagam.

Obrigada a todos os que contribuem para dar seguimento a esta iniciativa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Miradouro "Cabeço do Gato"


Alguns conhecerão o miradouro "Cabeço do Gato", outros não. A minha sugestão é que nesta Quadra Natalícia, quem visitar a aldeia de Forninhos se desloque a este lugar panorâmico, sito no alto da N. Senhora de Fátima, perto da localidade dos Valagotes.
E, posto isto, pergunto:
Forninhos tem aproveitado e valorizado as boas coisas e a história que a terra tem? Ou, pelo contrário, continua a existir uma mentalidade que vive à sombra do idealismo pré-histórico, onde tudo é belo como está?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Modos de Dizer: "Matar o Bicho"

"Matar o Bicho" é uma expressão muito conhecida do povo forninhense, como designação da primeira refeição do dia, a que hoje habitualmente chamamos de pequeno-almoço. As outras refeições principais eram o “jantar” por volta do meio-dia e a “ceia” à noite. Ainda hoje as pessoas mais velhas referem-se ao almoço, como jantar.

Antigamente eram os próprios patrões que ofereciam o “mata-bicho” aos trabalhadores do campo, antes de estes começarem o trabalho; e, a meio da manhã, portanto, antes do meio-dia, comiam a piqueta, o que ainda hoje é usual nos trabalhos rurais.
Outra expressão que ainda hoje é usual e habitual entre os forninhenses é a merenda, que é uma refeição feita por volta das 16h.

Contribuam com outros modos de dizer, palavras ou frases que podem ser usadas para expressar outro significado.

« eu já estou com a barriga a dar horas»

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Seringador


O Seringador é na sua essência um almanaque semelhante ao Borda D' Água. Se calhar só os mais velhos se lembram deste Almanaque com dicas à moda antiga para os agricultores. Mas, na altura não havia agricultor ou cidadão que não tivesse em casa O Seringador. Era por ele que se sabia quando plantar e quando colher, as fases da lua, o nome do santo de cada dia, conselhos sobre saúde, o nome de flores, plantas e de todos os legumes e cereais, podas das árvores, etc, etc.
Hoje o Borda D´Água é o mais conhecido, mas o Seringador era o mais vendido no Centro e Norte de Portugal e era o almanaque mais usado pelos nossos antepassados.

Sabedoria Popular


- «Pelo Natal os dias têm bico de pardal»
- «Depois do Natal, saltinho de pardal»

Estas expressões referem-se ao aumento/crescimento dos dias de Inverno. E como estes dias vão tão cinzentos, há demasiado tempo sem sol, nada melhor do que começarmos a pensar já nos dias com mais solinho.
Mais alguns exemplos de saberes populares há, referindo-se aos dias curtos ou a como crescem um pedacinho após o solstício de Inverno, tal qual o boletim meteorológico, e pelos quais as pessoas se regulavam principalmente no que dizia respeito à agricultura.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mezinhas de Outros Tempos

Até a um passado muito recente, nas aldeias era habitual o uso de mezinhas e rezas para cura dos males. Como é sabido, em Forninhos, o acesso a médicos e a medicamentos era muito difícil e praticamente inexistente. Com frequência, algumas pessoas mais experientes e expeditas exerciam certas práticas médicas e recorriam àquilo que a natureza dava, bem como a crenças religiosas e pagãs. O conhecimento passava de geração em geração. No entanto, algum deste conhecimento perdeu-se, fruto de hoje em dia, felizmente, existir melhor acesso a médicos e a medicamentos. Deste modo, para que fique gravado na nossa memória colectiva, pensei ser importante deixar registado o conhecimento que me foi, até hoje, transmitido por familiares.

Nervos: beber chá de tília;
Estômago: para facilitar a digestão pode beber-se chá de cidreira;
Rouquidão: ferver casca de cebola com açúcar e mel;
Picada das Abelhas: encostar um objecto de metal (faca) à picada;
Treçolho: colocar uma aliança de casamento benzida em cima do olho e "rezar" três vezes: “treçolho, treçolho, passa para aquele olho” .

Muitos de vós terão certamente mais informação a acrescentar a esta minha recolha; é só uma questão de avivarem a memória, pois mesmo na actualidade recorremos frequentemente a algumas mezinhas sem darmos conta. Então…vamos lá a isso, pode ser? Sei que há quem aprecie estas coisas, por isso vou já partilhar também uma crendice popular que é costume ouvir Forninhos. Pois bem, quando dá comichão nos ouvidos quer dizer que o tempo vai mudar, digo, vai chover. O "bicho do ouvido" mexe...zás...muda o tempo!